Pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, encontraram sinais de alerta para uma reorganização da circulação do Oceano Atlântico que poderia ter um profundo impacto no clima global.
A pesquisa, publicada na revista ‘Nature Communications’, utiliza uma simulação de um modelo de alta complexidade para a análise da Circulação de Retorno do Atlântico Meridional (AMOC), um componente importante do sistema climático da Terra.
O modelo revelou que os sinais de alerta estão presentes até 250 anos antes de que se produza um colapso no regime de circulação, o que sugere que os cientistas poderiam supervisionar o risco de uma mudança radical no sistema de circulação oceânica em âmbito mundial usando os mesmos sinais.
O AMOC é como uma corrente transportadora no oceano, impulsionada pela salinidade e temperatura da água. O sistema transporta calor desde os trópicos e o hemisfério sul para o Atlântico Norte, de onde se transfere para a atmosfera.
Os testes sugerem que se a AMOC é ‘apagada’ por aportes de água doce adicionais, a temperatura do ar na superfície do Atlântico Norte baixaria entre 1 a 3 graus Celsius, com uma margem de resfriamento de até 8 graus nas zonas mais afetadas.
O colapso agravaria imediatamente a seca na região do Sahel – a zona ao sul do deserto do Sahara – e mudanças dinâmicas no nível do mar de até 80 centímetros ao longo das costas da Europa e América do Norte.
Alerta antecipado
“verificamos no modelo que as flutuações naturais na circulação acontecem algumas décadas antes de que se produza o colapso, um fenômeno conhecido como ralentização crítica”, disse o autor principal, Chris Boulton, da Universidade de Exeter.
“Não sabemos o quão próximos estamos de um colapso da circulação, mas um alerta preventivo no mundo real poderia ajudar-nos a prevenir, ou pelo menos a preparar-nos, para as consequências”, acrescenta o coautor, professor Tim Lenton.

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