Processo de desertificação engole 23 hectares de solo terrestre por minuto

A sociedade está cobrando consciência de múltiplas maneiras para poder apoiar o desenvolvimento sustentável e proteger o meio ambiente. Governos, cientistas e organismos internacionais chamam a atenção sobre a importância do solo, que constitui a base de mais de 90% da produção mundial de alimentos.

Um de cada oito habitantes do planeta passa fome, e por isso é vital para a segurança alimentar mundial que o solo seja utilizado e recuperado convenientemente. O solo também é fundamental para o desenvolvimento sustentável e serve de sustento para os serviços do ecossistema, a conservação da biodiversidade, a adaptação às mudanças climáticas e à mitigação do mesmo.

A cada minuto, o processo de desertificação engole 23 hectares de solo terrestre, outros 5,5 ha. Resultam transformados pela atividade de urbanização (o qual altera gravemente as funções do solo), enquanto que outros 10 hectares sofrem degradação, o que ocasiona a perda de sua capacidade para sustentar as funções do ecossistema.

Em termos humanos, o solo é um recurso não renovável.

Na prática, se está despojando a terra de sua cobertura a um ritmo muito mais rápido do que o necessário para regenerá-la, o que configura uma ameaça direta para a sustentabilidade. Em todo o planeta se observa um declínio constante da qualidade do solo, e o acesso desigual aos solos férteis põe em perigo o meio de sustento de uma grande porção da população das zonas rurais. Essa tendência provoca insegurança alimentar, contaminação de recursos hídricos, desertificação e uma maior vulnerabilidade a fenômenos climáticos extremos.

Frente a esta situação está atuando o Fórum Global do Solo (GSF), que iniciou um processo de impulso à transformação dos conhecimentos sobre o solo em intervenções práticas. Além disso, o GSF tem alertado em debates nacionais e internacionais sobre políticas pertinentes, advogando por medidas de gestão do solo que contribuam a obter um desenvolvimento sustentável e um acesso equitativo a este recurso finito.

Recentemente, este fórum organizou em Berlim (Alemanha) a primeira «Semana Mundial do Solo» (Global Soil Week), cujo tema de reflexão foi «Solos para a vida» com a participação de mais de 400 representantes de governos, científicos, organismos internacionais, empresas e organizações civis. Este evento integrou a programação da Aliança Mundial para o Solo e ofereceu informações sobre as decisões tomadas em junho de 2012 na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável.

O professor Klaus Töpfer, diretor executivo do Institut for Advanced Sustainability Studies (IASS, Potsdam, Alemanha) e presidente do GSF, declarou: “Sem solos férteis, não se conseguirá nem segurança alimentar, nem uma redução da pobreza, nem mitigação das mudanças climáticas e nem a adaptação a estas”.

Urgência

A Semana Mundial do Solo, a primeira desta classe de eventos, pediu a políticos, autoridades dedicadas à gestão da terra e aos cidadãos que coloquem a gestão do solo e da terra como um tema fundamental e prioritário.

A conclusão dos debates do evento foi que era necessário atuar de maneira urgente e coordenada para reforçar a ciência e a tecnologia, estabelecer colaborações orientadas para a mudança e aumentar a consciência sobre a urgência do tema.

Para isto propuseram várias ações chave, entre elas facilitar a comunicação entre a política científica e o público e converter a Semana Mundial do Solo em um processo continuo. Também desenvolver um programa de atuações centrado em uma governança orientada para alcançar degradação nula da terra e do solo, gestão sustentável e um trabalho eficiente de comunicação que impulsione à mudança.

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