Avanços para tratar áreas contaminadas

Um projeto-piloto que o Laboratório de Resíduos e Áreas Contaminadas, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), vem realizando desde 2008 para desenvolver e validar tecnologias de remediação e revitalização de áreas contaminadas com organoclorados foi apresentado apesquisadores e técnicos do Instituto no evento da série ‘Café com tecnologia’, que aborda projetos e pesquisas relacionados à inovação.

O projeto é o primeiro a receber financiamento do Funtec, linha criada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para dar suporte ao desenvolvimento tecnológico em áreas estratégicas. O investimento é de R$ 15,8 milhões, sendo R$ 14,24 milhões do banco, R$ 602 mil do IPT e R$ 980 mil do contratante do projeto, que é o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), órgão da Secretaria de Saneamento e Recursos Hídricos.

Sandra Lúcia de Moraes, pesquisadora e gerente do projeto, apresentou o percurso dos testes e estudos que estão analisando o potencial de cinco tecnologias para mitigar os problemas dos passivos ambientais relacionados aos organoclorados: tratamento químico por oxidação ou solubilização, nanorremediação, biorremediação, dessorção térmica e fitorremediação.

O objeto de estudo é um terreno na Vila Metalúrgica, em Santo André, que pertence ao DAEE. Trata-se de uma área de 10,5 mil metros quadrados, que abriga o solo contaminado em um sistema de proteção com células de manta impermeável, que totalizam de cinco a dez metros de profundidade e 100 metros de comprimento. O solo reservado nessa área foi contaminado por hexaclorohexano (HCH) e outros compostos produzidos artificialmente, denominados organoclorados – Aldrin, Dieldrin, BHC e Lindano, entre outros –, empregados no passado pela indústria de defensivos agrícolas.

Atualmente, essas substâncias são proibidas na indústria. Elas são caracterizadas pela cadeia de carbono ligada a moléculas de cloro, não existem na natureza e são perigosas para a saúde porque afetam o sistema nervoso e também podem provocar câncer.

O projeto deverá ser concluído até junho de 2013 e atualmente está em construção uma unidade industrial de pequeno porte para tratamento e injeção de químicos oxidantes e redutores para remediação in situ de solo e água subterrânea. Esse equipamento permitirá sistematizar e controlar as etapas de mistura, homogeinização, acondicionamento temporário e injeção de químicos no solo.

Também ao final do projeto deverá ser editado um livro que terá como eixo os procedimentos para elaborar planos de intervenção em áreas contaminadas. “Todas as tecnologias têm se mostrado capazes de degradar os contaminantes”, afirmou Sandra Lúcia durante sua exposição, na qual ela destacou que as tecnologias criadas serão transferidas para empresas da iniciativa privada que têm vocação para atuar com esse tipo de serviço.

Tecnologias que estão em desenvolvimento

Tratamento químico – consiste em oxidar compostos orgânicos complexos em compostos mais simples, ou até mesmo em sua mineralização por meio de uma reação de oxirredução; outra possibilidade é a solubilização por solvente;

Nanorremediação – trata-se da aplicação no solo de partículas metálicas, de ferro, zinco ou paládio, entre outras, com tamanho de um a 100 nanômetros, para a redução de contaminantes;

Dessorção térmica – é um processo que submete o solo a altas temperaturas, provocando a passagem dos contaminantes para o estado gasoso, que em seguida são coletados e tratados;

Biorremediação – adota o processo de remoção de contaminantes por meio da ação de microorganismos, como bactérias, fungos e leveduras;

Fitorremediação – tratamento do solo com o plantio de espécies vegetais que tem capacidade de degradar os tóxicos.

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