
O relatório Implicações para a Política do Aquecimento do Permafrost, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP18), em Doha, no Catar, alerta para os riscos potenciais enfrentados pelos ecossistemas globais caso estes subsolos árticos congelados derretam e se tornem instáveis.
Caso isto aconteça, enormes reservas de carbono presas sob quase 1/4 do hemisfério norte correm o risco de serem liberadas, desencadeando e contribuindo de forma significativa para o aquecimento global, já que o derretimento do permafrost produziria o equivalente entre 43 e 135 bilhões de toneladas de CO².
O Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner, enfatizou o papel que o permafrost poderia ter no aumento significativo do aquecimento global: “O permafrost é uma das chaves para o futuro do planeta, pois contém grandes depósitos de matéria orgânica congelada que, se descongelados e liberados para a atmosfera, amplificam o aquecimento global atual e nos levam a um mundo mais quente. Seu potencial impacto sobre o clima, ecossistemas e infraestrutura tem sido negligenciado por muito tempo.”
A maioria do permafrost do planeta se formou durante a última era do gelo, constituindo uma camada ativa de até dois metros de espessura no topo de uma camada de solo congelado.
Este ano entrou para os recordes como o nono em temperaturas mais altas desde 1850, apesar do efeito do La Niña, um fenômeno meteorológico que deveria ter uma influência de resfriamento sobre a atmosfera da Terra, diz um novo relatório das Nações Unidos. As altas temperaturas foram acompanhadas pela fusão sem precedentes de gelo do mar Ártico e extremos climáticos que afetaram muitas partes do mundo.
Os resultados estão entre os destaques do Comunicado Provisório sobre o Estado Global do Clima em 2012 da Organização Metereológica Mundial (OMM), que fornece um resumo anual do tempo e eventos climáticos ao redor do mundo.
O documento também foi lançado na Conferência de Mudança Climática da ONU, em Doha, no Catar, onde centenas de representantes de governos, organizações internacionais e da sociedade civil estão reunidos para discutir maneiras de reduzir as emissões globais de carbono e o aquecimento global. As atualizações e valores finais do relatório de 2012 serão lançados em março.
“A mudança climática está ocorrendo diante de nossos olhos, e continuará ocorrendo como resultado das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, que têm aumentado constantemente e alcançaram novamente novos recordes “, afirmou o Secretário-Geral da OMM, Michel Jarraud.
Extremos
Eventos extremos notáveis foram observados em todo o mundo durante o período de janeiro a outubro de 2012, afirma o relatório, incluindo ondas de calor na América do Norte e Europa, a seca nos Estados Unidos, China, Brasil e partes da Rússia e da Europa Oriental, inundações na região do Sahel , Paquistão e China, e neve e frio extremo na Rússia e na Europa Oriental.
Além disso, a bacia do Atlântico também sofreu uma temporada de furacões acima da média pelo terceiro ano consecutivo, com um total de 19 tempestades e 10 furacões, o principal deles sendo o Sandy, que causou estragos em todo o Caribe e na costa leste dos EUA.
O Leste da Ásia também foi severamente impactado por tufões poderosos, o maior sendo o Sanba, que atingiu as Filipinas, o Japão e a Península Coreana.
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