A pesquisa realizada pelo Instituto Trata Brasil com o Ibope sobre a percepção dos brasileiros com relação ao saneamento deixa algumas reflexões que se impõem ao governantes e à própria população:
1. Embora ainda não seja um tema prioritário, o brasileiro está mais atento ao “saneamento básico”, principalmente às carências de água tratada e os esgotos (coletados e tratados).
2. De forma geral e espontânea, as pessoas ainda não estabelecem uma relação direta entre saneamento básico e saúde. Ao serem estimuladas a pensar no assunto, no entanto, verifica-se que existe uma boa compreensão dos impactos da falta dos serviços, principalmente através das doenças e afastamentos ao trabalho e escola.
3.Os entrevistados se mostram muito críticos com relação ao que pagam pelos serviços existentes versus a qualidade destes serviços. Este fato aliado à grande quantidade de taxas e impostos pagos pelo brasileiro e a generalizada falta de informação quanto ao assunto, faz com que mesmo os não atendidos pelos serviços não queiram pagar para tê-los.
4. Em geral, as percepções mais críticas são feitas pelos moradores das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste, além dos que vivem nas cidades do interior e periferias; logicamente porque vivem realidades mais próximas dos problemas, principalmente dos esgotos a céu aberto ou dos esgotos coletados e jogados nos cursos d’água.
5. O Prefeito é visto como o responsável pelo problema e sua solução, mas as respostam mostram frustração no que se refere aos avanços dos serviços onde moram, bem como no atendimento das poucas reclamações e reivindicações feitas pelos cidadãos. O cidadão não reclama e espera que o problema seja fiscalizado e resolvido pela própria Prefeitura.
6. A pesquisa mostra claramente que o brasileiro não se mobiliza para cobrar providências, nem encontra informação ou campanhas de orientação sobre o tema. Isso indica a falta de comunicação das administrações municipais e estaduais, empresas de saneamento de todos os tipos e demais autoridades que não informam o cidadão, mesmo quando promovem obras e outros esforços para resolver os problemas ligados ao saneamento básico na cidade.
7. O aumento das discussões sobre os problemas ligados ao fornecimento de água tradada, coleta e tratamento dos esgotos lentamente chegam à população e isso fica evidente nos resultados comparativos de 2009 e 2012. Uma grande parte dos cidadãos demonstra que levará em consideração estes temas nas próximas eleições municipais e esperam que os candidatos se preocupem com o tema.
8. Há, portanto, um indicador claro de que o cidadão saberá valorizar os candidatos que tratarem do tema, assim como valorizará as governantes que priorizarem estes serviços em suas administrações municipais.
9. Resta também um claro alerta para as entidades reguladoras dos serviços uma vez que pelos dados da Pesquisa somente 1% dos entrevistados revelaram ser a fiscalização da qualidade dos serviços uma atribuição das agências. Como o consumidor tende a ser o principal aliado da agência para avaliação dos serviços é prioritário que elas ampliem seus canais de comunicação e se façam conhecer pela população.
O papel dos meios de comunicação
ATV, o rádio, os jornais e a internet deveriam ser mais antenados para as questões relacionados ao saneamento já que 38% dos entrevistados disseram que gostariamn de ver informações sobre este tema “na TV”, 24% na conta de água, 15% em boletins, 15% em jornais, 13% nas rádios. Na média nacional, a Internet foi citada por 10% dos entrevistados, mas os números são maiores entre os mais escolarizados e de maior renda. Nos menos escolarizados prevalece o rádio e o jornal.
70% dos entrevistados declaram não conhecer campanhas de orientação da população sobre o saneamento básico e 20% afirmam ter visto tais campanhas. 54% afirmaram não haver campanhas nas escolas e 26% dizem que viram nas escolas.

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