
Agência FAPESP.
Uma nova pesquisa publicada na revista The Lancet aponta que a malária é responsável pela morte de 1,2 milhão de pessoas ao ano em todo o mundo, quase o dobro do que se estimava anteriormente.
Outra conclusão é que, apesar de se achar que a doença infecciosa mata basicamente crianças pequenas, o estudo mostra que quase metade das mortes (42%) foi em crianças mais velhas e em adultos.
A boa notícia é que as intervenções adotadas na última década para tentar conter a transmissão têm contribuído para diminuir a mortalidade da malária.
Destacado no editorial da The Lancet, o estudo foi coordenado pelo professor Christopher Murray, da Universidade de Washington, em Seattle, Estados Unidos, cuja equipe coletou dados disponíveis sobre a doença de 1980 a 2010.
O resultado de 1,2 milhão de mortes para 2010 é quase duas vezes o total descrito no World Malaria Report 2011, divulgado em dezembro pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estimou em 655 mil o total de óbitos no ano atribuídos à doença.
A nova pesquisa verificou que de 1980 a 2010 o total de mortes aumentou de 1 milhão em 1980 para o máximo de 1,8 milhão em 2005. O aumento se deve, segundo os autores, à elevação na mortalidade e ao aumento da população com risco de ser contaminada.
Apesar do número elevado, o 1,2 milhão de mortes em 2010 representam uma queda de 32% desde 2004. A situação é mais crítica na África, com 700 mil mortes pela doença em crianças com menos de 5 anos em 2010. Mas os adultos têm sido muito atingidos. O estudo indica que 1/3 das mortes atribuídas à malária em 2010 ocorreu em adultos.
Na comparação com o relatório da OMS, o estudo indica 1,3 vez mais mortes por crianças com menos de 5 anos e 8,1 vezes mais para crianças mais velhas na África e 1,8 vez a mais para pessoas de todas as idades no resto do mundo.
“Aprendemos nas escolas de medicina que pessoas expostas à malária enquanto crianças desenvolvem imunidade e raramente morrem por causa da doença quando crescem. Mas verificamos em registros de hospitais, de óbitos e de outras fontes que analisamos que a situação é outra”, disse Murray.
De acordo com a OMS a malária devida ao P. falciparum é a mais letal e predomina na África. De acordo com a organização, 91% das mortes em 2010 devidas à doença ocorreram no continente africano. A malária é causada por cinco espécies de parasita do gênero Plasmodium que afetam humanos,
O artigo Global malaria mortality between 1980 and 2010: a systematic analysis (Lancet 2012; 379: 413–3), de Christopher Murray e outros, pode ser lido por assinantes da The Lancet em:
www.thelancet.com.
Brasil mapeia sequenciamento genômico do transmissor
Uma equipe de pesquisadores liderados pela doutora Míriam Silva Rafael, da Coordenação de Pesquisas em Ciências da Saúde do Laboratório de Vetores da Malária e Dengue (CPCS), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) mapearam o sequenciamento genético do mosquito transmissor da malária (Anopheles darlingi).
Segundo a pesquisadora, a malária é a parasitose que leva mais pessoas à morte no mundo. No Brasil, 97% dos casos registrados ocorrem na Amazônia, com 289.373 deles ocorridos somente em 2009. “O principal vetor da doença é o mosquito Anopheles darlingi, popularmente conhecido por carapanã. O controle por meio de inseticidas sintéticos ainda não é possível”.
Há décadas a malária é uma doença largamente conhecida na Amazônia, no qual o controle da doença tem esbarrado na resistência a inseticidas sintéticos. Miriam explicou que o Anopheles gambiae, principal transmissor da malária no continente africano, tem seu genoma totalmente sequenciado.
A malária é causada por protozoários do gênero plasmodium, como o Plasmodium Vivax, Falciparum, Malariae e Ovale. Os dois primeiros ocorrem no Brasil e são mais frequentes na Região Amazônica. Os resultados da pesquisa devem auxiliar outros estudos aplicados, envolvendo novos antígenos e controle natural desse mosquito na região, em especial, no Estado do Amazonas.
A prevenção consiste em evitar picadas do mosquito, uso de repelentes, calças e camisas de manga longa, principalmente o fim de tarde e início da noite. Evitar o acúmulo de água parada a fim de impedir a produção e nascimento de novos mosquitos.
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