ONU-Agua reune especialistas para debater água na economia verde

Cecy Oliveira – direto de Zaragoza (Espanha).

A convte da ONU-AGUA

Um grupo de 80 consultores convidados, entre os quais estão jornalistas especializados em água, está reunido esta semana na cidade espanhola de Zaragoza para debater A Água na Economia Verde, promovido pela ONU-Água.

Para entender o objetivo da reunião a organização do evento propôs uma definição do que seria uma economia verde:

Segundo o PNUMA, uma economia verde é aquela capaz de melhorar o bem-estar das pessoas e a equidade social reduzindo ao mesmo tempo os riscos ambientais e a escassez significativamente. Seria também a melhor resposta para a crise climática, a alimentar e a econômica, através de um paradigma alternativo que estimula o crescimento e protege os ecossistemas do planeta e contribui para a redução da pobreza.

Mas a principal característica deste tipo de economia é que se centra fundamentalmente no ponto de encontro entre o meio ambiente e a economia.

Um dos temas centrais da proposta é fazer mais com menos mediante a inovação tecnológica, a adoção e difusão da tecnologia para reduzir a brecha entre os usuários mais eficientes e os menos eficientes e outras medidas que levem a uma mudança de atitude.

Entre as ações propostas para que o mundo caminhe mais rapidamente para um modelo baseado na economia verde estão:

* Incentivos econômicos na gestão da água.

• Reformas políticas e da governabilidade para a criação de empregos verdes.

• Recuperação de custos e alternativas para um financiamento sustentável dos serviços de água que pressuponham um passo adiante no atendimento aos mais pobres, promovam o crecimento e reduzam o impacto ambiental.

• Investimentos e medidas fiscais para a proteção e melhoria da biodiversidade para promover a economia verde.

• Tecnologia da água que contribua para a criação de empregos e ao desenvolvimento de empresas.

• Planejamento hídrico que apoie a transição para a economia verde.

Uma estratégia para a melhor utilização do solo é promover mudanças no uso da terra e da pressão do setor agrícola. Com isso é possível deter uma redução de áreas de floresta natural e sua substituição por culturas não-originais.

Outra medida é promover políticas ambientais, econômicas, comerciais e de desenvolvimento que visam ao desenvolvimento de práticas de colheita que melhorem a eficiência no uso dos recursos naturais a curto prazo. Um bom exemplo sao os saldos de água virtual (a quantidade de água necessária para obter um bem ou serviço), que são essenciais para os países com uma relativa escassez de água. Na agricultura, a experiência do Uruguai na produção de arroz, e do Paraguai, tem demonstrado a viabilidade de uma produção agrícola aumentar o desempenho, com base em critérios ecológicos.

De acordo com o último relatório divulgado pelas Nações Unidas, o investimento verde no setor hídrico poderia gerar grandes benefícios para a saúde humana, a segurança alimentar e o crescimento econômico.

O levantamento aponta que um investimento de 0.16% do PIB mundial no setor hídrico poderia diminuir a escassez de água e reduzir pela metade o número de pessoas sem acesso à água potável e a serviços de esgotamento sanitário em um período inferior a quatro anos.

A falta de investimentos em serviços hídricos, de coleta, tratamento e reutilização eficiente da água resulta na redução de reservas aquíferas em várias partes do mundo e contribui para uma situação em que a demanda global por água poderia ultrapassar a oferta num período de 20 anos, diz o estudo.

No capítulo dedicado à água no Relatório sobre Economia Verde, lançado durante a Conferência da Semana Mundial da Água em Estocolmo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) apontou que o investimento em saneamento e água potável, assim como o fortalecimento dos sistemas locais de abastecimento hídrico, a conservação dos ecossistemas vitais para o abastecimento de água e o desenvolvimento mais eficiente de políticas, pode auxiliar na prevenção de altos custos sociais e econômicos resultantes do abastecimento inadequado de água.

Camboja, Indonésia, Filipinas e Vietnã são alguns dos países cujas perdas causadas pela deficiência no serviço de saneamento básico alcançam cerca de US$ 9 bilhões por ano ou 2% do PIB total combinado.

Para o subsecretário geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner, otimizar o acesso à água potável e serviços de saneamento básico é fundamental para uma sociedade mais sustentável e de uso mais eficiente de recursos.

“O Relatório sobre Economia Verde revela que o investimento na gestão e infraestrutura hídrica, assim como em ecossistemas dependentes de água, combinado a políticas eficientes pode contribuir e garantir a segurança da água e dos alimentos, melhorar a saúde e fomentar o crescimento econômico”, afirmou Steiner.

Caso não haja êxito na promoção do uso mais eficiente da água, a demanda pode ultrapassar a oferta em 40% até o ano de 2030.

Segundo o estudo sobre Economia Verde, a otimização na produtividade de água, assim como o aumento no seu abastecimento (por meio de novas represas, estações dessalinizadoras e reciclagem) pode diminuir essa lacuna em até 40%. No entanto, os 60% restantes deverão ser compensados a partir de investimentos na infraestrutura, reformas na política de recursos hídricos e desenvolvimento de novas tecnologias.

Eixos principais

Em quatro eixos as mudanças em direção à economia verde são fundamentais:

A AGRICULTURA desempenha um papel essencial na hora de alcançar uma economia verde pois utiliza 70% da água extraída para uso humano e proporciona emprego a 40% da população mundial.

• A INDÚSTRIA é fundamental para a redução da pobreza, a distribuição de bens e serviços, a criação de emprego e a melhoria das condições de vida das pessoas. Como principal produtor dos bens e serviços que consome a sociedade, a indústria tem um papel fundamental na criação de padrões de produção e consumo mais sustentáveis. A indústria promove a economia verde dissociando o consumo de matérias primas e de energia dos processos de produção e aplicando assim a máxima de “fazer mais com menos”.

• As CIDADES também desempenham um papel central na economia verde já que a maior parte da atividade econômica mundial, assim como 50% da população do planeta se concentram em áreas urbanas. O enorme desenvolvimento das cidades tem efeitos de grande alcance sobre as economias mundiais, os usos energéticos e as mudanças climáticas.

Como núcleos de interação social e de atividade econômica, as cidades constituem uma plataforma física fundamental para a formulação e implementação das políticas em todos os setores.

• As BACIAS HIDROGRÁFICAS. Os ecossistemas de água doce proporcionam serviços fundamentais para a sobrevivência do ser humano.

Além de suprir água limpa para o uso doméstico, a agricultura e a indústria, os ecossistemas contribuem para manter as zonas de pesca, reciclam os nutrientes, eliminam resíduos, recarrgam os aquíferos subterrâneos, ajudam a prevenir a erosão do solo e protegem contra as tempestades. Isto acontece, em particular, no caso da população mais pobre, já que, frequentemente, seu meio de vida depende diretamente dos serviços de água ou de outros ecossistemas mantidos por rios, lagos e/ou área úmidas.

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