Ricardo Amorim passou por Curitiba, na última semana, para falar sobre um assunto ainda pouco debatido na área econômica: sustentabilidade. Comentarista e colunista de grandes veículos nacionais e internacionais na área de economia, Amorim participou na capital paranaense da 11ª Feira de Gestão da FAE.
Segundo ele, o endividamento de países como a Grécia, Itália, Portugal, Irlanda e Espanha é apenas o começo de uma crise que preocupa as grandes potências, como França, Inglaterra e Alemanha. “1/4 dos jovens ingleses estão desempregados e revoltados”, alerta Amorim. O economista afirma que o Brasil está “condenado” a dar certo. Só não crescemos mais, até agora, porque não fizemos a nossa lição de casa”, referindo-se a políticas de saúde, educação, infraestrutura, tributação, entre outras.
Amorim lembra que, entre 1980 e 2003, o ritmo de crescimento médio do Brasil foi bem modesto, de apenas 2,4%. De 2004 para cá, a média foi de 4,9%. “E, na pior das hipóteses esse patamar deve se manter. Ou seja, assumindo que nenhuma das reformas necessárias será feita nos próximos anos. Se algumas delas saírem do papel, aí pode ser que o País cresça em média uns 6%, 7% ao ano”, diz o economista.
A boa notícia é que tanto economica quanto socialmente, as coisas estão melhorando muito no Brasil: “nos últimos cinco anos, 45 milhões de brasileiros emergiram da zona de pobreza. Basicamente, uma Espanha inteira”. Porém, como Newton dizia, “toda ação gera uma reação”. Nesse sentido, Amorim faz um alerta para a sociedade, governo e setor produtivo: “à medida que grandes parcelas da população mais carente do Brasil e do mundo melhorarem a condição econômica e consumirem mais, a pressão sobre o meio ambiente aumentará”.
Outro alerta é sobre a importância da educação ambiental no Brasil. “Para lidar com esta pressão, o desenvolvimento de novas tecnologias menos poluidoras deve ser incentivado tanto por políticas de governo quanto, principalmente, por todos nós, através de um estilo de consumo mais preocupado com a sustentabilidade socioambiental”, afirma Amorim.
Os perigos do crescimento brasileiro
O principal motivo que “condena” o Brasil a crescer, segundo Amorim, é a pressão que os preços das commodities devem continuar a sofrer nos próximos anos. O economista lembra que produzir manufaturados que incorporem tecnologia já não é mais garantia de diferencial. “Tecnologia também vira commodity. Ela passa a ser reproduzida e se torna mais barata”, diz. As matérias primas, por outro lado, nunca estiveram tão caras. O petróleo, por exemplo, vai continuar encarecendo, segundo ele.
Pressão semelhante será sentida sobre os preços dos alimentos, sendo que a área cultivável do País, que já é a maior do mundo, pode se expandir ainda mais. “Por outro lado, o aumento exponencial da utilização de recursos naturais nas próximas décadas vai dificultar o equilíbrio ecológico”, alerta. O crescimento espantoso do agronegócio, desde 2001, também chama atenção para a inversão dos fluxos migratórios do Brasil: “faz dez anos que as cidades que mais crescem no País são do interior e a isso atribuímos o início do processo de interiorização da população”, avalia Amorim, que sugere ao varejo que volte as atenções para este mercado em expansão.
Emissão zero na Copa e Olimpíada
Amorim observa também que os brasileiros que estavam trabalhando em outros países estão retornando e que o Brasil começa a receber estrangeiros no mercado de trabalho. Segundo ele, nos últimos três anos, 400 mil brasileiros retornaram ao País e o número de vistos de trabalho para estrangeiros triplicou nesse período.
“Hoje, a vantagem competitiva para um país crescer é a oferta de gente para trabalhar”, conta, citando como exemplo a volta de profissionais como modelos e jogadores de futebol – que antes eram mais valorizados no exterior e agora encontram melhores oportunidades no Brasil.
O economista lembrou que a realização de dois grandes eventos no Brasil – a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016, são as maiores oportunidades que o País possui de aplicar e difundir o conceito de sustentabilidade mundial. “Podemos ser os primeiros a adotar a emissão zero de carbono nesses eventos – só depende da população pressionar o governo para isso”, incentiva.
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