Mural em protesto contra matança de golfinhos

O muralista e artista plástico Eduardo Kobra faz uma nova obra de seu projeto Greenpincel, em São Paulo. Na rua Cayowaá 802, em Perdizes, ele iniciou dia 7 de setembro, em um muro de 10m por 4m o trabalho “Mar da Vergonha”, onde critica o massacre de centenas de golfinhos no início de setembro, na pequena cidade de Taiji, na costa meridional da ilha japonesa de Honshu.

No dia 26 de agosto, Kobra e outros artistas do Studio Kobra pintaram o mural “Sem Rodeios”, na av. Brigadeiro Faria Lima, depois de ficarem chocados com as imagens nos jornais e sites do bezerro abatido pelo peão César Brosco durante a 56ª. Festa do Peão de Barretos. A indignação é a mesma diante do que aconteceu em Taiji, no início de setembro. “As imagens dos golfinhos massacrados no Japão, mas também em outros países, são horríveis e nos obrigam a atuar no intuito de transformar o mundo. Não é um sonho imaginar que as pessoas do bem um dia vão se mobilizar e proteger os animais e a natureza como um todo”, afirma. O trabalho foi finalizado no dia 8 de setembro.

Kobra esteve quase um mês no Exterior. Chegou ao País no dia 24 de agosto, após concluir seu primeiro mural em Atenas, que havia sido atacado por religiosos, revoltados com o que chamavam de agressão a Deus, já que no mural “Evolução Desumana”, do seu projeto “Greenpincel”, na capital grega, apareciam imagens da evolução segundo Charles Darwin.

Kobra entregou recentemente um novo mural para a cidade de São Paulo, dentro do projeto Greepincel. Fez um chocante mural de “boas-vindas”, chamado “Welcome to Amazônia”, na av. Rebouças, 167, com cerca de 7mX5m. O cenário mostra um ambiente arrasado. Pouco antes, concluiu o mural “CO2”, na rua Alvarenga, 2.400, com cerca de 10mX5m, também parte do seu projeto Greenpincel, iniciado com o mural “Navio Baleeiro” (obra crua e forte, baseada em uma cena da caça de uma baleia pelo navio Yushin Maru), realizado em março na rua Domingos de Morais, na Vila Mariana, em São Paulo.

O Greenpincel marca uma nova etapa nas obras de rua do artista, que buscam basicamente preservar a memória e trazer beleza aos paulistanos, em meio à correria do dia-a-dia. “Gosto muito de resgatar a história e levar beleza às ruas das cidades, o que faço principalmente no projeto ‘Muro das Memórias’, mas há situações de denúncia em que devemos chocar, mostrando, como disse, artisticamente as agressões feitas contra o nosso Planeta”, afirma Eduardo Kobra, que há um mês inaugurou diversas obras no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Sobre o episódio de Atenas o artista diz que sempre respeitou as culturas e as religiões. “O meu trabalho é com Arte Urbana e, claro, ele acontece principalmente nas ruas, o que aumenta ainda mais a minha responsabilidade, já que minhas obras são vistas por todos os tipos de pessoas. Mas parece-me claro que o fato de não gostar de algum trabalho artístico, por sua qualidade ou temática, não dá a ninguém o direito de destruí-lo. Se assim o fosse, esses religiosos poderiam entrar no Museu de História Natural de Nova York, onde a evolução da espécies e, principalmente, humana é mostrada de forma realista, e destruírem tudo! Respeitar o direito de expressão é básico na Democracia que, por sinal, começou aqui na Grécia. Por isso decidimos, ainda que exista algum perigo de um novo ataque ao muro, refazer o trabalho, com algumas modificações estéticas, mas ainda dentro do mesmo tema. Não podemos ceder espaço para os intolerantes”, diz Eduardo Kobra.

Greenpincel

Segundo Kobra, o Greenpincel pretende denunciar e combater artisticamente as várias formas de agressão do Homem à natureza. “Todas as tragédias naturais que têm acontecido em nosso planeta mostram que proteger os animais e a natureza como um todo é também uma forma de protegermos o ser humano. Particularmente, sou um apaixonado por plantas e animais. São temas que namoro há muito tempo e, por isso, decidi que já era hora de colocá-los também dentro do meu trabalho como artista”, diz.

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