Recursos hídricos na visão de Obama

Alberto Palombo.

Especial para AguaOnline

Depois de toda a euforia dos últimos dias que culminou com a eleição presidencial de Barack Obama, a ficha cai e a realidade é enfrentar os assuntos mais urgentes de seu governo. Em meio à crise financeira mundial, cuja origem remonta à especulação do mercado e práticas anti-éticas de financiamento imobiliário, existe outra crise a enfrentar, e os Estados Unidos desempenham nela um papel fundamental: o ambiente global e as mudanças climáticas.

É interessante notar que as respostas do Presidente Eleito Obama estabelecem paralelos entre a crise financeira e a ambiental, buscando promover reformas e práticas éticas.

Antes das eleições, um grupo de cidadãos chamado Science Debate 2008 organizou um debate presidencial sobre as ciências. Em questão de semanas, mais de 28 mil pesquisadores, engenheiros e outros cidadãos estado-unidenses interessados somaram-se à iniciativa, incluindo praticamente todas as organizações científicas, dezenas de ganhadores do Prêmio Nobel, líderes da indústria, funcionários eleitos, e reitores de mais de 100 universidades americanas.

Entre outros assuntos, os participantes contribuíram com 3.400 perguntas que queriam fazer aos candidatos presidenciais, sobre a ciência e o futuro da América e Science Debate 2008 as consolidou em 14 perguntas que os candidatos deveriam responder. As perguntas foram genéricas para permitir amplitude das respostas, mas ao mesmo tempo foram específicas o suficiente para guiar a discussão para os desafios mais prominentes e importantes que enfrentam os Estados Unidos.

As respostas do presidente eleito Barack Obama, relacionadas ao tema água e outros, encontram-se abaixo. Também é interessante notar que a palavra “água” está entre as 100 palavras mais frequentemente citadas pelo presidente eleito Obama.

Obama sobre a Crise Doméstica da Água

De acordo com a Science Debate 2008, 39 estados americanos experimentarão escassez de água na próxima década. O presidente eleito Obama pensa que o ponto de partida para as políticas hídricas é reorganizar a forma como os Estados Unidos usa o precioso recurso: “os preços e as políticas devem estabelecer-se de forma que se dêem a todos incentivos claros para usar a água eficientemente e evitar o desperdício. As regulações que afetam o uso da água em dispositivos e incentivos para mudar os jardins irrigados em paisagismo ‘que usem a água inteligentemente’ são alguns exemplos”.

Obama afirma que o governo tem a obrigação de dar assistência para o desenvolvimento de técnicas para o uso eficiente da água: “informação, capacitação e, em alguns casos, assistência econômica, devem estar disponíveis para os agricultores e negócios que necessitam adotar melhores práticas de eficiência hídrica”. Acrescenta que estabelecerá um plano nacional para assistir às “regiões de alto crescimento” no que se refere à gestão da água.

Finalmente, o presidente eleito pensa que a tecnologia desempenhará um papel vital na proteção dos recursos hídricos: É “crítico que embarquemos em um programa concertado de pesquisa, desenvolvimento e testes de novas tecnologias que reduzam o uso da água”.

Obama sobre as mudanças climáticas

Talvez o tema das mudanças climáticas seja o maior desafio que enfrenta a humanidade no século XXI. O governo atual (de Bush) nos Estados Unidas gastou a maior parte do tempo em negar as mudanças climáticas e, quando admitiu a realidade de ter de enfrentá-las, recusou-se a realizar ações mais significativas para mitigar seus efeitos. O presidente eleito Obama estabeleceu uma clara distinção entre suas perspectivas sobre as mudanças climáticas e aquelas do governo atual, dizendo que ele daria alta prioridade ao tema se fosse eleito.

“Não há mais lugar a dúvidas de que as atividades humanas estão influenciando o clima global e que devemos reagir rápida e efetivamente”, disse, e “os Estados Unidos devem apartar-se de posições tangenciais e realizar ações que deveriam ter sido tomadas já há algum tempo aqui nos EUA para reduzir suas próprias emissões de gases de efeito-estufa. Temos que assumir um papel de liderança no projeto de tecnologias que permitam beneficiarmo-nos de uma economia crescente e próspera”.

O presidente eleito se compromete a reduzir “80% das emissões de gases de efeito-estufa a níveis de 1990 para o ano 2050”, por meio de um sistema de limites e trocas (“cap-and-trade”), explicando que tal sistema “se fundamenta no poder dos mercados de reduzir emissões de forma efetiva e flexível com relação aos custos”.

Obama nota que, sendo as mudanças climáticas um tema global, requer uma ampla cooperação com a comunidade internacional, incluindo “contribuições de todos os rincões do mundo – particularmente de outros grandes emissores mundiais: China, Europa e Índia”.

O presidente eleito Obama planeja criar um Fórum Mundial da Energia com os membros do G8 e cinco adicionais: Brasil, China, Índia, México e África do Sul. Diz que este Fórum será formado pelas “nações de maior consumo energético do mundo desenvolvido e em desenvolvimento” e que “se concentrará exclusivamente em temas energéticos e ambientais globais”.

Este artigo foi elaborado com informações obtidas no Science Debate 2008, Associated Press y US Water News. Para obter o conteúdo original das respostas dos candidatos Obama e McCain, por favor entre no www.sciencedebate2008.com (disponível somente em inglês).

Alberto Palombo é engenheiro industrial e escritor amador sobre temas de água. É membro da Rede Interamericana de Recursos Hídricos (RIRH) e do Instituto Brasileiros de Estudos e Ações em Saneamento Ambiental e Gestão de Recursos Hídricos (IBEASA). As opiniões e perspectivas expressas são as próprias e não representam a opinião da RIRH, IBEASA ou qualquer de seus clientes. E-mail: “apalombo@infohydro.com.

Obama sobre informação científica e pesquisa

Depois de alegações de abuso por parte do governo atual no uso da informação científica, o presidente eleito declarou que a ciência deve ser “sem cor ideológica”. Prometeu que “restaurará o princípio básico de que as decisões do governo devem estar fundamentadas sobre as evidências validadas pela melhor ciência e tecnologia disponíveis e não pela predisposição ideológica de funcionários governamentais ou indicados politicamente para os cargos de agências.”

Ressaltando a vital importância da pesquisa científica para resolver muitos dos problemas globais, o presidente eleito Obama se comprometeu em “incrementar os recursos para pesquisa básica em “ciências da vida”, matemáticas e engenharia a uma proporção que permita dobrar seus orçamentos para pesquisa na próxima década”, acrescentando que “aumentaremos apoios financeiros para pesquisadores nas etapas iniciais de suas carreiras para manter os jovens pesquisadores que entram neste campo. Aumentaremos os apoio para carteiras de pesquisa de alto risco e alto benefício potencial em nossas agências científicas. E, investiremos em pesquisa de ponta necessária para superar os desafios energéticos e a transformação dos programas de defesa.” Especificamente citou uma grande expansão de programas de pesquisa em agências como NASA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a Fundação Nacional para a Ciência (NSF) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

ABCON quer modificação de PL sobre hidrômetros

Em encontro com a senadora Serys Slhessarenko, a diretoria da Abcon expôs a situação do saneamento e pediu a modificação de projeto de lei 84/2008 que está em tramitação no Congresso (sobre a instalação individual de hidrômetros em edifícios),

A diretoria da Abcon teve audiência também com o senador Garibaldi Alves, no gabinete da Presidência do Senado, em Brasília. Os representantes da ABCON expuseram a precária situação do saneamento básico no Brasil e a reivindicação dos concessionários privados dos serviços de água e esgoto, pedindo a exclusão do artigo 5º do Projeto de Lei nº 84 que determina que o valor da tarifa do esgoto não passe de 50% do cobrado pelo fornecimento de água.

O presidente Garibaldi Alves encaminhou a comitiva para a senadora Serys Slhessarenko, relatora do projeto lei, que se comprometeu a examinar a reivindicação das concessionárias privadas com toda atenção.

“Argumentamos que o artigo inserido dentro do projeto contrabandeia uma competência municipal para a esfera federal, que certamente inviabilizará os investimentos necessários ao saneamento básico brasileiro,” diz Yves Besse, presidente da Abcon.

“A senadora nos disse que outras entidades também já se manifestaram nesse sentido e que ia examinar o assunto com o maior cuidado.”

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