Porto Alegre pode ganhar reciclagem energética de lixo

A Braskem estuda trazer para Porto Alegre uma usina de tratamento térmico de resíduos sólidos para geração de energia com base em projeto-piloto que está em funcionamento no Rio de Janeiro. O estudo prévio estima investimento de R$ 100 milhões para implantação de unidade com capacidade para processar 600 toneladas de lixo/dia, volume compatível com a geração de resíduos da capital.

Um projeto desse porte trataria todo o lixo residencial e comercial não-reciclável gerado diariamente na cidade. A usina teria capacidade para gerar 13,2 MW de energia elétrica, dos quais 2 MW seriam consumidos para o seu próprio funcionamento, e os outros 11,2 MW, destinados para comercialização. Esta quantidade de energia seria suficiente para abastecer cerca de 55.000 residências com consumo mensal de 140kWh.

A instalação de usinas desse tipo só se torna possível para geração de energia pela presença do plástico entre os resíduos, pois sua capacidade de queima e geração de calor é similar à do diesel. Entre as vantagens ambientais do projeto está a redução em 92% do volume do lixo urbano, restando apenas cinzas que podem ser reaproveitadas na fabricação de pisos, blocos de concreto e pavimentação. A eliminação do lixo urbano in natura evita a emissão de gás metano proveniente da decomposição do material orgânico. Esse gás é 23 vezes mais nocivo para o efeito estufa do que o CO2 gerado na combustão. Na prática, essa tecnologia protege os lençóis freáticos de contaminação.

Na Europa, já estão em operação 420 usinas de tratamento térmico de resíduos sólidos. No Brasil, a cidade de São Paulo planeja lançar unidades de grande porte até 2011. No Rio de Janeiro, já está em funcionamento, na Ilha do Fundão, projeto-piloto desenvolvido pela empresa Usina Verde S.A., formada por um grupo de ex-profissionais da indústria e pesquisadores da UFRJ, que se espelharam na operação de usinas WTE (waste-to-energy, ou “de lixo a energia”) da Europa. A empresa colocou em funcionamento uma usina modelo que trata 30 toneladas de lixo por dia e gera 440 kW. O objetivo é mostrar a tecnologia e comercializá-la a investidores interessados em montar o projeto, como é o caso da Braskem.

“Os resíduos de Porto Alegre apresentam uma vantagem em relação aos de outras cidades. Boa parte do lixo orgânico do município já é separado para ser utilizado numa Unidade de Compostagem, situada na Lomba do Pinheiro. Isso faz com que o lixo que resta seja mais seco e mais propício para a geração de energia”, afirma o vice-presidente de relações institucionais da Braskem, Marcelo Lyra.

O grande passo dado pela empresa Usina Verde S.A. em relação às tecnologias já existentes foi o desenvolvimento de lavadores de gases. A empresa tem duas patentes internacionais registradas pela elaboração do equipamento. O uso desse dispositivo controla as emissões atmosféricas em níveis inferiores aos padrões internacionais exigidos.

USP pesquisa ar condicionado econômico

Projeto de pesquisa da professora Brenda Chaves Coelho Leite, do Departamento de Engenharia de Construção Civil (PCC) da Poli-USP, prevê um sistema de ar-condicionado silencioso, econômico, de fácil limpeza e manutenção. E que funciona independentemente da disposição das divisórias e dos móveis, Esse sistema existe e está instalado em dois ambientes da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP).

O prot´tipo contou com o apoio de 20 empresas das áreas de ar-condicionado, isolantes térmicos, iluminação, automação, forros e vidros, que doaram equipamentos e materiais, Brenda desenvolveu dois sistemas de ar-condicionado que representam uma quebra de paradigmas em relação aos modelos convencionais. Um deles possui serpentinas de água gelada, instaladas no teto, que irradiam frio para o ambiente; o outro possui uma câmara de ar resfriado debaixo do piso, por onde também sai o ar.

Além da economia de energia e do alto grau de automação, ambos contam com uma característica marcante: o elevado nível de conforto. “

Em um dos ambientes está instalado o “Sistema de Distribuição de Ar pelo Piso, com Fluxo por Deslocamento”. O ar é resfriado em uma máquina que fica no pavimento superior e conduzido por um duto até o vazio do piso elevado (plenum), que se torna uma câmara de ar resfriado e pressurizado. O ar frio passa por diferença de pressão, através de difusores, para o ambiente. Ao entrar em contato com as fontes de calor (pessoas e equipamentos), o ar se aquece, o que possibilita sua subida para o teto por convecção natural, de onde sai através de grelhas. “O conforto se deve à baixa velocidade de insuflação do ar”, diz a professora Brenda.

Outra vantagem é a facilidade de limpeza e manutenção (basta remover algumas placas dos pisos elevados para ter acesso ao plenum) e a flexibilidade para mudança de layout, já que as placas, com e sem difusores, podem ser facilmente redistribuídas. “É necessária apenas a limpeza e manutenção do duto principal, já que o sistema dispensa dutos secundários”, explica.

Poluição

Um estudo de mestrado da Poli, sob a orientação da Professora Brenda, mostra que o potencial de economia de energia é de 34%, em relação aos sistemas convencionais. Isso se deve à inteligência do sistema, que mantém o equilíbrio da temperatura de acordo com as condições externas (renovação do ar) e internas.

Outro studo de mestrado, também sob a orientação da professora Brenda, vai estimar o potencial do sistema para a remoção de poluentes. “Como o sistema cria ‘plumas ou ilhas’ de ar, que passam independentes pelo ambiente, sem turbulência e mistura do ar, os poluentes e contaminantes são conduzidos para o teto e extraídos através das grelhas”, explica Brenda.

O outro sistema – denominado “Condicionamento por Teto Radiante” – emprega painéis instalados no teto, formados por placas de forro metálico perfurado, nas quais são acopladas serpentinas de água gelada que irradiam o frio para o ambiente. O sistema também é economizador ou “verde”, pois a água é mais eficiente que o ar na troca de calor, exigindo menor quantidade de energia para resfriar o ambiente.

Por meio da automação, o ambiente foi dividido em quatro zonas e cada circuito hidráulico tem uma válvula que trabalha separadamente.

“Este é um sistema de custo inicial um pouco mais alto. E embora existam edificações que já o utilizem no Brasil, como a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre (RS), sua tecnologia ainda é muito recente no País e, portanto, exige cuidados e conhecimento para funcionar adequadamente. Aqui na Poli, o fundamental da pesquisa em ambos os sistemas são os parâmetros de funcionamento e produtos de inovação tecnológica que estamos desenvolvendo. Na verdade, uma quebra de paradigmas em relação aos sistemas convencionais”, finaliza Brenda.

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