Era para ser uma semana ainda saboreando o sucesso da Conferência Nacional do Meio Ambiente (CNMA). Mas talvez por isso mesmo a decisão tenha vindo assim, de repente.
A ministra já vinha colecionando derrotas – a mais recente delas a entrega do projeto Amazônia Sustentável para outro Ministério. Outra batalha perdida foi a questão da transposição das águas do Rio São Francisco. Novamente entre as proposições da CNMA recém-finda estava o pedido da comunidade ambiental para cessarem as obras da transposição.
Entre o anseio de continuar fazendo do Ministério uma trincheira permanente contra as forças que desejam que a fronteira agrícola invada a Amazônia, e a soja substitua árvores centenárias, e a decepção de colecionar derrotas e ver bandeira de lutas de toda uma vida serem rasgadas, uma a uma, Marina Silva entregou os pontos.
O que virá pela frente não é muito difícil imaginar. Enfraquecido ainda mais, o MMA poderá se transformar em um enfeite. E o desenvolvimento a qualquer preço vai continuar ganhando terreno.
Equipe Aguaonline
Os leitores opinam

Aquele pequeno tamanho, aquela simplicidade, aquela autenticidade!!! Esta é a nossa Marina, Excelentíssima Ministra do Meio Ambiente do Brasil. Até descontrair e brincar ela sabe. Isto é característica de quem é “mulher, professora e política”, como ela mesma colocou numa reunião para autoridades de vários países (do Mercosul, Fórum Mundial Social – FSM, Comunidades dos Países de Língua Portuguesa, etc..), na III Conferência Nacional do Meio Ambiente, realizada no dia 8 de maio de 2008, no Hotel Gran Bittar, em Brasília.
Todos os representantes que tiveram oportunidade de questioná-la, por fim, se renderam e todos foram cumprimentá-la, pois não havia outra maneira de se relacionar com ela. Eu também fui e além de parabenizá-la fiz o que eu pretendia fazer em Brasília, ter oportunidade de entregar pessoalmente um pedido a Ministra Marina, contra a forma de encaminhamentos, no caso de um projeto de um grande empreendimento no Estado do Paraná.
Eu fui à Brasília defender o Estado do Paraná, pois defendo o que a Ministra Marina disse defender: o Ministério do Meio Ambiente defende as áreas já classificadas no Brasil como prioritárias para conservação, é o que estou defendendo aqui no Paraná, não o que o governo do Paraná defende cegamente: as propostas que constam no PAC (Plano de Aceleração do Crescimento).
Como não tive opção de participar no encaminhamento das propostas como delegada na Conferência Nacional, a opção que tive seguindo a programação da Conferência seria participar da reunião temática com a Ministra Marina com os representantes dos países estrangeiros. Como o meu objetivo em Brasília era ter uma oportunidade de encontrar com a Ministra do Meio Ambiente, esta foi a melhor oportunidade. Durante a reunião me convenci, de que a Ministra do Meio Ambiente faz o que acredita e pode, e demonstrou ter uma grande sensibilidade com as questões ambientais, por isso é notadamente respeitada pelas autoridades estrangeiras.
O que consta nos documentos que entreguei à Ministra é exatamente o descumprimento das leis ambientais de um grande empreendimento – o Projeto de construção da Usina Mauá, no rio Tibagi, que está projetado para ser construído, numa área classificada como prioritária para conservação de “Extrema Importância Biológica”, conforme o livro do Ministério do Meio Ambiente (2002). Estas áreas segundo a Ministra, sempre são respeitadas, não podem ser utilizadas para estes empreendimentos. Aí está o conflito, pois esta obra de construção da Usina Mauá está numa área de Extrema Importância Biológica, mas está incluída no PAC.
Além disso, outros fatores relevantes também constam no documento que foi entregue à Ministra, como: serem áreas indígenas, estar próximo de falhas de placas tectônicas e o processo de licenciamento está atualmente, com 14 Ações Civis Públicas em andamento, entre outros.
A questão é que as etapas deste projeto seguem em frente, pois está no PAC. A expectativa era aguardar o pronunciamento da Ministra Marina sobre a prioridade do Ministério do Meio Ambiente*: A área do Projeto Usina Mauá já está classificada como prioridade para conservação. Não é porque o governo federal incluiu no PAC, que as leis ambientais não devem mais ser consideradas e respeitadas.
* E agora sem a Ministra Marina? Alguém do Ministério vai defender estas áreas?
Sirlei Bennemann – professora da Universidade Estadual de Londrina – Paraná – Departamento de Biologia Animal e Vegetal.
Os leitores opinam II
Acompanho as noticias e informações de Aguaonline com muito interesse. Além de verdadeiras, são de precisão qualificante. Marina Silva, assim como muitos crentes de carteirinhas de partidos, se esqueceram que infelizmente se encontram no Brasil.
Ela não entregou os pontos. Foi o povo brasileiro. Não vi ninguém levantando a mão em seu socorro. Fi-lo, sim, no mês passado. Mas, não foi publicado em meu Estado de S.Paulo. Ela foi até onde deu. Eu em seu lugar teria feito o mesmo. Morrer pela causa não é questão. Viver, sim. Vivendo aprendemos mais e acrescentamos sabedoria para os que vem nos seguindo nos ideais.
Sim; estamos todos tristes. Só podemos dar os pêsames ao senhor Luis Inacio, o popular “luizinho” que sempre brincou de governar um país que é meu, seu e nosso. É hora de união. Saibamos votar nas próximas eleições.
Onésio Custódio da Silva. – SP.
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