Nenhum dos títulos e as honrarias que o engenheiro florestal Miguel Serediuk Milano possa ter ganho em seus 44 anos de vida, 10 dos quais à frente da Fundação Boticário de Proteção à Natureza, vão causar tanta emoção quanto o reconhecimento dado pela Unesco à reserva natural Salto Morato, em novembro de 1999, que ele ajudou a implantar e vem administrando. A área, de 2.340 hectares, dentro de um dos mais expressivos remanescentes de Floresta Atlântica quanto ao estado de conservação, na região de Guaraqueçaba, litoral do Paraná, foi a primeira reserva privada do mundo a receber o título de Patrimônio Natural da Humanidade. “Enche nossa alma e o coração”, exclama, relembrando a infância passada entre passeios e pescarias de sua pequena Palmital. “Quando vim para Curitiba comecei a perceber que meus rios se afastavam cada vez mais de mim, não só pela distância como também pela poluição. Senti que tinha que fazer alguma coisa”.
O curso de Engenharia Florestal o direcionou inicialmente para a atividade de produção de madeiras. “Mas eu queria plantar e não derrubar árvores”, conta. Seu orgulho é ainda maior quando descreve as atividades desenvolvidas na reserva pois a área foi racionalmente equipada para desenvolver um extenso programa de educação ambiental e ecoturismo. Sua estrutura abriga instalações para cursos e seminários e serve de base para pesquisa in loco das condições naturais da Floresta Atlântica da região. Duas iniciativas recentes mostram a preocupação com a educação ambiental e a preservação do local: uma curiosa “Calçada da Fauna” (réplica da famosa “Calçada da Fama”, de Holywood) que traz marcas das pegadas, silhueta e “assinatura” de mais de duas dezenas de animais da Floresta Atlântica. Essa amostra instiga o visitante a tentar encontrar as marcas autênticas deixadas pelos próprios animais vivos nas trilhas da Reserva. Também foi construída uma ponte pênsil sobre o rio Morato, onde as pessoas o atravessavam a pé.
Sem esquecer no seu dia sua tarefa de professor – é professor da Universidade Federal do Paraná, lotado no Departamento de Silvicultura e Manejo (Curitiba – PR), Milano transformou a reserva em local para aulas práticas de botânica, zoologia, ecologia e conservação por parte de instituições universitárias do Paraná e de outras regiões e alunos de primeiro e de segundo grau de escolas de Curitiba e da Região Metropolitana. Ele já contabiliza a realização de nove cursos gratuitos relacionados à conservação da biodiversidade e quatro oficinas de artesanato contando com 314 participantes de várias localidades do país.
Mas quem pensa que Milano já conquistou tudo na vida, se engana. Ele ainda vai continuar perseguindo sonhos. O próximo é fazer uma reserva de araucárias (pinheiro brasileiro). E que ninguém duvide que ele vai conseguir!
Reserva
O projeto da Reserva foi um dos dez programas selecionados pelo FUNBIO – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade para receber recursos para a conservação da biodiversidade. Esse projeto está sendo implementado com verbas de 277 mil dólares do FUNBIO e contrapartida de 285 mil dólares da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza.
Para implantar a reserva foram investidos mais US$ 1,6 milhão para garantir a recuperação e proteção da área com sua floresta, rios e animais.
Bolsista
Em 1998, como bolsista do CNPq, Milano cumpriu programa de pós-doutoramento na condição de Professor Visitante na “Colorado State University” lotado no “Department of Natural Resource Recreation and Tourism” (Fort Collins – CO, USA).
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