ComCiência Ambiental

Já está nas bancas o número de setembro da revista ComCiência Ambiental. Veja detalhes das principais matérias:

ENTREVISTA

Futuro das águas nas mãos das comunidades- Paulo Renato Paim

O Brasil é considerado, mundialmente, bastante ousado por sua legislação sobre recursos hídricos, mesmo por especialistas de países muito adiantados nessa área, como os franceses. E essa revolução silenciosa no modo de gerir um bem de uso coletivo, incluindo até mesmo algumas mudanças de paradigmas, como a descentralização de decisão e o rompimento de amarras da tutela do Poder Público (estadual ou federal), ocorreu em menos de 20 anos e deve estar plenamente consolidada nos próximos 15 anos – quando todos os estados tiverem suas leis, planos e políticas de recursos hídricos.

Essa é a opinião do engenheiro sanitarista Paulo Renato Paim, um especialista em gestão das águas, que ocupa a secretaria executiva do Conselho de Recursos Hídricos do Rio Grande do Sul, em que acompanha atentamente os trabalhos do Plano Estadual de Recursos Hídricos e do primeiro plano de saneamento para uma bacia hidrográfica, a do Rio dos Sinos, cujo comitê Paim já presidiu por quatro anos.

POLÍTICA

O veredicto das urnas

As eleições definirão o futuro da política ambiental do país. E as

ONGs se mobilizam para orientar eleitores e sensibilizar candidatos para a adoção de plataformas ecológicas

“Democracia é oportunizar a todos o mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”. A mensagem, imortalizada nos dizeres do escritor Fernando Sabino (1923-2004), ganha cores especiais no dia 1º de outubro, quando quase 126 milhões de brasileiros exercerão o poder do voto para escolher o Presidente da República, os senadores, os governadores e os deputados federais e estaduais. As teclas acionadas pelos eleitores nas urnas eletrônicas poderão refletir satisfação ou protesto, continuidade ou renovação. Definirão a força política que comandará o país por mais quatro anos e, com ela, os rumos de questões-chave que hoje mais freqüentam as páginas dos jornais e os discursos dos candidatos na guerra pelos votos, como crescimento da economia, geração de emprego e combate à fome e à violência. Educação, saúde e habitação somam-se à lista de desafios. São temas intimamente ligados à sobrevivência imediata e à melhoria da qualidade de vida da população a curto prazo. No entanto, esse rol de questões econômicas e sociais que roubam a cena em tempos eleitorais embute uma linha de compromissos nem sempre tratada com igual destaque nos palanques: a plataforma ambiental. Trata-se de um conjunto de propostas que vão além da preservação da fauna e da flora, permeiam vários setores da vida do país, com efeitos a médio e longo prazos, e sensibilizam os eleitores mais conscientes e responsáveis na hora do voto.

TRANSPORTES QUÍMICOS

Condução de risco – Metrópoles são vulneráveis a acidentes com transportes de químicos

Na madrugada de 23 de junho, um motorista da empresa Acimex perdeu o controle de seu caminhão quando cruzava a cidade de São Paulo pela Marginal Pinheiros, uma das principais vias de acesso à capital. A carga tombou na pista, e o condutor sofreu ferimentos leves. Aquele seria apenas mais um acidente para tumultuar o já complicado trânsito matinal da metrópole, não fosse a periculosidade do material transportado pelo veículo: o gás butilmercaptana, altamente explosivo, cuja função é dar cheiro ao gás de cozinha. O produto se espalhou na atmosfera e, naquela manhã, a cidade despertou ainda mais poluída do que de costume. Moradores de vários bairros da capital e de outras três cidades da região metropolitana respiraram o gás, com menor ou maior intensidade, o que levou cerca de 40 pessoas a hospitais e provocou um tremendo mal-estar em várias outras, além da suspensão das aulas em uma escola infantil.

Biocombustíveis – novo padrão internacional?

O aumento da demanda por biocombustíveis nos países desenvolvidos pode pôr em risco a conservação das florestas e a manutenção de áreas férteis para a produção de alimentos em todo o mundo

O verão europeu trouxe duas lembranças dramáticas das conseqüências da confiança que se depositou no petróleo para manter as sociedades do continente em movimento. Em primeiro lugar, países como o Reino Unido viram mais uma vez as temperaturas de julho baterem 40°C, o que demonstra ser o aquecimento global um fato, não apenas uma teoria. Em segundo, os preços recordes do barril de petróleo e a crescente instabilidade no Oriente Médio demonstraram, de maneira concreta, a ameaça econômica que representa a superdependência de petróleo importado, especialmente, agora, que as reservas européias como as do Mar do Norte estão acabando.

CIÊNCIA E COMUNIDADE

Peixe-boi e a ameaça de extinção

O mamífero aquático brasileiro enfrenta a degradação ambiental, a morte acidental em redes de pesca e o encalhe de filhotes órfãos

Por Verônica Falcão, de Pernambuco

Um estudo genético, concluído recentemente, comprovou a presença de híbridos entre a população da espécie, que soma cerca de 500 indivíduos no litoral do Norte e Nordeste do país. O resultado é preocupante. Pode comprometer a reprodução desse dócil animal, que se alimenta exclusivamente de plantas. Isso porque, em geral, machos híbridos são inférteis. “Se essa regra genética se aplicar também aos peixes-bois, o que é muito provável, teremos menos filhotes no mar”, lamenta o oceanógrafo Régis Pinto de Lima, chefe do CMA (Centro Mamíferos Aquáticos), ligado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

A pesquisa, coordenada pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), analisou 189 amostras de sangue e tecido da cauda de animais livres e de mantidos em cativeiro nos oceanários do CMA, na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco. Além de peixes-bois distribuídos ao longo da costa brasileira, o estudo da diversidade genética incluiu exemplares da espécie que habitam as Guianas, no norte da América do Sul.

RECURSOS HÍDRICOS

América Latina busca segurança para os serviços de água e esgoto

Abrir a torneira e acionar a descarga do vaso sanitário são operações corriqueiras para os milhões de habitantes da América Latina e Caribe. Poucos conhecem, no entanto, a verdadeira operação de guerra que é desencadeada nos sistemas de saneamento, para garantir que a água recebida esteja dentro dos padrões de potabilidade e que os sistemas de esgoto funcionem adequadamente para afastar e dispor os resíduos gerados pelo uso das instalações domésticas e industriais.

Além de um tratamento cada vez mais complexo, decorrente da má qualidade dos mananciais, as companhias e os serviços municipais de saneamento precisam lidar diariamente com o imponderável, seja o rompimento de uma tubulação, um vazamento de carga tóxica no ponto de captação, ou até mesmo a atuação deletéria de um molusco chamado mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), ou, ainda, a qualidade natural da água subterrânea que pode apresentar altos teores de flúor ou arsênico, prejudiciais à saúde.

Leave a Reply

Your email address will not be published.