
O Banco Interamericano de Desenvolvimento anunciou o lançamento de um Sistema de Informação de Indicadores Sociais e Eqüidade denominado EQxIS que utiliza informação de sondagens de habitações para estimar indicadores sociais desagregados, em particular aqueles propostos para medir o avanço que sejam alcançados os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio fixados no marco das Nações Unidas.
O sistema, desenvolvido pela Unidade de Pobreza e Desigualdade do Departamento de Desenvolvimento Sustentável do BID tendo por base o banco de dados de sondagens do Programa MECOVI, que permite a desagregação de indicadores por renda, gênero, área urbana/rural e raça/etnia, facilita a identificação dos avanços e dificuldades e as disparidades na busca de alcanças os objetivos de desenvolvimento entre distintos grupos da população.
Com os dados do EQxIS se pode saber:
• Se a situação dos diferentes grupos da população em relação à média nacional é equitativa.
• Se os avanços ou retrocessos afetaram ou beneficiaram por igual à população de menores e maiores rendas, ou a das áreas urbanas e rurais.
• Se os países têm avançado a ritmo diferente.
O EQxIS obtém indicadores baseados nas definições dos indicadores para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio recomendadas pelas Nações Unidas e contém dados de 20 países para pelo menos quatro pontos nos períodos de 1990, 1995, 2000. Para a metade dos países as estimativas estão atualizadas até o ano 2004 e para o resto até 2002-03.
A informação corresponde aos seguintes países: Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
Os dados se mostram dinamicamente utilizando uma interface web mediante quadros e gráficos facilmente exportáveis para planilhas de cálculo. O EqxIS S também detecta as brechas de acesso entre as frações mais pobres e mais ricas, evidenciando as diferenças na consecução dos objetivos de desenvolvimento do milênio para cada grupo de renda.
A interface web do EQxIS oferece também a metodologia usada para calcular os indicadores. Adicionalmente, dá acesso aos programas usados para calcular os indicadores e proporciona informação sobre a confiança estatística das estimativas.
O novo sistema de informação foi apresentado em uma exibição durante a II Semana de Desenvolvimento Social realizada em Washington, D.C., de 24 a 28 de outubro em torno do tema central “Contrato Social e Desenvolvimento: Em Direção a Sociedades mais Equitativas e Coesas”. Durante a semana, especialistas internacionais, funcionários governamentais, representantes da sociedade civil, do setor privado e acadêmico compartilham experiências na luta contra a pobreza e a desigualdade na América Latina e Caribe.
Indústria adere à reciclagem
Nem tudo o que vai para a lixeira é lixo. Pensando assim, a indústria paranaense de embalagem Embafort compra embalagens de madeira usadas e descartadas por outras empresas e as reutiliza na fabricação de novas embalagens, com aplicação de tecnologia, exportadas para 45 países.
Toda a negociação de resíduos da empresa é feita na bolsa de reciclagem da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), que funciona há quatro anos na Internet e está sendo reestruturada para ficar mais ágil.
De outubro de 2004 a outubro de 2005 foram negociados R$ 820 mil pela bolsa, mas esse número pode ser ainda maior porque nem todas as empresas que fecham negócios informam à Federação.
Os resíduos da Embafort são ofertados ao mercado e os restos da madeira sem utilidade industrial, doados para uma associação de jovens artesãos. Em média, 40% da madeira usada no processo produtivo da empresa são de origem reciclada, o que permite, pelos cálculos da própria empresa, preservar diariamente 300 árvores de 20 anos de idade. “Resíduo não é passivo ambiental, é um ativo econômico. Depende de como você trabalha”, disse Humberto de Ramos Cabral, proprietário da Embafort.
Encontrada em países como Estados Unidos, Espanha, Austrália e Alemanha, a bolsa de resíduos é uma das ferramentas para o descarte e uma tendência que começa a se consolidar no Brasil. Bolsas semelhantes à do Paraná funcionam em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará e Pará. É um serviço gratuito com o objetivo de divulgar para empresas ofertas de compra e venda de resíduos industriais recicláveis pela Internet e, eventualmente, por meio de um boletim impresso.
Ciclo virtuoso
A bolsa do Paraná tem 3.000 empresas cadastradas em seu banco de dados e é resultado do trabalho de assessoria de gestão de resíduos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) da região. Segundo o coordenador da área de informação tecnológica do SENAI da cidade industrial de Curitiba, Adilson Luiz de Paula Souza, os técnicos constataram que havia nas empresas muito resíduo misto com possibilidade de ser colocado no mercado, desde que houvesse uma triagem adequada. “Quanto mais limpo e separado o resíduo, maior será o seu valor agregado”, disse.
A articulação econômica que está sendo estruturada permite que o resíduo de uma indústria seja matéria-prima para a outra. E o descarte feito de forma correta concilia ganhos financeiros com preocupação social e ambiental, cada vez maior, principalmente nas empresas que buscam certificações.
De janeiro a julho deste ano, a empresa negociou R$ 39 mil na bolsa. O dinheiro é repassado para a associação de funcionários , que realiza trabalhos de responsabilidade social.
Uma das pioneiras no país, a bolsa de resíduos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) foi criada na década de 80 na forma de boletim impresso. O sistema atual em meio eletrônico foi relançado em 2002. A bolsa paulista inovou ao incluir a modalidade do leilão nas negociações, além do anúncio de oferta e procura. As empresas que procuram esses serviços são de vários estados e, a maior parte, de pequeno porte.
Entre os produtos mais ofertados na bolsa da Fiesp estão plásticos, resíduos químicos, metal/metalúrgico, borracha e madeira/mobiliário. Entre os mais procurados, a lista é quase igual, com madeira/mobiliário na frente de borracha.
Para a responsável técnica pela Bolsa no SENAI do Paraná, Elisabeth Stapenhorst, a bolsa pode ser uma ferramenta de pesquisa. Em seu Estado, por exemplo, pode ser observada uma oferta grande de resíduos químicos, mas com pequena procura. “É um sinal de que esse é um mercado em que há demanda”, disse. Elisabeth explicou que a implantação de uma recicladora de resíduo químico demanda investimentos e tecnologia, além de licenças rigorosas.

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