Tânia Magalhães
A preocupação com a contaminação dos corpos d´água e a degradação aliada à escassez dos recursos hídricos é um dos principais alvos de atenção do novo Diretor da Divisão de Saúde Ambiental da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Maurício Pardón, sediado em Washington (USA). Acompanhado de uma delegação formada por especialistas e representantes da instituição no Brasil, Pardón esteve no Rio de Janeiro (RJ) no último dia 6 de maio, quando visitou a Secretaria de Estado de Saneamento e Recursos Hídricos e a Sede Nacional da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES).
Apreensivo diante da velocidade com que os corpos d’água estão sendo degradados, particularmente em função do crescimento populacional desordenado e dos avanços tecnológicos voltados à industrialização, Maurício Pardon, juntamente com o representante da OPAS no Brasil, Jacobo Finkelman, ponderaram que uma das alternativas para disseminação da informação no âmbito da sociedade e a conscientização dos governos, visando maior atenção para o problema, é o lançamento do Prêmio “OPAS Brasil de Saúde Ambiental”, quando deverão ser apresentados projetos e propostas viáveis para solução de problemas que vêm afetando gravemente a maioria dos países em todos os continentes.
Parcerias estratégicas
Durante a visita ao Brasil, Maurício Pardón ficou conhecendo o trabalho que a ABES vem desenvolvendo em todas as áreas ligadas ao saneamento ambiental e dedicou particular interesse pelo “1º Inquérito Geoeconômico-Social do Saneamento Ambiental do Estado do Rio de Janeiro”, iniciativa que tem a OPAS como responsável pela coordenação técnica e conta com a colaboração da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Na primeira etapa do trabalho – já concluída – o projeto conseguiu levantar todos os dados relativos ao perfil dos 91 municípios do Estado, sendo conduzido a uma segunda fase onde as informações vão gerar um perfil real das condições e potencialidades de cada uma dessas localidades.
O Diretor da OPAS considerou o trabalho essencial para a identificação das formas de atuação da instituição com base em fatos concretos e a implementação de ações mais condizentes com as características e a realidade experimentada pelos municípios: “Não há uma política global que possa ser aplicada indistintamente. O perfil de cada uma dessas localidades pesquisadas, sem dúvida, contribui para um panorama geral que posteriormente poderá ser útil ao desenvolvimento de trabalhos em parceria com inúmeras instituições”.
Na ocasião, Maurício Pardón falou sobre a concepção de saúde ambiental no âmbito da OPAS, afirmando que há muitos problemas não resolvidos nessa área: “Há algum tempo, as pessoas não reconheciam o saneamento como uma ação de saúde pública imprescindível à sobrevivência e ao bem-estar da humanidade”.
Para ele, hoje, esta consciência é clara e visível, entretanto “falta intensificar o trabalho de conscientização nesse sentido, particularmente no que diz respeito às políticas traçadas pelos governos, que ainda gastam cifras elevadas em saúde médico-assistencialista quando uma simples ação de sanamento poderia evitar inúmeras doenças e reduzir significativamente os gastos com assistência médico-hospitalar, na maioria das vezes, provenientes de deficiências nas áreas de habitação e de infra-estrutura de saneamento, principalmente em regiões periféricas, onde a ocupação populacional é vertiginosa e praticamente incontrolável”.
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