Falta de saneamento mata 20 crianças por dia no Brasil

Mais da metade dos brasileiros – quase 90 milhões – não dispõem de sistemas de coleta e tratamento de esgoto e 25% deles – 42 milhões – consomem água sem condições sanitárias adequadas, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse déficit histórico é tanto mais trágico porque é o responsável pela morte de 20 crianças brasileiras por dia. Se nos últimos 20 anos houve um avanço significativo no número de residências que passaram a usufruir de água de redes públicas, que ajudaram inclusive a reduzir os índices de mortalidade infantil, o mesmo não aconteceu com os sistemas de coleta e tratamento de esgoto.

Mesmo em Estados onde existe uma estrutura razoável de saneamento – como é o caso do Rio Grande do Sul – os números relativos à infra-estrutura de esgoto são decepcionantes. De uma população de 9,7 milhões apenas 15,54% contam com serviços estruturados de coleta e/ou tratamento de esgotos, segundo dados de uma pesquisa intitulada RS 100% Água, realizada pela Associação Gaúcha de Empresas de Obras de Saneamento (Ageos).

Para agravar mais ainda a situação o estudo mostrou que mais de 150 municípios do Estado não têm serviços de abastecimento de água que executem os controles necessários para garantir a qualidade do produto enviado às residências. Também na área rural, principalmente nas pequenas comunidades, esse controle é feito apenas esporadicamente e a precária infra-estrutura de canalizações e captações (poços artesianos ou fontes) torna o sistema vulnerável a contaminações. Isto faz com que a média da população gaúcha atendida com água de qualidade seja de 62,05% ou 6,2 milhões.

Mesmo contando com um sistema de saúde considerado como “o melhor do Brasil”, conforme disse à imprensa gaúcha na última semana o ministro da Saúde, José Serra, o Rio Grande do Sul tem 155 municípios com Coeficiente de Mortalidade Infantil maior do que a média estadual, que é de 18,5%o – 18,5 mortes para cada 1.000 crianças nascidas vivas.

Veja no arquivo abaixo uma tabela com os principais indicadores de alguns municípios do RGS.

Números que constrangem

Há casos de localidades como Barra do Guarita, na Região denominada Noroeste Colonial, – com CMI de 100%o – e Camargo, na região da Produção – CIM 90,91%o – que mostram estatísticas não condizentes com o desenvolvimento do Estado.

A pesquisa revelou também que em outros 172 municípios do Rio Grande do Sul – entre eles um grande número de comunidades recém-emancipadas, com infra-estrutura precária – os coeficientes são igual a zero. Este dado, segundo os especialistas em saúde pública, pode indicar precariedade ou falta de informações confiáveis.

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