Companhias de saneamento: a convivência do antigo e do moderno

Cobertura especial – Cecy Oliveira

Como está adoção de tecnologias limpas e alternativas de reuso e consumo racional nas companhias de saneamento cuja matriz vem da década de 60?

Segundo o presidente da Associação das Empresas de Saneamento Básico Estaduais, Vitor Bertini o papel dos técnicos é ter a responsabilidade de operar na fronteira entre a alta tecnologia e a alta responsabilidade social. Ou seja: ao mesmo tempo em que uma companhia tem um eficiente e qualificado sistema de tratamento de efluentes como o do Pólo Petroquímico de Triunfo (RS), operado pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) enfrenta dificuldades para equacionar os problemas representados pela adequada destinação de seus lodos oriundos dos sistemas de tratamento de tratamento de água e esgoto.

Em sua opinião hoje o setor de saneamento enfrente dois grandes desafios para vencer no que se refere à melhoria de gestão:

1) A escassez de recursos

2) Uma cultura incipiente quanto à importância da qualidade na gestão

No que se refere aos recursos Bertini lamentou a falta de prioridade que os sucessivos governos federais têm demonstrados em relação ao saneamento consubstanciado no permanente contingenciamento dos recursos destinados ao setor. “Prioridade sem recurso é só discurso”, afirmou.

Lembrou ainda que em 2004 as companhias de saneamento recolheram aos cofres públicos da União um valor equivalente a R$ 900 milhões somente no pagamento do PIS/Cofins. Em contrapartida, o montante destinado pelo Orçamento Geral da União, em recursos orçamentários foi de R$ 400 milhões. Por isso fez uma conclamação a um mutirão pela valorização do setor do ponto de vista político-institucional.

Na opinião do presidente da Aesbe a mudança de cultura no saneamento vem acontecendo de maneira mais lenta do que em outros setores, como as indústrias. “Quando o chão da fábrica mudou os empregados das indústrias tiveram que se adaptar, já no saneamento a transformação é mais gradativa pois o antigo e o moderno continuam convivendo e atendendo as peculiaridades dos pequenos e grandes municípios”. Ele destacou e elogiou iniciativas como a da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) ao criar o Programa de Qualidade no Saneamento que vem promovendo a capacitação gerencial tanto de grandes Unidades de Saneamento quanto de pequenas provando que mesmo sistemas mais simplificados podem obter excelência gerencial.

Sobre os debates em torno de uma lei para o saneamento lamentou que as posições divergentes em torno do modelo institucional estejam no foco de atenção. “A disputa tem que ser em torno da melhoria da qualidade de vida da população”, afirmou lembrando que é preciso um equilíbrio na busca de soluções de modo a que atendam às desigualdades sociais do país.

“O mesmo paradoxo que enfrentamos ao nos capacitarmos para atender um pólo de alta tecnologia, como o Sitel, onde já se pratica o reuso do efluente há muito tempo, e continuarmos sem solução adequada para os resíduos das ETAs e ETEs, nos desafia na busca de alternativas de abastecimento e coleta e disposição de esgotos para uma população que vai da extrema pobreza à riqueza” concluiu.

Processos de redução do consumo

Não são só as indústrias que estão preocupadas com o uso racional da água. Incorporadoras e construtoras já se perfilam entre os segmentos que buscam desenvolver estratégias para um melhor aproveitamento da água, seja em termos de equipamentos economizadores, seja através de processos prediais e de infra-estrutura para conservação de insumos (água, gás e energia).

Entre as empresas que vêem nessa nova postura um nicho de mercado está a TESIS, A engenheira de sistema prediais desta empresa paulista, Carla Araújo Sautchúk, disse que a proposta da empresa é propor a gestão integral desde a conta ao uso incluindo a demanda e a oferta buscando a sustentabilidade do projeto. Isto inclui a análise da viabilidade técnica, manuais e capacitação. Ela chama a atenção de que o processo tem que obedecer a um planejamento onde todas as variáveis sejam analisadas e que se torne uma rotina para os funcionários ou moradores, no caso de conjunto habitacionais.

“O importante é que a redução do consumo se incorpore no dia-a-dia do empreendimento, seja ela uma empresa, um condomínio ou uma habitação unifamiliar”, diz Carla. Ela lembra que diante da perspectiva de um apagão muita gente passou a economizar energia mas passada a fase crítica todos relaxaram e voltaram aos padrões de consumo anterior.

Alguns exemplos de medidas simples que podem ser tomadas já na elaboração do projeto de construção, são o uso de menos juntas – para evitar vazamentos- bacias de 6 litros e chuveiros com dispositivos economizadores.

Carla destaca como ponto básico um ambiente favorável no entorno que incentive as práticas de uso racional de insumos e especialmente a água. Ela sugere que os órgãos públicos também adotem esses padrões em seus projetos o que auxilia na mudança de cultura.

“O exemplo tem que vir dos órgãos governamentais que devem aplicar esses princípios em seus próprios projetos e naqueles que fiscaliza o que vai facilitar a aceitação pela indústria da construção civil.

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