Redução da Pobreza através das Companhias de Água?

Katrin Stocker

As operações de abastecimento de água estão sendo privatizadas ao redor de todo o mundo. O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) são os principais responsáveis por pressionar os países para que privatizem seus recursos. Entretanto, ao mesmo tempo a resistência está crescendo: Em Johannesburgo, na África do Sul, os sindicatos estão protestando porque em princípios de abril de 2001 a Suez-Lyonnaise e outros dois sócios assumiram a direção das operações de abastecimento de água para a cidade sul-africana de Johannesburgo. Suez-Lyonnaise é a maior empresa de água do mundo e abastece a mais de 110 milhões de pessoas.

Mas a privatização encontrou resistência em Johannesburgo: o Sindicato de Trabalhadores Municipais da África do Sul (SAMWU) teme que venham tarifas mais elevadas e corrupção. Defendendo a resistência do sindicato, a porta-voz do SAMWU, Anna Weekes, disse: “Suez-Lyonaise vem aumentando os preços da água em cada cidade onde obteve a concessão.” A advertência do SAMWU se baseia no estudo publicado recentemente sobre o abastecimento em Buenos Aires. Como o principal sócio da Águas Argentinas, a Suez-Lyonnaise vem sendo a responsável pelo abastecimento da capital argentina desde 1993.

“Buenos Aires é uma das concessões de água maiores do mundo e tem sido aclamada como uma historia de êxito internacionalmente. Mas o primeiro estudo realizado fora do Grupo do Banco Mundial demonstra exatamente o contrário”.

Alguns dos países mais pobres no mundo, incluindo Moçambique, Benin, Nigéria, Ruanda, Honduras e Iemen foram forçados a privatizar a operação do abastecimento de sua água sob pressão do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Ironicamente, a maioria dos países privatizam com a condição de receber os novos créditos para a Redução da Pobreza e Facilidades de Crescimento (PRGF) do Fundo Monetário Internacional.

Os pouco lucrativos setores rurais serão atendidos pelas comunidades locais. Até agora o setor urbano vinha subsidiando o setor rural, mas isto não deverá continuar depois da privatização. Igualmente aqui os ativistas estão protestando contra o movimento para a privatização, temendo um aumento nos preços e uma maior restrição para o acesso à água para aqueles que têm menos recursos para pagá-la.

“Cada vez mais, as famílias pobres serão forçadas a optar entre a água, os alimentos, a escolaridade ou a saúde”.

Pressão

“Em lugar de reduzir a pobreza, a privatização significa que as famílias pobres já não podem mais arcar com o pagamento da água potável”.

Também Ghana vai adotar a privatização sob pressão do Banco Mundial. As negociações estão em andamento com cinco companhias de água, mas elas somente estão interessadas em concessões lucrativas do setor urbano.

Autora

Katrin Stocker é articulista da Carta de Noticias, da Coalizão Suíça Campanha pela Água.

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