A riqueza das áreas úmidas

Santa Fé, Argentina – Proteger.- Este ano “a diversidade cultural e biológica das áreas úmidas” é o tema escolhido para o Dia Mundial das Áreas Úmidas (DMAU), criado pela Convenção de Ramsar, aprovada há 34 anos precisamente em 2 de fevereiro na cidade do mesmo nome às margens do mar Cáspio. A Convenção se ocupa da proteção e restauração destes ambientes em nível internacional, segundo explica Julieta Peteán, responsável pelo programa de áreas úmidas da Fundação PROTEGER.

“Este ano estamos dando destaque na relação que existe entre a diversidade cultural e a diversidade biológica, já que muitas das áreas úmidas devem sua existência e permanente vitalidade a práticas culturais, ou então se conservam por razões de necessidades culturais”, disse o secretario geral da Convenção de Ramsar, com sede na Suíça, Peter Bridgewater.

“A manutenção da diversidade biológica nas áreas úmidas está muitas vezes ligada às vidas e às crenças das pessoas. Mas o outro lado da moeda é que as pessoas podem usar mal as áreas úmidas e provocar perdas e danos na diversidade biológica, e ao mesmo tempo na diversidade cultural”, acrescenta Bridgewater.

Uma associação milenar

Segundo a Convenção de Ramsar “a diversidade cultural e biológica das áreas úmidas representa uma riqueza que nos sustenta física e psicologicamente. O patrimônio cultural das áreas úmidas é resultado da milenar associação destes com as pessoas, uma relação que acrescentou riqueza à sociedade humana e que deve seguir assim para as gerações futuras”.

“Sob o lema “Há riqueza na diversidade das áreas úmidas – não vamos perdê-las!, pretende-se chamar a atenção em todo o mundo a importância destes sistemas absolutamente insubstituíveis para a provisão de água doce, a mitigação de inundações e a pesca, entre outros inumeráveis benefícios”, explicou Jorge Cappato, coordenador nacional de Amigos da Terra, Argentina e ponto focal não governamental da Comissão de Comunicação, Educação e Conscientização Pública (CECoP) da Convenção de Ramsar.

“Existe uma indissociável dependência entre as características de uma área úmida e as particularidades sociais, culturais e tecnológicas das populações costeiras. As economias das comunidades que habitam próxima das zonas úmidas estão profundamente vinculadas ao uso de sus recursos. A conservação dos recursos ictiológicos é fundamental para a sustentabilidade da pesca artesanal e comercial tradicional”, exemplificou Cappato.

“Um exemplo da associação entre a gente e as áreas úmidas são as atividades tradicionais das comunidades ribeirinhas no corredor dos rios Paraguai e Paraná, que incluem pesca artesanal, artesanato de juncos, coleção de frutos, madeira, lenha e outros produtos. Em muitos casos as técnicas utilizadas são o resultado de centenas de anos de aprendizagem e transferência de conhecimentos. Um conhecimento que merece ser resgatado para integrá-la ao manejo sustentável das áreas úmidas e seus recursos”, enfatizou Peteán.

Mas as áreas úmidas estão impactadas pela pesca predatória, o avanço irracional da fronteira agrícola, as canalizações e a construção de grandes represas, entre outras grandes ameaças para a conservação destes sistemas. Para frear a devastação das áreas úmidas e para implementar alternativas sustentáveis é necessário um esforço coordenado dos governos, as instituições acadêmicas e de pesquisa, a iniciativa privada e as ONGs – agregou a especialista.

Sitios Ramsar no Cone Sul

Na planície aluvial dos rios Paraguai e Paraná na Argentina existem dois grandes Sitios Ramsar que se destacam por serem parte do corredor de áreas úmidas de água doce mais extenso do mundo. “Áreas úmidas Chaco” e “Jaaukanigás”, além de serem tesouros de biodiversidade, oferecem importantes serviços ecológicos ao depurar as águas e reter sedimentos e contaminantes.

Também desempenham um importante papel ao mitigar as inundações e secas. “Estes sitios protegem a rota migratória de peixes de grande valor alimentício e econômico.

As lagoas de contenção oferecem refúgio e comida para os primeros estágios. Deve-se destacar a importância das espécies como o sábalo (Prochilodus lineatus) que serve de alimento às larvas e filhotes dos demais carnívoros do sistema aquático, uma característica quase única nos rios do mundo”, disse Peteán.

Estes sítios oferecem também uma importante oferta de habitats para a alimentação, refúgio e nidificação de uma rica avifauna tanto residente como migratória, destacando-se os patos, gansos e garças. Muitas destas espécies e sua alta densidade populacional são excelentes indicadores do estado de conservação da área.

Áreas úmidas

Chaco é um exemplo único deste tipo de sistemas. A confluência dos rios Paraná e Paraguai, com todo seu leque de afluentes locais, conformam uma vasta rede hidrográfica e uma paisagem de panoramas singulares, destacando-se a altíssima biodiversidade.

Espécies próprias da Amazônia, do Pantanal de Mato Grosso, do Chaco Sul-americano e das grandes áreas úmidas associadas a ambos os rios que se conjugam nesta zona.

Fonte: Fundação Proteger – Amigos de la Tierra, Argentina: www.proteger.org.ar

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