Água e desastres naturais é o tema do DIAA

Com este lema, o Dia Interamericano da Água 2004 concentra seus esforços em alertar para a imperiosa necessidade de reduzir a vulnerabilidade dos serviços de água a fim de assegurar a disponibilidade e qualidade dos recursos hídricos em situações de desastres e emergências.

Em um território geográfico marcado pelo risco como é a América Latina e o Caribe, o Dia Interamericano da Água 2004 – comemorado no primeiro sábado do mês de outubro – também busca avaliar o impacto sócio-econômico e de saúde ocasionado pelos desastres e defender a adoção de ações intersetoriais que impulsionem uma apropriada gestão do risco nos sistemas de água e esgoto da Região.

Do ponto de vista sanitário, a água segura ligada a uma adequada disposição dos esgotos é essencial para o controle de numerosas enfermidades. Por isso a água para uso e consumo humano deve ser avaliada em função da quantidade disponível e da qualidade.

Em resposta à necessidade de melhorar a qualidade da água potável na América Latina e Caribe, foi elaborado o Plano Regional 1997-2006, cujas estratégias incluem elementos de curto, médio e longo prazo. Um dos quatro componentes centrais do Plano é “a educação, a mobilização social e a sustentabilidade”.

Como idéia central deste componente se encontra a necessidade de criar uma cultura da água que promova o uso eficiente da água, a proteção e a melhoria da qualidade da água, e a necessária capacitação dos grupos vulneráveis.

Quanto aos objetivos do Plano Regional, cabe destacar o que se refere a “informar e conscientizar a população sobre os riscos derivados do consumo de água não potável e a conveniência de aceitar o consumo de água clorada, e sobre a preservação das fontes de abastecimento”.

Entre as metas do componente de educação e mobilização do Plano destaca-se a incorporação da cultura da água nos planos setoriais e de educação, a criação de programas de divulgação sobre a qualidade da água e a realização de planos de educação e de capacitação para melhorar hábitos de higiene e de saneamento básico.

No Programa Conjunto de Monitoramento (PCM) do abastecimento de água e serviços de esgoto desenvolvido conjuntamente pela OMS e UNICEF desde 1990, se estabelecem como duas das causas principais de mortalidade e morbidade no mundo a ingestão de água não segura e a falta de meios apropriados para o tratamento disposição adequada do esgoto doméstico. Por este motivo, são definidas três soluções importantes: a construção de instalações apropriadas, o cuidado para o bom funcionamento e manutenção, e a promoção de seu uso correto.

Finalmente, na Reunião do Conselho Colaborador de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário, o informe do grupo especial sobre desenvolvimento de recursos humanos recomendou que a atenção se dirija às escolas e às crianças que não têm acesso a elas.

Efetivamente, como também destacou o (Centro Internacional de Água e Saneamento), as crianças são agentes de mudança. Se o trabalho for centralizado nas crianças em idade escolar e são oferecidas condições e conhecimento para melhorar seus hábitos atuais, haverá a possibilidade de que as futuras gerações estejam melhor preparadas para cuidar da saúde e do meio ambiente.

Quando as condições sanitárias das escolas são boas, se constituem em modelos tanto para os alunos, como para os professores e pais, com uma forte influência adicional para o resto da comunidade.

Essa ação direcionada para as crianças é importante, pricnicpalmnete pelas seguintes razões:

1.É aceito que 50% das doenças das crianças têm relação com as condições sanitárias e a higiene pessoal;

2.A idade escolar é a mais adequada para aprender hábitos higiênicos;

3. As crianças realizam diversas tarefas domésticas, o que pode torná-las agentes de mudança;

4. Há nas crianças um entusiasmo natural por aprender e ajudar.

O IRC considera que para obter bons resultados é preciso fomentar mudanças de hábitos, para as quais se devem considerar os seguintes fatores:

Fatores de predisposição: inclui os conhecimentos, a atitude e a aceitação;

Fatores de capacidade: inclui a disponibilidade de recursos (latrinas, acesso à água, capacidade dos estudantes para transformar os conhecimentos, atitudes e aceitação em condutas desejáveis);

Fatores de reforço: inclui aqueles que afetam a capacidade dos alunos para manter esses hábitos (apoio e cooperação dos pais, tutores e outros grupos).

Em síntese, a colocação destaca a importância de combinar a educação em higiene e saneamento com a disponibilidade e manutenção dos recursos físicos e com a ampla participação da comunidade e outras instâncias sociais.

Saneamento na Escola

Para um bom programa de saneamento e higiene escolar se propõe incluir os seguintes aspectos:

1. avaliação das necessidades;

2. objetivos, resultados e plano de ação;

3. melhoria das instalações sanitárias;

4. uso e manutenção adequadas das instalações;

5. educação em higiene aos alunos;

6. materiais de ensino com orientação prática para a escola e seu entorno;

7. articulação da educação com a melhoria das instalações;

8. incorporação dos alunos nos planos, implementação e manutenção;

9. capacitação do grupo técnico e dos professores;

10. monitoramento do programa e de seu impacto, com ênfase na auto-avaliação.

Em outro importante documento sobre educação e programas de água e saneamento, o IRC recomenda entre outros temas, a definição de prioridades para a ação, estabelecidas pelas pessoas diretamente envolvidas.

Outros aspectos-chave são o uso de incentivos nos processos educativos, a compreensão dos valores culturais e a promoção do tema por parte de pessoas respeitadas na comunidade ou grupo social.

Saneamento na escola II

Outro aspecto importante na concepção de programas educativos e na elaboração de materiais de apoio é o enfoque de gênero.

É importante destacar que, segunda a opinião de Brindan A. Doyle, do UNICEF, existe uma relação direta entre educação, água e saneamento e a situação das meninas.

A falta de água e esgoto é, em muitas ocasiões um obstáculo para que as meninas tenham um bom acesso à educação. Na medida em que há mais pobreza nas casas, as meninas são mais requeridas para as tarefas domésticas, a busca da água, o cuidado dos irmãos menores e a limpeza.

Finalmente, no mundo, das 130 milhões de crianças que em 1990 não tinham acesso ao ensino fundamental, 81 milhões eram meninas. Por tudo isto, os programas e materiais educativos relacionados com a água e o saneamento escolar devem considerar o enfoque de gênero como um elemento de particular interesse.

O êxito nos programas escolares relacionados com a água e o saneamento depende de diversos fatores que também devem ser considerados ao se elaborar materiais educativos.

Maria Sörensson indica em seu artigo “Teaching by example” que nas escolas, tanto os alunos como os professores têm um papel central na promoção da melhoria das condições de abastecimento de água e saneamento.

Nesse sentido, há três aspectos-chave de especial atenção:

 A atitude dos professores, para a qual é determinante obter uma boa motivação e promover uma atitude positiva no grupo de docentes.

 A realização de atividades criativas e a busca de soluções com a iniciativa dos professores e o trabalho em equipe com os recursos disponíveis.

 A perspectiva geral destes processos educativos como parte da educação integral dos alunos.

Igualmente, nesse livro se enfatizam algumas tendências ou abordagens referentes aos processos educativos em água e saneamento. Elas são:

1) A abordagem didática ou tradicional, onde se indica às pessoas o que devem fazer diante de determinadas situações. Basicamente é uma comunicação de tipo unidirecional com conteúdos pré-determinados.

2) A aproximação promocional, onde são identificados grupos objetivos, se estudam suas necessidades e recursos, se adaptam os conteúdos e métodos dos programas aos grupos, se realizam testes prévios para determinar a compreensão e aceitação das mensagens e se dá continuidade segundo os resultados do programa. Os objetivos e conteúdos dos programas são determinados pelos educadores ou líderes do processo.

3) A aproximação participativa, na qual se analisam os problemas e se buscam soluções com a participação dos interessados.

O educador deve criar as condições para que as pessoas solucionem seus próprios problemas. Os objetivos, conteúdos e método devem ser definidos com a participação dos envolvidos, através de diversas sessões, debates, autodiagnósticos, auto-avaliações, etc.

Os elementos citados formam um conjunto articulado, tanto conceitual como estratégico, que permite sustentar as ações educativas em água e saneamento e orientar os processos de participação da comunidade escolar.

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