Rio Tâmisa tem mais de 120 espécies de peixes

Rob Richley, London Press Service

Há mais ou menos 150 anos, o Rio Tamisa, em Londres, extremamente poluído, emanava um cheiro tão ruim que foi preciso fechar o Parlamento, e há menos de 50 anos, os cientistas declararam o Tâmisa como biologicamente morto. Mas o rio mais famoso do Reino Unido é agora um dos mais limpos do mundo e como resultado, a vida selvagem está prosperando.

Graças aos avanços no tratamento de esgoto, o rio agora abriga 121 espécies de peixes e o poderoso salmão está novamente retornando às suas águas para desovar. Os especialistas em piscicultura acreditaram ter encontrado a 122o espécie nessa primavera, quando foram chamados para identificar um peixe pouco comum encontrado no deque de uma barcaça de oxigenação, a Thames Bubbler, que uma gaivota que passava por ali deixou cair.

O peixe era uma piranha de barriga vermelha, uma espécie nativa da Amazônia, na América do Sul. Os especialistas acreditam que o peixe foi solto no rio Tâmisa por alguém que não sabia que o animal não sobreviveria às baixas temperaturas do rio.

O solha, savelha e perca são algumas das espécies que voltaram ao Tâmisa de marés, que é também o local de desova de duas raridades: a savelha, um tipo de arenque migratório, e a lampreia do mar. Os corvos marinhos e garças podem ser vistos agora no canal da maré. Ambas as aves se alimentam de pequenos peixes e são um sinal de águas limpas.

As espécies que são agora encontradas no estuário do rio incluem o robalo e linguado, que são especialmente sensíveis à poluição. Grande parte dos peixes pescados no Mar do Norte, como o solha e a perca, desovam no estuário, que é também um importante berçário para os peixes jovens.

Esse ano marca o 30o aniversário do retorno do salmão ao Tâmisa após um período de ausência de 150 anos. Por ano, mais de 100 salmões retornam e nadam rio acima para desovar, com a ajuda de escadas de salmão construídas para ajudá-los a subir as barreiras.

O setor de pesca de enguias também se recuperou nos últimos anos e muitas pessoas estão tirando seu sustento vendendo peixes e frutos do mar do Tâmisa. Há uma peixaria de enguias embaixo da Tower Bridge e uma de linguado embaixo da Mucking.

Ruivos, cachos, percas e bremas podem ser encontrados ao longo de toda a extensão do Tâmisa fluvial acima de Teddington e a truta marrom é abundante no braço superior do rio.

Assim como os peixes, o rio abriga também 400 espécies de invertebrados em suas águas e praias. Mais de 200.000 aves silvestres e pernaltas passam o inverno no estuário inferior e até mesmo as focas, botos e golfinhos estão voltando.

“A recuperação do Tâmisa tem sido constante há quatro décadas como resultado de um melhor tratamento de esgoto”, afirma Steve Colclough, um técnico de piscicultura da Agência Ambiental. “Ele agora não só abriga uma grande variedade de peixes mas também tem um ecossistema completo saudável e diverso”.

O longo declínio do rio começou no século XIX quando a população do sudeste da Inglaterra cresceu rapidamente e fábricas surgiram margeando o rio, principalmente em Londres. A introdução de vasos sanitários com descargas nos tempos Vitorianos levou o esgoto bruto direto para a água devastando a vida selvagem. O esgoto retira o oxigênio da água e sufoca os peixes.

Até mesmo a construção de redes de esgoto não conseguiu resolver o problema: os sistemas Vitorianos combinaram a água imunda das casas e as água pluviais dos ralos e águas de tempestade e as obras de tratamento não foram suficientes e o esgoto fluiu para o Tâmisa.

“Nós investimos mais de ₤ 1 bilhão no aprimoramento das redes de tratamento de esgoto desde 1989, ajudando a melhorar a qualidade das águas residuais que são devolvidas ao Tâmisa,” disse Christopher Shipway, da Thames Water que abastece mais de 12 milhões de clientes em Londres e no vale do rio.

Recentemente, a companhia de águas gastou ₤ 80 milhões em novas obras, de tecnologia de ponta, para servir a crescente população de Reading. No ano passado concluiu um projeto de melhoria de ₤ 14 milhões em uma de suas maiores obras de esgotos, próxima ao Tamisa, em Rainham, Essex.

“Estamos orgulhosos de nosso trabalho para ajudar o Tâmisa a se tornar o rio metropolitano mais limpo do mundo e abrir o caminho para o retorno da mais diversa vida selvagem, incluindo-se as lontras, que precisam de um ambiente saudável e um grande suprimento de peixes”, completa Shipway.

“Uma vez retirada a carga de poluentes dos estuários, eles se limpam rapidamente” completa Steve Colclough. “No início da década de 70, já começamos a encontrar peixes e o número de espécies havia chegado a 100 na década de 80. Mas não podemos ser complacentes e não podemos nunca baixar a guarda: apenas um único grande acidente de poluição pode nos fazer voltar no tempo”.

Para ajudar a manter o rio limpo, a Agência Ambiental opera 20 estações automáticas de monitoramento ao longo do Tâmisa em Londres. Essas estações medem as condições químicas e físicas 24 horas por dia e possibilitam que a agência tome medidas imediatas aos problemas. Se for observado que um trecho do rio tem baixa taxa de oxigênio dissolvido, a agência emite um alerta para a Thames Water que envia seus “produtores de bolhas”: barcaças especiais que podem bombear até 30 toneladas de oxigênio por dia na água para impedir o sufocamento dos peixes.

Todas as pessoas envolvidas no processo de restauração da saúde do Tâmisa concordam que ainda há muito a que ser feito. No início do século XIX, os aprendizes trabalhando nas fábricas ribeirinhas reclamavam que estavam enjoados de comer salmão todo dia no almoço!

Contato: Environment Agency – www.environment-agency.gov.uk

Esponja antimalária

Agência FAPESP

A ciência identificou até hoje cerca de 145 mil substâncias naturais em todo o mundo. Dentro desse universo, 10% foram obtidas a partir da pesquisa de organismos marinhos. Um estudo publicado no The Journal of Organic Chemistry, acaba de reforçar a importância medicinal desses seres que vivem nos mares e oceanos.

A pesquisa, feita por cientistas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento e do Centro Nacional de Pesquisa Científica, ambos da França, e da Universidade de Trento, da Itália, mostra que as esponjas da espécie Oceanapia fistulosa podem se tornar importantes aliadas no combate à malária. O estudo conseguiu classificar nas esponjas 25 componentes, 17 dos quais novas variantes.

A substância identificada e testada em laboratório contra o P. falciparum, causador da malária, é da família dos alcalóides. Os pesquisadores não tinham conhecimento de que esse composto químico também poderia ser encontrado na O. fistulosa. Em pesquisas anteriores, os mesmos componentes, com um forte poder antibacteriano, foram identificados em outro gênero de esponjas, o Phloeodictyon.

Uma das diferenças biológicas importantes entre as duas espécies é que a O. fistulosa vive em ambientes coralinos na Nova Caledônia, no Oceano Pacífico. Ela pode ser encontrada em profundidades mais rasas, e com mais facilidade, que o outro gênero, típico de profundezas maiores.

O próximo passo do grupo de pesquisa europeu, que já tem um acordo para o desenvolvimento de novas drogas com a indústria Pierre Fabre, é testar os compostos e a capacidade antimalária deles, in vivo.

Cobrança pelo uso

O Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovou na última sexta-feira (02/07) resolução determinando as prioridades de investimento dos recursos obtidos com a cobrança pelo uso da água para 2005. As prioridades definidas são o fomento à criação de comitês e agências de bacias hidrográficas em rios de domínio da União, elaboração de planos de bacias e cadastro nacional de usuários, fomento à conservação e recuperação de bacias hidrográficas e em programas de educação ambiental.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que, de acordo com a Lei 9.433/97, os recursos obtidos devem ser reinvestidos totalmente na mesma bacia hidrográfica. “O que estamos fazendo é determinar as prioridades para garantir o melhor uso possível dos recursos”, disse. Marina Silva afirmou que “as ações de saneamento básico têm que ser um esforço conjunto dos governos estaduais, municipais e federal”.

Segundo a ministra, o Comitê de Bacia do Rio Paraíba do Sul já instituiu a cobrança pelo uso da água e o Comitê de Bacia do Rio Piracicaba está em fase adiantada de implantação do sistema. Atualmente, a maior parte dos recursos obtidos pelo uso da água é proveniente da compensação para geração de energia elétrica, paga pelas concessionárias do setor. A arrecadação estimada para 2004 é de R$ 100 milhões.

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