Comusa vê vantagens na terceirização

Desde 3 de dezembro de 1998, portanto há cinco anos e meio, a Companhia Municipal de Abastecimento (Comusa), que opera os sistemas de abastecimento de água e coleta de esgotos da cidade de Novo Hamburgo (RS), adotou um modelo de gestão de todos os processos, que utiliza empresas terceirizadas com larga experiência no saneamento. Isto, segundo seu presidente, Sílvio Klein, “deu condições de atingir patamares elevados de inovação em todo o seu parque utilizando a experiência dos técnicos destas empresas”.

Ele informa que segundo essa formulação, também não é necessário ter máquinas e equipamentos para serviços de manutenção. “Com este modelo, evitamos ter estruturas pesadas e morosas, com funcionários em excesso, problemas trabalhistas, dificuldades operacionais com contratações de manutenção de equipamentos”.

Como exemplos de algumas conquistas obtidas com este modelo, ele cita as inovações no sistema de tratamento, utilizando um clarificante (floculante) orgânico no lugar do sulfato de alumínio, deixando de introduzir o metal alumínio como resíduo, e também o dióxido de cloro, no lugar do cloro, trazendo qualidades como ausência de sabor, de cheiro e de cor, além de evitar a formação dos organoclorados.

Klein afirma, no entanto, que no seu modelo de gestão, a Comusa não abre mão de controlar todos os processos, de definir as metas, de deter o conhecimento e as informações de todo o sistema, de ter o contato com os usuários, entre outros processos. Por isso, esclarece, não há na licitação citada na edição 117 da Aguaonline, nenhuma mudança de postura sendo a permanência da proposta que persiste desde o início de atuação da Comusa.

Na ótica do dirigente da Comusa as mudanças que aconteceram desde que a prefeitura de Novo Hamburgo retomou a concessão mostram que a administração municipal colocou o saneamento entre as prioridades: “A população nos últimos dois anos, através de pesquisas feitas, indicou níveis de satisfação em relação ao abastecimento público em torno de 80%. Nós revertemos o quadro fazendo com que o mesmo passasse a ser contínuo (antes era descontínuo), aumentamos a reservação em 51%, e a cobertura de atendimento em cerca de 6%. Segundo ele o município passou a ser exportador de água tratada para municípios atendidos pela Corsan (Portão e Estância Velha), quando antes importava água de Campo Bom. Ele revela, ainda que a empresa está com o Plano Diretor de esgotamento sanitário pronto.

Demanda judicial

Com o objetivo de oferecer a sua versão sobre a retomada da concessão Sílvio Klein afirma que “existe um grande número de ações na Justiça, entre o Município de Novo Hamburgo e a Corsan, todos elas relacionadas com a retomada da Concessão. “Esclarecemos que todas estas ações ainda estão tramitando de alguma forma, sendo algumas em grau de recurso. Portanto, a nosso ver, apenas ocorrerá definição sobre o assunto quando das sentenças. De qualquer forma, registramos que nos investimentos feitos anteriormente pela Corsan, e que a mesma tenta cobrar do Município de Novo Hamburgo, estão incluídos investimentos em outros municípios da região, o que é um verdadeiro absurdo, conforme já comprovado em Laudo Pericial”.

O presidente da Comusa diz ainda que “ao longo de 29 anos de atuação, como concessionária em Novo Hamburgo, a Corsan, muito levou de nossa cidade para outros municípios, e ainda quer cobrar o que deixou! Isto não parece um paradoxo? Aliás, na própria sentença do juiz sobre a retomada dos serviços de Concessão da Corsan, colhemos o seguinte texto: “Deixaria de ingressar, mensalmente, em torno de Cr$ 626 milhões, tendo por base o mês de maio/92, equivalente a US$ 217.620,21 e a 53% da arrecadação. Em outras palavras, os custos locais consomem 47% da arrecadação. O resto vai para a caixa geral da ré.”.

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