A palavra é mobilização

Quando se observa um auditório com mais de 600 pessoas identificadas em torno de um tema como a gestão dos recursos hídricos, como aconteceu durante dois dias, em Porto Alegre, a pergunta que não quer calar é por que um assunto tão importante e essencial não ganha a adesão mais ampla da mídia e da população em torno de suas propostas?

Levando-se em conta que a água é um fator onipresente em nossas vidas por que parece haver tão pouca preocupação dos políticos – poucos deles se dignaram a espiar o auditório lotado da Assembléia Legislativa para ver o que estava mobilizando tanta gente – , dos comunicadores, das autoridades ( a maioria mandou representantes) com esse assunto?

Nesse momento talvez seja hora de reflexão quanto à forma que está sendo usada pelos Comitês de Bacias para se comunicarem com a população e os diversos segmentos.

No livro Comunicação e Mobilização Social, editado pela Universida de Brasília e coordenado por Tânia Siqueira Montoro o mobilizador social Bernardo Toro cita o exemplo histórico da mobilização na França ocupada: “a resitência francesa nào foi uma resistência militar, senão uma resistência dos senhores que trabalhavam, das donas de casas, dos jovens, de pessoas comuns. Foi uma resistência da cidadania. Mas De Gaulle teve a habilidade de colocar um imaginário do que significava uma França sem ocupação”.

E mais adiante afirma: “todas as pessoas estão dispostas a participar de uma mudança desde consigam entender como podem participar dessa mudança em seus locais de trabalho, em seu dia-a-dia. A mobilização não significa levar multidões às ruas. A mobilização existe quando todo um conjunto de reeditores , em seu trabalho cotidiano, está tomando decisões, desenvolvendo discursos e atuando em função de um imaginário. Nesse momento há mobilização.

Se recado se pode dar é este: gente da águas multipliquem os reeditores, levem a mensagem da gestão a todos os segmentos, atendam a todas as solicitações de palestras, capacitem mais e mais reprodutores de suas mensagens. Mas é preciso que as mensagens se identifiquem com o dia-a-dia da população. Este é o caminho mais curto para alcançar uma efetiva implantação da gestão das águas.

Boa leitura!

Cecy Oliveira

A Vez dos Leitores

Informações I

Estamos necessitando de mais informações sobre a água pois há grande demanda da comunidade que quer entender melhor fenômenos como estiagens e secas. Continuem com esse bom trabalho de vocês.

Laura Moura – professora – Pará

Informações II

Vocês têm algo sobre a relação do índio com a água? Algum texto ou indicação de site… Preciso trabalhar algo assim com meus alunos. Andrea

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