
O projeto Rio Vida Reflorescer, da Citágua, inicia um trabalho de recuperação de nascentes na cidade Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. O primeiro olho-d` água a ser preservado está localizado no Sítio K-T-Espero, no bairro Campo do Leopoldina.
Já foram plantadas as primeiras mudas no entorno da nascente, o que marca o início da recuperação da área. Este trabalho está sendo realizado em parceria com a Escola Ipê, a comunidade local, a Pastoral Ecológica e a Secretaria Municipal de agricultura. Entre as ações previstas pelo Rio Vida Reflorescer ainda estão a recuperação de outras nove nascentes e de 30 hectares de mata.
Segundo a engenheira química da Citágua, Mônica Maria Perim de Almeida, a preservação do meio ambiente, além de ser uma forma de manter os recursos naturais, dos quais a empresa necessita para realizar suas atividades, é também uma forma de contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população.
Ela lembra que a água é um recurso natural cada dia mais escasso e que, mesmo onde há poucos desmatamentos, as agressões aos corpos d`água não terminaram. “A abertura de estradas e o uso de agrotóxicos são ações que também representam risco para as nascentes e para os depósitos de água subterrâneos”, afirma.
Mônica explica que a nascente do bairro Campo do Leopoldina foi cercada para que sua vegetação possa ser recuperada naturalmente. “Impedindo que o gado tenha acesso a nascentes, evitamos que o solo seja compactado ou contaminado”, explica. Segundo ela, as árvores não serão plantadas próximas a nascente, para que não interfiram no fluxo de água que vem do subsolo. As mudas serão colocadas no entorno da nascente.
Outras ções que vêm sendo realizadas como parte do projeto Rio Vida Reflorescer, como a formação da cortina verde que cerca a Estação de Tratamento de Esgoto, no bairro Coronel Borges.
Ainda não há prazo definido para que se conclua a recuperação de dez nascentes, número previsto pelo Rio Vida Reflorescer. Mas, a engenheira acredita que este trabalho poderá ser realizado até o final deste ano. Segundo ela, proprietários que possuam nascentes localizadas próximo de Cachoeiro, podem procurar a empresa caso desejem participar do projeto.
De acordo com o coordenador técnico da Pastoral Ecológica, Cassiano Louzada, a área preservada é de 1.000 m² (aproximadamente o tamanho de um campo de futebol) e, além da nascente, inclui uma encosta próxima a ela. Ele explica que a Pastoral deu apoio à Citágua, participando da elaboração do projeto de preservação e da mobilização da comunidade.
Cassiano é engenheiro florestal e escolheu apenas plantas nativas para a recuperação da área. “A conservação da encosta garante que a nascente não sofra as conseqüências da erosão e ainda contribui para que água das chuvas penetre no solo e atinja o lençol subterrâneo, garantindo que o reservatório que mantém a nascente seja reabastecido”, cita.
Apoio
O apoio de outras entidades foi fundamental para a escolha da nascente K-T-espero como a primeira a ser recuperada. Segundo Mônica, a empresa foi procurada pela escola IPE que já realizava trabalhos educativos no local da nascente. “Além disso, tivemos uma excelente receptividade do proprietário do terreno e dos moradores do bairro”, cita Mônica.
A professora de geografia do IPE, Magali Mota Mendonça, explica que foi criado entre os alunos um grupo de agentes ecológicos, que participam das decisões e das ações referentes à recuperação da nascente. Segundo ela, os estudantes, junto com a comunidade, serão responsáveis pelos cuidados com as mudas.
Ela explica que os alunos passaram por um curso com agentes da Pastoral Ecológica antes de integrar a equipe. “O interesse foi muito grande, então, procuramos selecionar os mais responsáveis e participativos”, afirma.
O proprietário do terreno em que está localizada a nascente, Jair Fraga Sobrinho, afirma que ficou muito satisfeito com a idéia e resume bem o que o motivou a participar: “Se todas as pessoas que tem uma nascente em seu terreno cedessem uma área para preservá-la, com certeza a oferta natural de água rapidamente aumentaria”, sugere.
Além de ser um patrimônio ambiental, segundo a moradora Ludmilla Ovídio Alves, a nascente também tem forte relação com a história do bairro. “Até que o fornecimento de água se tornasse regular, os moradores recorriam a esta nascente para abastecer as casas”, conta.
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