Tese acadêmica adverte para contaminação de aqüíferos

Kárin Fusaro – Agência FAPESP

Grandes extensões subterrâneas, os aqüíferos são formações de rochas vulcânicas cobertas por inúmeras fissuras nas quais existe água. Em situações de escassez, podem virar, literalmente, a salvação da lavoura. O problema é que eles correm o risco de contaminação justamente pela atividade agrícola.

A situação foi descrita na recente dissertação de mestrado Hidrogeoquímica e vulnerabilidade dos aqüíferos Serra Geral e Guarani, defendida por Cícero Augusto de Souza Almeida no Departamento de Geografia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

De acordo com a pesquisa, o volume de águas das fontes hídricas Serra Geral e Guarani teria começado a aumentar após a construção dos reservatórios das usinas hidrelétricas de Itá e Machadinho. Por sua vez, a ligação entre as reservas de água teria feito com que os aqüíferos se tornassem vulneráveis às infiltrações de agrotóxicos e dejetos animais presentes na barragem.

A verificação da contaminação foi obtida a partir de amostras retiradas de poços profundos próximos aos aqüíferos, onde se constatou a presença de fosfatos e nitratos, relacionados à suinocultura e ao uso de adubos nas lavouras.

“A contaminação ainda não atingiu um nível que impeça o consumo, mas funciona como sinal de alerta”, disse o professor da UFSC Luiz Fernando Scheibe, orientador do trabalho, à Agência FAPESP.

O aqüífero Serra Geral tem 1,2 milhão de quilômetros quadrados e passa pelos três Estados do Sul do país até chegar ao oeste de São Paulo. Com 1,8 milhão de quilômetros quadrados de área, o Guarani é um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, cobrindo 39% do território do Mercosul.

Apesar de situados em profundidades diferentes no subsolo, os aqüíferos têm fraturas comuns, aumentando o risco de que substâncias nocivas ao homem e ao meio ambiente passem de um lado para o outro. Segundo Scheibe, algumas cidades do interior paulista são totalmente abastecidas com as águas do Serra Geral. O Aqüífero Guarani é utilizado por grandes indústrias e áreas termais com finalidades turísticas.

Ano da Água no RGS

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) (RS) enviou proposição ao governador Germano Rigotto para que 2004 seja declarado como o Ano Estadual das Águas, em alusão aos dez anos da Lei Gaúcha das Águas, que se completam em 30 de dezembro próximo. O secretário José Alberto Wenzel salienta que a proposta acata a decisão dos conselhos estaduais dos Recursos Hídricos (CRH) e do Meio Ambiente (Consema) de marcar o pioneirismo do Rio Grande do Sul na gestão do uso das águas no Brasil.

O Ano Estadual das Águas deve envolver a realização de atividades educacionais, culturais e sociais para o debate sobre o aproveitamento doa recursos hídricos. Órgãos públicos e privados, representando toda a população gaúcha, serão reunidos para pensar o futuro do uso das águas. “Queremos que os governos municipais, do Estado e da União, junto com as entidades de classe, universidades e outras organizações possam contribuir para o aprofundamento das políticas de gestão hídrica, para que o Sistema Estadual de Recursos Hídricos funcione de modo permanente”, assinala Wenzel.

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