Passivo ambiental pode comprometer empreendimentos imobiliários

A contaminação do solo e do lençol freático do bairro Mansões de Santo Antônio, em Campinas (SP), é mais séria do que se imaginava inicialmente. No solo, os produtos lançados pela indústria de solventes, que funcionou no local por 20 anos, atingiram 15 metros de profundidade em uma área de 800 metros quadrados.

Desde que foi informada da contaminação, em maio de 2003, a prefeitura e a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) determinaram medidas para evitar danos aos moradores: 847 vivem em chácaras e 112, no condomínio erguido no terreno onde funcionou a empresa. Os 19 poços artesianos das chácaras foram interditados.

No relatório apresentado à Cetesb, a empresa propôs alternativas de remediação, como remoção do solo, tratamento da terra no local e construção de barreira para isolar a área. Porém, a Cetesb aplicou multa de R$ 30 mil à empresa. Já os moradores da região estão sendo cadastrados para a realização de exames, pois a contaminação pode causar diversas doenças, entre elas, o câncer.

Conforme informa a advogada Renata Franco, especialista em Direito Ambiental, do escritório Emerenciano, Baggio e Associados – Advogados, durante a década de 1980, alguns imóveis destinados a atividades industriais foram convertidos para usos residenciais, tendência esta, que desde então tem se acelerado. “O processo de transformação urbana tende a se acentuar devido à promulgação de uma Lei Estadual, que possibilita a ocupação das zonas de uso predominantemente industrial por outros usos, até então vetados, como uso residencial ou comercial”, explica.

De acordo com ela, em imóveis ou áreas que já tenham sido ocupados por atividades industriais, existe a possibilidade da presença de contaminantes no solo, ou mesmo em suas instalações prediais remanescentes. “Além disso, a existência deste tipo de contaminação pode ser fonte de poluição do ar, das águas superficiais e subterrâneas, e ainda, representar riscos para a saúde pública e para o meio ambiente. Problemas como esses podem dificultar ou mesmo impedir a comercialização dessas áreas e sua reutilização para fins residenciais. Ocorre que, muitas vezes, a existência de contaminação do imóvel é desconhecida dos empreendedores imobiliários”, diz.

Sendo assim, acredita Renata, o setor imobiliário deve atentar-se para a questão e passar a adotar medidas de precaução e procedimentos de análise antes da realização de qualquer transação imobiliária, ou mesmo, antes do início da implantação do empreendimento. “Neste sentido, o mercado, ultimamente, vem impondo a necessidade de que o setor imobiliário adeqüe-se às necessidades e exigências da sociedade, com a adoção de certificado de regularidade em empreendimento imobiliário, que ateste ao público consumidor e à população que o imóvel está isento de passivos ambientais e que a obra está em conformidade com as normas técnicas de materiais e componentes”, comenta.

Para ela, devem ser obrigatórias ao setor imobiliário a realização da análise da evolução da estrutura urbana, localização e transformação dos usos do solo, “com o objetivo de melhorar o padrão das moradias e do ambiente urbano, e, conseqüentemente, agregar valor ao empreendimento”, finaliza.

Composto reaproveita resíduo da madeira

Uma inovadora alternativa para o “look” madeira está sendo lançada pelo Grupo Artecola, de Campo Bom (RS). Trata-se de um versátil composto para injeção, feito com plástico e pó de madeira, que combina as melhores características dos dois materiais e contribui para reduzir o impacto ambiental de diversos setores industriais. Batizado como “Plastwood” abre promissoras oportunidades de desenvolvimento de produtos para todos os setores que utilizam madeira em seus produtos, como o moveleiro, a construção civil, o calçadista e a indústria de brinquedos, entre outros.

Segundo o diretor-superintendente do Grupo Artecola, Eduardo Kunst, a versatilidade do Plastwood é complementada por virtudes como resistência às intempéries, estabilidade dimensional, baixa densidade (que lhe confere leveza) e baixo custo, que o transformam em importante alternativa de competitividade para diversos setores industriais.

Transformadores ecológicos

Os transformadores a seco, produzidos pela divisão Power da Siemens, vão alimentar os geradores, o sistema de infra-estrutura (iluminação, ar-condicionado, escritórios) e o sistema auxiliar de tensão da usina Bandeirantes, localizada na zona norte de São Paulo. Com capacidade de produção de 170 mil megawatts por hora, é o primeiro projeto brasileiro a aproveitar os resíduos depositados pela comunidade no aterro para gerar energia elétrica.

Para este projeto, a Siemens foi selecionada para fornecer transformadores Geafol, equipamentos que utilizam a tecnologia a seco desenvolvida pela companhia. “Nosso transformador é considerado, pelo mercado, o mais correto, sob ponto vista ecológico, por não utilizar óleo para o resfriamento”, explica Rodolfo Walter Spudat, gerente de vendas da divisão.

O material isolante do Geafol é uma mistura de resinas com pó de quartzo (não poluente). A técnica de fabricação garante durabilidade, pois também é resistente à umidade e à corrosão. Para alimentar os geradores de energia, a infra-estrutura e o sistema de tensão auxiliar da usina foram fornecidos, respectivamente, 24 transformadores de 1250 kVA, 2 de 500 kVA e 1 de 750 kVA.

O gás metano produzido pela decomposição de cerca de 7 mil toneladas de lixo, despejadas todos os dias no local, vai deixar de poluir o ambiente para abastecer a demanda de cerca de 200 mil pessoas por eletricidade. O projeto uniu iniciativa pública e privada, sob a coordenação da Secretária do Verde e Meio Ambiente.

Reciclável

Uma importante vantagem adicional é que permite o reaproveitamento de restos de madeira e a substitui em inúmeras aplicações, diminuindo a pressão sobre este recurso natural. Além disto, é 100% reciclável. Como fornecedor de insumos químicos e componentes para indústrias que disputam o mercado internacional, como o moveleiro e o calçadista, Kunst explica que o Grupo Artecola tem especial preocupação em contribuir para a redução do impacto ambiental de suas atividades, já que este requisito tem crescente importância no mercado global.

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