Impactos ambientais causados por poluição urbana

O presente artigo foi elaborado na disciplina de Conservação de Recursos Hídricos, Uso do Solo e Meio Ambiente do Curso de Pós-Graduação – Gestores Regionais de Recursos Hídricos – UFPEL/UFRGS, com o título Poluição do Canal do Pepino/Pelotas pode levar a impactos ambientais no Canal São Gonçalo.

Sandra Barbosa, Pereira-Ramirez, O . Castro, N.

O Canal do Pepino é um receptor de águas superficiais de várias zonas urbanas da cidade de Pelotas (RS), e serve também como canal de despejo de detritos urbanos e de esgotamento residencial com tratamento de fossas sépticas ou não.Tem início na zona norte, atravessa a cidade e deságua no canal do São Gonçalo. Estando localizado numa região mais baixa do município e estando a cidade crescendo em nível populacional, observa-se que a estrutura foi dimensionada para uma carga que hoje supera em muito a sua capacidade de suporte.

Construções desordenadas e sem um planejamento previamente estabelecido acarretam sérios problemas ao município, pondo em risco a qualidade de vida dos moradores locais, como também dos moradores de áreas vizinhas que acabam sendo perturbadas com a poluição gerada por este tipo de assentamento.

Uma das maiores causas de poluição hídrica é o despejo de efluentes domésticos não tratados provenientes da falta de saneamento nos bairros ou de planejamento urbano nas periferias, conseqüência disto são corpos d`água poluídos, inadequados para manutenção da biodiversidade aquática.

O Canal do Pepino, nos limites entre a Av. Ferreira Viana e o canal São Gonçalo, acompanhando extensão paralelamente a Av. J. K de Oliveira e pelo bairro Navegantes, recebe uma carga orgânica ainda não calculada, proveniente das residências e comércio local, mas potencialmente poluidora. Neste trecho existe percurso com pavimentação, calçadas com arborização e também ocorre percurso sem pavimentação, com urbanização ciliar (arborização paralelo ao curso d`água), e em todo transcurso foi registrada vegetação característica indicadora de qualidade de água (Eichornia sp).

Foi constatada, no local, a presença de animais roedores, quelônios e uma diversidade de espécies de insetos também indicadores de níveis de poluição. Neste sentido a bibliografia em geral registra que as ocupações humanas trazem consigo um grande número de atividades impactantes, que de forma negativa degradam o meio ambiente, por vezes até de maneira irreversível.

Como principais poluidores ao longo da região de estudo registraram-se pela ordem: escoamento superficial, condomínios, esgoto doméstico, esgoto industrial, dejetos domésticos; resíduos de construção e poda de árvores, animais mortos e utensílios domésticos.

É preciso salientar que o Canal do Pepino tem uma extensão que corta vários bairros recebendo descarga líquida de muitas zonas urbanas, portanto os poluidores a montante embora sejam contribuintes importantes já recebem as águas poluídas.Isto só vem agravar a qualidade da água que chega ao Canal são Gonçalo que recebe uma carga poluída em consideráveis níveis.

O canal também recebe, a jusante da casa de bombas, todo o esgoto municipal que não chega até a ETE, e contribuição de parcela do efluente tratado, e tudo no final chega ao São Gonçalo.

Os dados levantados nos fazem concluir que são altos os índices de poluição do Canal do Pepino, seja simplesmente poluição visual, química ou física. Os índices levantados causam dano ambiental, já que ocorrem contaminações da água, da fauna e flora encontrada no Canal do Pepino, ainda causam dano econômico, já que a limpeza do canal tem de ser feita antes e simultaneamente às precipitações, para evitar alagamentos, ou danos às bombas de força na limpeza do curso d`água.

Pode-se prever que ocorrerão impactos no Canal São Gonçalo, decorrentes da lixiviação (escoamento de líquidos pelo interior do solo) e despejo de resíduos, ou esgotos clandestinamente desviados.

Como forma de controle ou monitoramento da área, é necessário que os bairros adjacentes recebam tratamento de efluentes em parcelas ou na sua totalidade, que se promova um programa de educação ambiental comunitário com relação ao despejo de lixo nos cursos d`água, além de ser consenso da necessidade de uma fiscalização mais efetiva e constante, para que ocorra uma reversão nos níveis de poluição deste corpo hídrico.

O município tem um custo muito grande em tratar doenças ocasionais, de veiculação hídrica ou de contato com poluentes. Se ao invés de custear as doenças fossem tomadas medidas profiláticas no controle de fontes poluidoras, semelhante ao processo exigido em empresas, tornar-se ia uma comunidade com melhor qualidade de vida, e o meio ambiente agradeceria.

Impactos negativos

Como conseqüência das atividades desenvolvidas e dos usos dados ao canal os impactos ambientais negativos observados são:

extinção da fauna e flora características;

formação de odor pela ação de gases que se formam em presença da matéria orgânica excessiva;

presença de vetores de doenças;

contaminação das águas por coliformes fecais e totais;

contaminação das águas do Canal São Gonçalo e com conseqüência na

perda da flora e fauna local,

assoreamento do curso da água,

conseqüentemente em períodos de precipitações fortes ocorre extravasamento da água para as ruas – inundações, alagamentos, encharcamento do banhado paralelo ao Canal do Pepino (Av. Bento Gonçalves) por assoreamento de entulhos e criação de um perfil estético inadequado para área central.

Mal das cidades brasileiras

A situação do Canal do Pepino em Pelotas não é diferente de muitas cidades brasileiras onde os cursos d`água não são percebidos como possíveis problemas até o momento em que o clima se manifesta inesperadamente com chuvas intensas. Então é possível assistir a imprensa noticiar situações como em São Paulo, Minas Gerais e outros Estados. Pelotas tem sido privilegiada pela condição geográfica em que se encontra, porém não é possível permitir que se descuide da condição ambiental do canal do Pepino.

Se os custos de limpeza fossem repassados para os poluidores então talvez parte do problema estivesse resolvido, pois é da cultura humana mudar de comportamento quando a pressão financeira é exercida; se existisse uma fiscalização constante, um programa de monitoramento talvez o município não necessitasse custear gastos em situações de emergência ou de fazer a limpeza pesada permanente no local, pois por conta do descaso até mesmo sofás são despachados no canal.

A contabilidade ambiental de um curso d`água como o Canal do Pepino não existe, caso contrário medidas mais eficientes estariam em programas de controle de poluição municipal.

Autores e pesquisadores

Barbosa, S.; Medeiros, N. O. B.; Ferreira, L. D.; Soria, M.; Couto, I.; Cruz, R. D.; Parfit, L. M. B.; Barbosa, M.; Piedras, S. R. N. são alunos do Curso de Pós Graduação – Gestores Regionais de Recursos Hídricos;

Castro, Nilza é professora do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS;

Ramirez, P. Orlando é professor do Departamento de Engenharia Agrícola da FAEM – UFPEL.

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