Cecy Oliveira
Os sinais que vêm sendo emitidos de várias partes do mundo são cada vez mais evidentes e apontam todos na direção de uma crescente valorização da água. Não é somente pelo seu significado como elemento fundamental na preservação de todas as formas de vida.
Nem sua presença como insumo básico para a produtividade agrícola, desde que em quantidade e qualidade compatíveis com esse uso. Ou a sua demanda crescente para atender contingentes cada vez maiores de populações que se avolumam nas cidades dos países em desenvolvimento.
Ela emerge agora como um fator preponderante de competitividade quando se debatem propostas de tarifação pelo uso – até agora livre e gratuito – da água captada diretamente nos mananciais hídricos e utilizada na irrigação e na atividade industrial. Muitos empresários já consideram que o custo de utilização da água pode se tornar um fator preponderante para a competitividade.
Os números revelados nesta edição sobre a precária infra-estrutura de esgotamento sanitário no país afetando metade da população urbana são a prova mais evidente do descaso dos administradores municipais e estaduais e do próprio governo federal, quando impõem cortes drásticos sempre nos recursos destinados ao saneamento, como se isto fosse menos importante do que estradas e energia elétrica e telefones.
É bom que lições como a crise de abastecimento em São Paulo façam soar o alarme nacional para esse problema grave e cuja solução não pode mais ser adiada. Tratar esgotos faz bem à saúde, à geração de empregos, à competitividade.
Quem ainda tem mananciais em condições ambientalmente aceitáveis que trate de conservá-los assim. Daqui para frente a disponibilidade de água abundante e limpa pode ser um fator muito mais decisivo para a atração de um empreendimento industrial do que os benefícios fiscais.
Embaixo do tapete
Muitos empresários já consideram que o custo de utilização da água pode se tornar um fator preponderante para a competitividade. E temem inclusive a migração de atividades para pontos do país onde esse insumo ainda é abundante, tanto do ponto de vista da quantidade e principalmente da qualidade.
Esta advertência deveria ser levada em conta pelas comunidades que ainda dispõem de mananciais hídricos em boas condições e que não vêm cuidando como deveriam desse patrimônio. A começar pela atenção ao tratamento dos esgotos domésticos, industriais e agrícolas, assunto literalmente “varrido para debaixo do tapete” por muitos anos, pelos sucessivos governos municipais, na maioria das cidades brasileiras.
Autora
Cecy Oliveira é editora da Aguaonline e presidente do Instituto Brasileiro de Estudos e Ações em Saneamento Ambiental (Ibeasa).
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