O BNDES e os Parque Nacionais

Paulo Bidegain

O orçamento do BNDES para 2004 será de R$ 47 bilhões. Tal montante é

superior ao disponível no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o coloca como um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo. A implantação de Parques Nacionais e Estaduais deveria receber recursos do BNDES para elaboração de planos de manejo, compra de terras e implantação de infra-estrutura (centro de visitantes, sede administrativa, equipamentos,

guaritas, rede viárias, atrativos, trilhas, restaurantes, etc).

Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo, os Parques empregam

indiretamente milhares de pessoas nas vilas e cidades situadas na periferia

dos mesmos, que trabalham em toda gama de serviços turísticos. Nos EUA,

cerca de 3% do PIB é movimentado pela rede de Parques Nacionais e Estaduais.

A rede é considerada a maior atração turística do mundo.

Precisamos convencer o presidente Lula e os Ministro do Planejamento,

Turismo e da Fazenda que os Parques Nacionais são tão importantes como

estradas, usinas hidrelétricas e plataformas de petróleo, e devem ser

encarados como integrantes do setor de infra-estrutura fundamental para o

desenvolvimento do país. Afinal, além de proteger a biodiversidade do país –

base para qualquer projeto de desenvolvimento, eles podem alavancar o setor

turístico em diversos lugares, inclusive naqueles remotos. Vejam o potencial

do Pantanal e da Amazônia, por exemplo.

Se os Parques Nacionais e Estaduais um dia cumprirem esta função social no

Brasil, haverá uma profunda mudança na aceitação popular. A população

passará a ver os Parques como empreendimentos benéficos para geração de

emprego e melhoria da qualidade de vida, e não como áreas cercadas – os

parques fortaleza. A utilização de parques como áreas de lazer, quando bem

planejadas, em nada prejudicam a biodiversidade. Ao contrário, ajudam, pois

geram receitas para serem reinvestidas.

Nunca me conformei em ver Parques como o Itatiaia e Bocaina, que têm imenso potencial, apresentarem os mesmos problemas de 30 – 40 anos atrás.

Com o PT no poder, o cenário é plenamente favorável à mudança de enfoque. Lembro-me que na campanha, li em um site na internet que o Presidente iria criar um órgão exclusivo para os Parques Nacionais, dando um alívio no gigantismo do IBAMA.

Estratégia sugerida

1 Convencer os economistas do Governo a colocarem os Parques Nacionais na

rubrica orçamentária de “infra-estrutura” e possibilitar que recebam aportes

de recursos do BNDES. Para tanto, é preciso solicitar o apoio de ONG’s de

alcance internacional como a WWF, a TNC, Amigos da Terra e Fundação O

Boticário, a desenvolverem um estudo mostrando o impacto dos Parques nas

economias e na geração de empregos nos EUA, Canadá, Quênia, Austrália e na

Europa.

2 Estimular o Governo a criar um órgão exclusivo para os Parques Nacionais e

Reservas, retirando do IBAMA esta atribuição conforme o DR Paulo Nogueira

Neto vem defendendo a bastante tempo. O ideal é que fosse uma empresa ou uma companhia pública (algo como a CODEVASF, mas com o nome de Companhia Parques do Brasil, para ser tão eficiente como a Petrobrás). Assim ela poderia receber recursos do BNDES. Mas não sei se juridicamente é possível.

Aqui novamente não temos que inventar a roda. Vamos estimular um convênio entre o Ministério do Meio Ambiente, o BNDES e o “Parks Canadá” ou o “US. National Park Service” para ajudar na estruturação do novo órgão. A experiências destes órgãos é fundamental para definirmos pessoal em numero e qualificação, sistema de gestão, planos de contas, sistemas de concessão

(etc).

Autor

Paulo Bidegain é biólogo.

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