
Transformar a temporada de reprodução das baleias jubarte, que se estende de setembro a novembro nas águas quentes e rasas de Abrolhos, onde acasalam e amamentam os filhotes, passando pelo litoral da Bahia, em uma atração turística pode render bons frutos para a preservação da espécie.
Em Praia do Forte, onde o Projeto Baleia Jubarte, com apoio da Fundação Garcia D’ávila, mantém uma base de pesquisa desde o ano 2000, a grande novidade dessa temporada foi o início de um trabalho de educação ambiental com adolescentes, na faixa dos 12 aos 16 anos, moradores da comunidade e alunos de escolas públicas. Os mini-ambientalistas, apelidados de Patrulha Costeira, estão sendo capacitados com informações sobre as baleias, o funcionamento do ecossistema marinho e a importância de preservá-lo. Eles atuam como multiplicadores entre os moradores e turistas, informa Enrico Marcovaldi, coordenador do Projeto Baleia Jubarte em Praia do Forte.
Ele acrescenta que a equipe dá suporte técnico ao turismo de observação de baleias (whalewatching), organizado pelo Centro Turístico de Praia do Forte, operadora responsável pelas excursões de barco. “Se bem feito, o Whalewatching é uma ferramenta na conservação das baleias, pois agrega valor comercial ao animal vivo e no seu habitat natural”, enfatiza Enrico.
No ano passado, revela a bióloga, foram fotoidentificadas 229 baleias. Em Praia do Forte, em três anos de trabalho, já foram avistadas 650 baleias e fotoidentificadas 152. Já em 2003, com os dados analisados, foram avistados 520 indivíduos e fotoindentificadas 126 baleias. Os números, enfatizam os pesquisadores, revelam que as jubarte estão retornando para áreas onde não eram vistas há mais de 50 anos, como na orla marítima de Salvador. Provando que o Litoral Norte da Bahia é também uma outra importante área de reprodução da espécie.
Fotoidentificação
Responsável pelo trabalho de proteção da espécie no Brasil, o Projeto Baleia Jubarte, patrocinado pela Petrobras, realiza o programa estimativas aéreas com sobrevôos por toda a costa da Bahia e Espírito Santo com o objetivo de conhecer melhor a distribuição das baleias nessa área. Segundo a bióloga Márcia Engel, diretora do Instituto Baleia Jubarte, ong que administra o projeto, uma das principais ferramentas de pesquisa do projeto é a fotoidentificação, feita através da cauda da baleia jubarte, cujo desenho é uma espécie de impressão digital desses cetáceos, inclusive não se repetindo de um animal para o outro.
Segundo Márcia Engel, o catálogo de fotoidentificação do projeto é o terceiro maior do hemisfério Sul e já conta com 1.626 baleias, algo em torno de 60% da população estimada de 2,3 mil indivíduos que migram para Abrolhos, passando pelo litoral baiano.
Belize contra represa
Londres, Reino Unido. A última etapa de uma batalha legal que já dura três anos, relacionada com o projeto de construir uma represa na bacia do rio Macal em Belize, está acontecendo agora em dezembro quando o Conselho privado da Rainha receber um grupo de ambientalistas belizenses, que apresentarão sua queixa contra a aprovação que o projeto recebeu do governo de seu país. Este é o primeiro caso ambiental em toda a longa história do Conselho Privado, que ainda funciona como uma corte final de apelações para um número importante de países da Comunidade Britânica.
A bacia superior do rio Macal é uma das maiores regiões da América Central que ainda não foram alteradas pelo homem. A área abriga uma extraordinária variedade de espécies raras e ameaçadas, entre as quais se incluem jaguares, onças e as últimas 200 guacamayas lapas escarlate (Arbusto da família das Leguminosas da América tropical), que restam no país.
Biólogos destacados do Museu de História Natural de Londres que estudaram a área afirmam que a construção da represa causaria dano irreversível a esta jóia biológica, e solicitaram com veemência que a obra não seja executada.
Entre as alegações dos ambientalistas está acusação de que o governo belizense celebrou um acordo a portas fechadas com a Fortis, que permite à empresa aumentar de maneira desproporcionada os custos dos serviços elétricos, os quais já são duas vezes mais altos do que nos países vizinhos.
Segundo eles a AMEC identificou como granito a rocha do local onde seria construída a represa, o que é um erro que poderia trazer sérias conseqüências quanto à segurança e custos de construção. Eles criticam também o fato da consultora não ter executado estudos hidrológicos sérios na bacia do rio Macal, uma vez que em plena temporada de chuvas o manancial fluía através de quatro tubulações de diâmetro reduzido.
“Esta represa anuncia o início do fim para um dos tesouros naturais mais preciosos de Belize”, afirmou Ute Collier, encarregada da Iniciativa de Represas do WWF. “Um bosque prístino, com exótica flora e fauna de grande valor, poderia ser arrasado e abolido da face da terra”.
Ameaças
Na lista de animais ameaçados de extinção, a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae), também conhecida como baleia corcunda ou cantora, migra todo ano das regiões frias da Antártida até o Banco dos Abrolhos, considerado o maior berçário natural da espécie no Atlântico Sul.
Caçada impiedosamente desde o século XVIII, devido ao alto valor comercial de subprodutos como o óleo, a jubarte quase desapareceu dos mares da terra. Antes da caça, a sua população mundial era de 250 mil indivíduos. Atualmente, apesar da proteção integral, restam 35 mil em todos os oceanos.

Fotoidentificação
Responsável pelo trabalho de proteção da espécie no Brasil, o Projeto Baleia Jubarte, patrocinado pela Petrobras, realiza o programa estimativas aéreas com sobrevôos por toda a costa da Bahia e Espírito Santo com o objetivo de conhecer melhor a distribuição das baleias nessa área. Segundo a bióloga Márcia Engel, diretora do Instituto Baleia Jubarte, ong que administra o projeto, uma das principais ferramentas de pesquisa do projeto é a fotoidentificação, feita através da cauda da baleia jubarte, cujo desenho é uma espécie de impressão digital desses cetáceos, inclusive não se repetindo de um animal para o outro.
Segundo Márcia Engel, o catálogo de fotoidentificação do projeto é o terceiro maior do hemisfério Sul e já conta com 1.626 baleias, algo em torno de 60% da população estimada de 2,3 mil indivíduos que migram para Abrolhos, passando pelo litoral baiano.
Avaliação contestada
Becol, subsidiária belizense da Fortis, uma multinacional com sede no Canadá, planeja construir a represa e vender a energia elétrica gerada à empresa Belize Electricity Limited (BEL), que também pertence ao grupo Fortis. Em janeiro de 2002, Bacongo, uma coalizão de grupos ambientalistas de Belize, iniciou uma ação legal para anular a avaliação do impacto ambiental apresentada pela empresa. A avaliação, executada pela AMEC (uma empresa consultora de cobertura mundial localizada em Londres), foi duramente criticada por cientistas, técnicos e economistas.
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