Pesquisadores querem mapeamento microbiológico dos portos

Pesquisadores da área de Microbiologia estão alertando para a necessidade de monitoramento dos portos para evitar o efeito contaminante da água de lastro. A água utilizada para lastrear os navios é descarregada nos portos marítimos e fluviais em todo o mundo sem maiores controles. O perigo está no transporte de microroganismos exótico e/ou patogênicos que estão nestas águas retiradas das regiões litorâneas próxima dos portos. Antes da partida, esse importante volume de água, geralmente cheio de microrganismos, é despejado nos portos de chegada podendo contaminar o meio ambiente.

“Precisamos mapear os portos brasileiros do ponto de vista microbiológico. São áreas que apresentam riscos em potencial”, disse Irma Rivera, professora do ICB – Instituto de Ciências Biomédicas da USP – Universidade de São Paulo. O trabalho da cientista, apresentado no Congresso Brasileiro de Microbiologia, realizado em Florianópolis (SC), é pioneiro, em termos nacionais, no estudo das águas de lastro utilizadas por embarcações de grande porte.

A professora Dolores Mehnert, também do ICB, está desenvolvendo um estudo que poderá resultar na criação de novas ferramentas para a pesquisa de águas de esgoto e de córregos poluídos. “Estamos propondo que o adenovírus seja usado como indicador de contaminação aquática”, disse Dolores. Segundo a cientista, esses microrganismos são bons indicadores ambientais porque mostram uma forte resistência à cloração e também aos processos de limpeza feitos a partir de radiação.

Um estudo realizado por um grupo de pesquisadores liderado por Dolores mostrou que o adenovírus está presente, em todas as épocas do ano, de forma importante nas águas de esgoto e nos córregos da cidade de São Paulo.

“É um risco muito grande para a população. Esse vírus é responsável pela maioria dos casos de gastroenterite aguda infantil”, disse. O objetivo dos pesquisadores é mapear a presença do adenovírus no meio ambiente paulista para que se saiba melhor como se proteger desses microrganismos.

Fonte: Agência Fapesp

Espiral para tratamento da água

Michael Boyd, London Press Service

Especialistas mundiais no tratamento de água e esgotos estão se apressando para visitar um novo e revolucionário sistema em funcionamento. Instalado em inúmeros pontos do Reino Unido, o equipamento compacto e único já recebeu diversos prêmios.Trata-se do espiral separador Hoxar, criado pelo engenheiro David de Hoxar, da Southern Water, um dispositivo para acomodação de gravidade, formando o principal componente de um tanque para separar a sujeira da água.

Os pesquisador avaliam a importância do equipamento tendo em vista que a diretriz da Comissão para oTratamento de Efluentes Urbanos na Europa tem sido a força propulsora para a limpeza das praias do Reino Unido e a redução do nível de dejetos. Como resultado, várias empresas de água do Reino Unido, decidiram acrescentar os separadores Hoxar às suas instalações de tratamento, muitas das quais encontram-se em locais confinados.

São empregadas enormes barbatanas plásticas em espirais que se encaixam e são colocadas dentro de um tanque circular. Mediante a rotação dos espirais, os dejetos sólidos são separados pelas barbatanas e passam para o fundo do tanque de onde podem ser removidos.

Separadores por espiral precisam de apenas 3% da área necessária aos tanques convencionais. Usam entre 25 e 33 % da área necessária para o uso da bacia lamella, a tecnologia mais aproximada. Outro benefício é o espessamento do lixo industrial que resulta em redução de despesas nas instalações de tratamento.

Tecnicamente o separador Hoxar é formado por uma placa de espiral, com forma de um núcleo helicoidal, instalado em tanque circular alto. Cada placa consiste de várias placas pequenas feitas de plástico reforçado a vidro. A forma das placas oferece resistência e firmeza, e não há necessidade de espaçadores ou estruturas de ligação entre as placas salvo o núcleo, para mantê-las na posição adequada.

Os efluentes entram no separador através de uma tubulação na lateral do tanque, passando pelo núcleo central da placa. O efluente flui pelo núcleo central, que age como defletor, antes de fluir para a placa. A contínua rotação da placa aumenta a velocidade de acomodação de partículas, melhorando a eficiência da retirada de sólidos.

As partículas suspensas, que são mais pesadas, se acomodam na placa enquanto a água passa pela placa, deixando o separador. Os sólidos juntam-se formando a borra que então desliza pelas paredes até o piso do tanque. O separador Hoxar em espiral é um dispositivo de fluxos cruzados pois a descida da borra ocorre de maneira a não misturar-se com a água que flui para o piso da placa.

O separador reduz 50% dos sólidos suspensos e 35% da demanda biológica por oxigênio sem necessidade de acrescentar elementos químicos de coagulação. Com o uso de química de coagulação, os índices passam para 80% de sólidos suspensos e 55% da demanda biológica por oxigênio

David de Hoxar pensou pela primeira vez num separador com partes móveis no final dos anos 80 mas foi somente quando começou a trabalhar na Southern Water Services que pode transformar seu conceito em realidade. Nos anos 90 a empresa Southern Water financiou sua pesquisa, culminando com o desenvolvimento do separador Hoxar.

“Estou extremamente satisfeito com o nível de interesse mundial despertado pelos separadores em espiral a partir do momento em que os levamos ao conhecimento do público, em abril deste ano ’’ afirmou David de Hoxar.No momento a principal aplicação é no tratamento de água e efluentes, mas há potencial para que o processo em espiral seja usado em outras indústrias. Experiências já indicaram que o separador em espiral Hoxar poderia ser usado para a sedimentação final em obras usando o processo de lodo ativado.

Mais informações: www.southernwater.co.uk

Endemias

Segundo a pesquisadora, o grupo de estudo que ela lidera já enviou à Organização Pan-Americana de Saúde um documento que alerta sobre a importância de que essas pesquisas com águas de lastro sejam ampliadas para outras áreas do mundo.

O víbrio cholerae, por exemplo, é endêmico de regiões da África e da Ásia. Para Irma, esse microrganismo, causador da cólera e presente em ambientes aquáticos, pode ser introduzido em outras partes do mundo pela água de lastro transportada no tanque dos navios. “Esses reservatórios têm a capacidade de introduzir novas patogenias em determinadas regiões portuárias, além de microrganismos exóticos”, disse.

O grupo do ICB começou um estudo com sete portos brasileiros. Grandes concentrações de Salmonella foram identificadas nas regiões dos portos de Belém (PA) e de Recife (PE), por exemplo. Se o agente causador da cólera ainda não apareceu nos estudos, isto não significa que ele não esteja presente no meio ambiente portuário. “O surto de cólera em Paranaguá, em 1999, pode estar relacionado com as águas de lastro”, disse Irma.

Prodes contempla seis municípios

Seis novos contratos do Programa de Despoluição de Bacias Hidrográficas (Prodes), contemplando as prefeituras de Ibaté (SP), Belo Horizonte (MG), Divinópolis (PA), Lençóis (BA), Arujá (SP) e Biritiba Mirim (SP) foram assinado no dia 21 de novembro, em Brasília (DF).

A característica desse programa é a liberação dos recursos após a construção da estação de tratamento de esgoto (ETE) e o início de seu funcionamento. Para assinar os contratos, os municípios investiram, no total, R$ 54,2 milhões para construção das ETEs. A liberação das parcelas é vinculada ao cumprimento das metas por parte dos prestadores de serviço, aprovadas pelo comitê da bacia onde a ETE está localizada. A escolha das estações de tratamento contratadas também é feita pelos respectivos comitês de bacia.

Assim que as ETEs entrarem em funcionamento, a quantidade de esgoto despejado nos rios próximos a esses municípios será reduzida significativamente. A ETE de Ibaté abaterá em 1,3 % a poluição dos Rios Tietê/Jacaré e em 54% a poluição no Rio São José das Correntes; a de Belo Horizonte resultará no abatimento de 12,4 % da poluição do Rio das Velhas; a de Divinópolis reduzirá a carga poluidora despejada no Rio Pará em 0,38 %; a de Lençóis resultará no abatimento de 339 kg DBO/dia da poluição do Rio Paraguaçu; a de Arujá resultará no abatimento de 0,6 % da poluição do Alto Tietê; e a de Biritiba Mirim reduzirá em 0,2% a poluição do Alto Tietê.

Criado em março de 2001 com o objetivo de induzir a implantação do Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos e reduzir o nível de poluição dos recursos hídricos, o Prodes já contratou 27 empreendimentos, sendo 17 em 2001 e 10 em 2002.

Fonte: MMA

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