Contaminação do ar afeta crianças mexicanas

Cidade do México – Os níveis de contaminação atmosférica estão provocando hospitalização e até a morte de crianças residentes em Cidade Juárez, Chihuahua (México, aponta um novo estudo publicado pela Comissão para a Cooperação Ambiental (CCA).

Entre 1997 e 2001 se realizaram 36.087 consultas de urgência por infecções respiratórias em crianças menores de cinco anos de idade em dois hospitais da Cidade Juárez. Entretanto, as normas correspondentes ao ozônio, que rege as medidas governamentais para a melhoria da qualidade do ar, estiveram abaixo dos padrões em 14 ocasiões durante o período do estudo.

“Grande quantidade de crianças foi levada com urgência ao hospital em dias em que não houve alarme ambiental sobre a qualidade do ar“, ressalta a médica Matiana Ramírez Aguilar, co-autora do estudo do Instituto Nacional de Saúde Pública da Cidade do México.”Isto sugere”, agrega Ramírez Aguilar, “que níveis de ozônio mais baixos afetam a saúde respiratória infantil e que é preciso empreender medidas para revisar as normas vigentes no país”.

O estudo encontrou, também, uma “relação significativa” entre os níveis de partículas suspensas PM10 – pequenas partículas suspensas no ar, emitidas por fontes como os caminhões movidos a diesel – e a mortalidade infantil. Das 696 crianças entre um mês e um ano de idade que morreram durante o qüinqüênio que abrangeu o estudo, 231 destas mortes estiveram relacionadas com enfermidades respiratórias.

Os pesquisadores também assinalaram que o risco é maior para as crianças que vivem em colônias pobres. Quando os níveis de PM10 se elevaram durante dois dias consecutivos, as mortes por causas respiratórias em lactentes (>1 mês a 1 ano) de famílias pobres aumentaram 82% nos dias seguintes. Entretanto, não se observou nenhum incremento na mortalidade da população infantil nos níveis sócio-econômicos mais altos.

Esta é a primeira vez que um estudo avalia os efeitos da contaminação atmosférica em grupos de crianças que vivem em condições de pobreza ao longo da fronteira México-Estados Unidos.

“Parece que as crianças de tenra idade são mais suscetíveis ao impacto negativo das partículas em virtude de sua reduzida capacidade para metabolizar as substâncias tóxicas. Muitas delas também se encontram em situação de maior risco como conseqüência de uma vulnerabilidade social relacionada com a pobreza, a desnutrição e o meio ambiente desfavorável”, diz Ramírez. “O ozônio, por sua parte, atua como irritante em toda a população infantil, e em crianças com asma”.

O Tratado de Livre Comércio proporcionou um aumento no tráfico de caminhões em pontos fronteiriços do México, Canadá e Estados Unidos. Para os residentes de Cidade Juárez isto significou uma maior exposição aos contaminantes emitidos pelos automóveis e caminhões que se deslocam entre os EUA e o México. Em 2001 mais de 1 milhão de caminhões cruzaram a fronteira entre Cidade Juárez e El Paso, no Texas.

Levando em conta esta crescente exposição, se realizou na Cidade Juárez um estudo que mediu a contaminação do ar desde os telhados de 28 escolas próximas das autopistas e localizadas em zonas de tráfico fronteiriço da região. A pesquisa de campo incluiu provas de fluxo respiratório de 101 alunos.

O doutor Fernando Holguín, pesquisador dos Centros para a Prevenção e o Controle de Enfermidades (Centers for Disease Control and Prevention) em Atlanta, explica: “Os resultados preliminares sugerem que a densidade do trânsito está relacionada com uma maior inflamação das vias respiratórias em crianças asmáticas que freqüentam escolas localizadas nas proximidades das principais rodovias”.

O coordenador do programa sobre qualidade do ar na CCA, Paul Miller, conclui: “Estes resultados não são exclusivos de Cidade Juárez. Níveis de contaminação similares, e inclusive maiores, se registram em outros cruzamentos ao longo das fronteiras México-EUA e EUA-Canadá. Mas o estudo de Cidade Juárez constitui um exemplo importante porque três jurisdições — os estados de Chihuahua, Nuevo México e Texas – compartilham o mesmo ar. As soluções para a problemática da região terão que derivar de esforços de cooperação entre funcionários federais, estatais e locais, assim como representantes da indústria”.

Fonte: CCA

Ilustrações: Livro do Ano do Dia Interamericano da Qualidade do AR – Cepis/OPAS

Acordo sem valor

O Acordo de Cooperação Ambiental da América do Norte é irrelevante, afirma uma ONG mexicana, ao começar esta semana um processo público para avaliar 10 anos de vigência desse instrumento firmado pelo Canadá, Estados Unidos e México.

Esse acordo “representa só um conjunto de boas intenções”, pois seu mandato está subordinado ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte, junto com o que entrou em vigor em 1994, disse à Tierramérica Héctor de la Cueva, porta-voz da Red de Acción Frente al Libre Comercio.

A Comissão Ambiental da América do Norte, braço executivo do

acordo, convocou à avaliação do público e anunciou que outra,

de um comitê de especialistas e “exaustiva”, estará pronta em meados de 2004.

O acordo, único de seu tipo no mundo, busca vigiar o

cumprimento de normas ambientais, mas sem caráter coercitivo e

nem pronunciamentos vinculantes.

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O tamanho do problema

Mais de 30milhões de crianças na AméricaLatina e Caribe respiram ar insalubre.

Qualque um de nós que reside ou trabalha em uma área ou em um ambiente contaminado, provavelmente conheça crianças cuja saúde esteja afetada pelo ar contaminado .

Os síntomas são conhecidos: chiados suspeitos ,olhos lacrimejantes, tosse e dores de cabeça.

Os profissionais da saúde ressaltam que as crianças estão mais ameçadas do que os adultos por dois motivos principais:

seu organismo ainda está em formação são mais vulneráveis a irritações e doenças.

Diversos estudos demostram que as crianças que vivem em áreas ou ambientes contaminados são mais susceptíveis às infecções respiratórias. Ainda que não apresentem sintomas, têm maior probabilidade de sofrer danos que desemboquem no mau funcionamento de seu pulmões o que pode determinar um aumento do risco de contraírem doenças resporatórias na idade adulta. Fonte: Matéria do Dia Interamericano da Qualidade do Ar 2003

CCA

A CCA fui criada pelo Canadá, Estados Unidos e México para aumentar a cooperação entre os três sócios na instrumentação do ACAAN, convênio ambiental paralelo do Tratado de Livre Comércio. A CCA se ocupa dos assuntos ambientais de preocupação subcontinental, com particular atenção nos desafios e nas oportunidades ambientais derivados do livre comércio da região.

Combate ao mexilhão

A Secretaria de Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente (SQA) está coordenando uma força-tarefa para eliminar ou ao menos controlar a proliferação do mexilhão dourado (Limnoperna fortunei), espécie exótica originária do sudeste asiático. O mexilhão foi introduzido na região de Porto Alegre (RS) em 1998, por meio da água de lastro de navios, e hoje já se encontra espalhado pelos estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, prejudicando inclusive populações tradicionais do Pantanal. As instalações de saneamento e de geração de energia elétrica do Departamento Municipal de Águas e Esgotos de Porto Alegre e da Itaipu Binacional já foram prejudicadas por causa da invasão.

A força-tarefa envolve representantes das Secretarias de Biodiversidade e Florestas e de Qualidade Ambiental do MMA, além de técnicos da Agência Nacional de Águas e do Ibama, Ministérios das Minas e Energia, Marinha, Saúde (Agência de Vigilância Sanitária), Agricultura, Transportes, Integração. Com base em estudos e experiências dos diversos órgãos, o grupo vai coordenar iniciativas e definir diretrizes para um plano de ação. O mexilhão se reproduz com facilidade e não encontra na região predadores naturais em quantidade suficiente para controlar sua disseminação.

Fonte: MMA

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