Hubmaier Andrade
A luta pela conquista de um desenvolvimento sustentável é um dos maiores desafios à sobrevivência da humanidade. Toda a sociedade bem informada tem consciência desse fato e os consumidores vêm reagindo de forma concreta, dando sua preferência a empresas que apresentam preocupação em proteger o meio ambiente.
No cenário internacional, as entidades responsáveis pelas normas técnicas, a partir das quais o mundo globalizado orienta sua produção, têm estado extremamente presentes. Entre elas destaca-se a ISO (International Organization for Standardization), cuja norma ISO 14000 tornou-se uma das mais relevantes ferramentas de gerenciamento ambiental. No Brasil, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) é membro-fundador da ISO, cabendo ao CB-38 cuidar dos temas referentes à gestão ambiental.
Lançada oficialmente no Brasil em meados de novembro de 2002, a norma NBR ISO 14040 – que trata da avaliação do ciclo de vida -, chegou para complementar a família ISO 14000 e mudar o foco das empresas em relação a seus produtos, entrando na análise dos componentes da cadeia de suprimentos e considerando o fim da vida dos produtos e embalagens que consumimos.
Para incentivar as corporações a adotarem essa ferramenta, o CB-38 da ABNT, o Ministério de Ciência e Tecnologia, empresas privadas e universidades criaram a ABCV (Associação Brasileira de Ciclo de Vida), sociedade sem fins lucrativos que tem entre seus objetivos a formação de pessoal qualificado, o intercâmbio de informações e o apoio necessário para o desenvolvimento de laboratórios, pesquisas, bancos de dados e normas técnicas, o que consiste na base tecnológica para facilitar a implantação da avaliação do ciclo de vida nas principais cadeias produtivas brasileiras.
A avaliação do ciclo de vida é feita a partir da definição técnica do processo envolvido para transformar matérias-primas e produtos. Nas diferentes unidades dessa cadeia de produção e consumo são levantados dados quantitativos sobre aspectos ambientais importantes, tais como emissões, consumo de recursos e geração de resíduos.
Uma característica marcante da avaliação do ciclo de vida é o fato de ser a única ferramenta de gestão ambiental aplicada do berço ao túmulo dos sistemas de produção.
Ela permite identificar os aspectos ambientais em todos os elos da cadeia produtiva e consumo, desde a exploração das matérias-primas brutas até o uso final, passando pelo transporte, embalagem, reciclagem e destino final dos resíduos.Encarar o ciclo de vida de produtos como parte fundamental da gestão corporativa é um primeiro passo rumo ao desenvolvimento sustentável. É um modelo que precisa ser implementado em toda e qualquer empresa, assegurando assim uma conduta ambiental e socialmente correta perante as partes interessadas.
As corporações devem passar a enxergar a sustentabilidade como a chave do futuro e sucesso nos negócios. Prova disso é o Dow Jones Sustainability Index, índice que acompanha o desempenho de organizações em todo o mundo. As companhias que exibem os melhores índices de sustentabilidade, não por coincidência, têm alcançado níveis de crescimento, valorização e rentabilidade maiores do que a melhor média de mercado.
Reciclagem
No mercado existem casos clássicos sobre ciclo de vida de produtos. Os mais visíveis, provavelmente, são aplicados a embalagens. O alumínio, por exemplo, usa intensamente energia elétrica na sua composição tornando desejável e viável sua reciclagem.
Um extenso trabalho de comunicação e marketing desenvolvido pela indústria criou a rede de reciclagem do produto e, com isso, o Brasil conquistou a liderança mundial, tendo atingido em 2001 um percentual de 85%, o equivalente a 119,5 mil toneladas. Esse alto índice de reciclagem constitui uma vantagem ambiental do alumínio brasileiro, que se torna clara quando avaliada sobre a ética do ciclo de vida.
Autor
Hubmaier Andrade é diretor adjunto de Consultoria do Grupo Bureau Veritas, líder mundial na prestação de serviços voltados a qualidade, meio ambiente, segurança, saúde ocupacional, responsabilidade social e pioneiro na realização da análise do ciclo de vida no Brasil.
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