
III Congresso Interamericano de Qualidade do Ar
Um problema ambiental que atinge igualmente ricos e pobres, países em desenvolvimento e nações ricas e tem implicações econômicas e de saúde pública. Assim é a má qualidade do ar, tanto em ambientes externos quanto internos, sendo que nestes últimos acontecem o maior número de doenças e mortes. A afirmação foi feita pelo presidente da Associação Interamericana de Engenharia Sanitária e Ambiental (Aidis) – entidade promotora do evento -, o engenheiro sanitarista Horst Otterstetter, na abertura do III Congresso Interamericano de Qualidade do Ar, que acontece, de 23 a 25 de julho, na cidade de Canoas (RS).
Os números apresentados por Otterstetter serviram de pano de fundo para destacar a dimensão deste problema ambiental e supreenderam até mesmo os demais oradores da cerimônia e a platéia, composta de 450 técnicos e especialistas ambientais de empresas públicas e privadas e governamentais. Utilizando o Relatório 2000 da Organização Mundial da Saúde (OMS) o presidente da Aidis disse que das 56 milhões de mortes ocorridas naquele ano 3 milhões se deveram a doenças oriundas da exposição a material particulado – ou seja, à poluição do ar. E lamentou revelar que as enfermidades causadas pela má qualidade do ar causam efeitos mais graves em crianças e jovens. Em comparação com outras causas o triste recorde é mesmo da poluição do ar. No mesmo ano citado as doenças causadas pela diarréia vitimaram 2,2 milhões e a AIDS matou outras 2,6 milhões.
O pior, ressaltou o especialista, é que das 3 milhões de vítimas da poluição do ar 65% tinham menos de 15 anos. Outra cifra perturbante foi a que revelou que 84% das mortes foram devidas à má qualidade do ar em ambientes fechados.
Ao chamar a atenção para a necessidade de que este problema se insira na agenda de autoridades e governantes do Continente, Horst Otterstetter, lembrou a sua importância na preservação da saúde pública, condição essencial para o desenvolvimento.
Outra autoridades, como o prefeito de Canoas, Marcos Ronchetti e o secretário de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, Luis Alberto Wendel, destacaram a necessidade de que a variável ambiental esteja presente no planejamento das ações governamentais desde o primeiro momento.
O diretor-geral do Ministério do Meio Ambiente, Carlos Langone, que representou a ministra Marina Silva, traçou um panorama geral das questões ambientais no cenário internacional destacando que este é um momento decisivo para a viabilização do Protocolo de Quioto se houver a adesão da Rússia. Isso significará a possibilidade de uma maior pressão à “política ambiental atrasada do presidente Bush”. Ele disse que o movimento contra produtos norte-americanos está começando a incomodar as empresas dos Estados Unidos e isso poderá ser decisivo para que sejam revistas as posturas daquele país em temas como as mudanças climáticas e a matriz energética.
“Se o consumo de energia dos Estados Unidos fosse estendido aos demais países necessitaríamos de 2,5 planetas Terra para atender à demanda” ressaltou Langone.
Transversalidade
Do ponto de vista do território brasileiro Carlos Langone revelou que no próximo Plano Plurianual de Investimentos – que está sendo concluído – está-se buscando a transversalidade da questão ambiental cujo componente tem que estar em todas as ações de governo.
Destacou ainda que a variável ambiental é hoje um fator de competitividade internacional que começa a funcionar como barreira não tarifária, especialmente para os países da Comunidade Européia. “Uma soja cuja produção provoca desmatamento e degradação pode não se bem aceita nos mercados internacionais”, alertou.
Especificamente no que se refere à degradação da qualidade do ar o ministro substituto do Meio Ambiente lembrou que ela está muito ligada ao ambiente urbano razão pela qual a sua solução está diretamente relacionada com o repensar das cidades. Isto significa agir não somente sobre as cidades formais como, e principalmente, nas informais que foram se formando nos entornos das metrópoles do continente.
Ele também contestou posicionamentos de parte da imprensa gaúcha – referindo-se especificamente ao jornal Zero Hora – pelas críticas à exigência dos órgãos ambientais para novos empreendimentos. “A população gaúcha foi vanguardeira nas questões ambientais e os empreendimentos industriais ou comerciais aqui instalados têm que correspoder a esse posicionamento pioneiro”, disse.
E se colocou contra as afirmativas de que as exigências ambientais possam estar dificultando o desenvolvimento do estado ou do país.
Posição do Brasil
Carlos Langone não deixou de ressaltar a posição de liderança que o Brasil pode exercer no que se refere às questões do Meio Ambiente. E anunciou que no mês de agosto expoentes do ambientalismo mundial, como Fritjof Capra, Amory Lovins e Vandrana Shiva, virão espontaneamento ao Brasil para uma série de Diálogos visando orientar o Governo brasileiro em direção ao desenvolvimento sustentável.
Outros temas
As atividades do primeiro dia do Congresso incluíram mesas-redondas sobre O Ar em Ambientes Públicos Fechados, Qualidade do Ar em Ambientes Externos e O Efeito dos Resíduos na Saúde e na Qualidade do Ar, destacando a participação de Peter Brimblecombe, professor da East Anglia University da Inglaterra; Jaime Solari, Consultor Ambiental do Chile e Philip Risby, dos Estados Unidos.
Finalizando as atividades do primeiro foi apresentada a palestra Amazônia e Mudança Climática – por Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Antonio Nobre, do Projeto LBA .
Para o dia 24, além dos trabalhos técnicos estão programadas mesas-redondas sobre:
Estado da Arte no Controle da Qualidade do Ar nas Indústrias, a cargo de Paulo Ricardo de Azevedo, diretor técnico da refap S/A e Sepé Tiaraju dos Santos, coordenador técnico de Meio Ambiente da Copesul, tendo na coordenação o secretário de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, José Alberto Wenzel.
Qualidade do Ar: Moradias Saudáveis e edifícios Doentes, com Carlos Levinton, consultor, da Aidis Argentina e Simone Cynamon Cohen, mestre em Saúde Pública da Fiocruz.
Dia 25, no encerramento das atividades estão programadas palestras sobre Convenções Internacionais sobre Qualidade do Ar, com o Dr. Rodolfo Lay, vice-ministro do Meio Ambiente do México e Cláudio Alonso, mestre em Poluição do Ar. A outra será sobre o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica, com a ministra Dilma Roussef, das Minas e Energia.
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