Incêndio espalha agrotóxico em Assunção

Walberto Caballero AchucarroRed Latinoamericana de Periodistas Ambientales (Red-ambient).

Grande quantidade de agrotóxicos se disseminou em torno do depósito incendiado do Ministério de Agricultura e Ganadería (MAG), sobre a avenida Artigas na entrada do microcentro de Assunção (Paraguai)no último dia 06 de julho. A atmosfera está contaminada de veneno. Ad autoridades do Ministério de Salud Pública y Bienestar Social declararam a área restrita em um raio de 300 metros. Várias famílias foram evacuadas no pior desastre por tóxicos que se registrou em Assunção.

A gravidade do caso, que pode ser classificado de desastre ambiental e de saúde pública, mobilizou as máximas autoridades dos ministérios de Salud Pública, Agricultura, del Ambiente, assim como do Comitê de Emergência Nacional, Municipalidade de Assunção, Corpo de Bombeiros e da Fiscalização do Ambiente.

Tudo iniciou na madrugada de segunda-feira (6), quando irrompeu em chamas o depósito do escritório da fiscalizadora de Algodão e Fumo (OFAT) do Ministério da Agricultura e Ganaderia (MAG). No lugar estavam estocados e incendiaram agrotóxicos muito perigosos para a saúde humana, como os compostos organofosforados, piretróides, glifosfatos, carbonatos, etc.

O ambiente continua infestado de micropartículas dos tóxicos, além do arraste dos mesmos pelos 100.000 litros de água utilizados pelos bombeiros.

Moradores de dois bairros inteiros, San Felipe e San Vicente, ambos da área ribeirinha conhecida como Chacarita, tiveram que ser auxiliados porque apresentaram sintomas iniciais de intoxicação, como enjôos, cefaléias, vômitos, irritações cutâneas e oculares, dificuldades respiratórias, entre outras afecções.

O ar está totalmente contaminado de veneno e o maior temor é que os agrotóxicos também cheguem às águas do rio Paraguai, o que poderia causar uma mortandade de peixes e outras seqüelas ao ecossistema. Não está descartada essa conexão que afetaria inclusive a captação de água do Rio Paraguai para abastecer cidade paraguaias e argentinas.

A reunião interinstitucional concluiu com a adoção das seguintes medidas:

1- Declarar área restrita 300 metros ao redor do depósito.

2- Isolar localmente o foco del problema, que são os restos do

conteúdo tóxico. Para isso o lixo foi coberto com cal viva, areia e capas impermeáveis contra chuva.

3- Retirada de todos os agrotóxicos intactos e seu translado ao depósito da OFAT de Paraguai

4- Retirada dos efluentes acumulados na zona baixa colocando em tambores selados de 120 litros, para seu translado ao aterro sanitário Cateura, depois substituída pela colocação de cal e areia.

5- Coleta de amostras de águas superficiais e subterrâneas, que inclui o controle de qualidade da água do Rio Paraguai.

Passividade judicial

O dano é grave mas a Fiscalização do Ambiente não abriu ainda um sumário criminal de investigação para sancionar os responsáveis pelo desastre. A chefe de fiscalização, Maria Bernarda Alvarez, lavrou ata do sucedido, mas antecipou que serão priorizadas as ações emergenciais para salvar as famílias afetadas e controlar o rescaldo para não sejam causados mais danos. Posteriormente analisará as ações penais de responsabilização.

Conforme o toxicólogo paraguaio Evelio Cardozo, o risco de intoxicação na área afetada é muito alto. Ele recomendou à população da vizinhança para que não retorne à zona afetada, por enquanto. Disse também para que sejam redobrados os cuidados no preparo da alimentação porque o veneno está na atmosfera e podem cair partículas sobre a mesa, utensílios e peças de roupas.

Agrotóxicos que estavam no depósito

Inseticidas: Sumithion (*), Fenvalerate 10 EC (Sumicidin), Benfuracarb 10% EC (Oncol 20 EC), Glyphosate (Roundup), Metribuzin;

Herbicida: Sethoxydin 12,5% WP (Nabu-S);

Fungicidas: Rizolex 50% W, Propiconazole (Tilt), Topsin, Tebuconazole 23,5% EC (Folicur), Curasemilla Homai.

(*) O Sumithion é um organofosforado muito venenoso e o mais tóxico.

Todos são tóxicos e sua inalação ou contato direto produzem enjôos, dores de cabeça, náuseas, vômitos, irritação dos olhos, diarréias, etc. Em pessoas sensíveis (alérgicas) pode ser fatal.

Fiscalização

Brasília (DF) – Começará pela Mata Atlântica a experiência do Ibama de abrir a fiscalização para o controle social. A partir de agora, ações de prevenção e de combate a crimes ambientais no bioma, em todo o país, poderão ser planejadas e executadas com a participação cada vez maior da sociedade civil.

A forma como essa participação poderá acontecer, está sendo discutida durante seminário, em Tamandaré (PE). O evento, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Ibama, terá participação da Rede de ONGs da Mata Atlântica, que representa cerca de 250 entidades, do Ministério Público Federal e da Polícia Federal.

Além de definir as propostas de atuação conjunta do Ibama e da sociedade na proteção ambiental na Mata Atlântica, o seminário também está debatendo novas diretrizes do setor de fiscalização do Ibama. “Trata-se de uma mudança na postura do Instituto, privilegiando a educação e o esclarecimento ao público sem, com isso, perder o caráter ostensivo necessário para a repressão aos crimes ambientais, conforme prevê a legislação em vigor” explica Flávio Montiel, diretor de Proteção Ambiental do Ibama.

A Mata Atlântica é uma das 25 regiões mais ricas em biodiversidade, mas também uma das mais ameaçadas do mundo. Dos quase um milhão e meio de quilômetros quadrados (16% do território brasileiro) que ocupava antes da chegada dos colonizadores, a Mata Atlântica foi reduzida a menos de 10% de sua extensão original. O bioma abrange desde Piauí até o Rio Grande do Sul, e divide-se em fragmentos esparsos no interior das regiões Nordeste, Sul e Sudeste, além de manchas localizadas ao sul de Goiás e do Mato Grosso do Sul.

Os remanescentes de Mata Atlântica abrigam grande variedade de ecossistemas. Alguns deles chegam a conciliar processos ecológicos litorâneos àqueles próprios de florestas tropicais. Apesar da devastação acentuada, o bioma guarda significativa parcela da biodiversidade brasileira, com altos níveis de endemismo (ocorrência de espécies em uma região exclusiva). Em relação à fauna, segundo o Ibama, a Mata Atlântica tem 250 espécies de mamíferos (55 deles endêmicos), 340 de anfíbios (87 endêmicos), 197 répteis (60 endêmicos), 1.023 aves (133 endêmicas – incluindo o Mutum de Alagoas, a ave mais ameaçada de extinção do país. Dos primatas encontrados no país, dois em cada três são oriundos da Mata Atlântica.

Os domínios da Mata Atlântica também abrigam 70% da população brasileira, além das maiores cidades e pólos industriais do país. A intensa ocupação desse bioma evidencia-se pelo grau de devastação da floresta. Hoje, restam apenas entre 7 % e 8% da área da floresta intacta.

Fonte: Ascom Ibama

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