Montezuma Cruz
O rio Mandi, em Teixeirópolis, é a maior vítima do desmatamento em Rondônia. Suas margens perderam 93% da cobertura ciliar. Este é o retrato da situação angustiante que também se estende por reservas florestais e indígenas.
Apesar dos esforços das escolas, cujos professores e alunos fazem campanha pela sua preservação, o Mandi está no caminho de outro rio importante, o Candeias, cujas margens vêm sendo invadidas por madeireiros e sem-terra, às barbas do Ibama, do Incra e da Secretaria do Meio Ambiente.
Pouco ou nada se fez ou se faz para garantir-lhes a sobrevida.
Sobrevida?
Sim, porque há um exército de pessoas à espera do título de propriedade da terra, e o fato da demora na reforma agrária, produz invasões em cadeia.
Pobre Mandi, que tem sua nascente na Reserva em Bloco Margarida Alves, no município de Nova União, um território que vem sendo desmatado aceleradamente desde 1998.
Até seus supostos donos têm culpa no cartório, pois são os primeiros a derrubar árvores nobres. E estão impunes.
O absurdo é que a fúria dos desmatadores não poupa nem a única Reserva Particular de Proteção Natural “Vale das Antas”, adquirida por um comerciante de Ouro Preto do Oeste para a identificação das espécies botânicas e animais ainda existentes na área.
Ali, também, a mata ciliar do rio Mandi vai, aos poucos, se dizimando.
O que faz o governo de Rondônia? O que faz o Ibama? Aonde vamos chegar, senhores?
Cresce a preocupação, a partir do momento em que vão se acumulando novas invasões nas Reservas em Bloco Palmares e Padre Ezequiel e na Reserva Biológica Jaru. No mesmo ritmo, ocorre um enorme estrago nas margens do Rio Roosevelt, no município de Alta Floresta e em Espigão do Oeste.
Por causa da cobiça do diamante, um dos mais puros do mundo.
O restante da história, todos sabem e vivenciam.
Zoneamento
A despeito do badalado zoneamento agroeconômico e ecológico, com fama quase internacional, rios e florestas correm sério risco no estado. Alguém toma alguma providência em Rondônia? Lamentavelmente, poucas vozes se ouvem. Existe um jogo de empurra que se configura cada vez mais nebuloso. E num período de extrema-unção do governo FHC, conclui-se que falta mesmo vontade política.
Autor
Montezuma Cruz é jornalista. E-mail: montezumacruz@globo.com
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