
O brasileiro precisa mudar significativamente de atitude com relação ao meio ambiente, atuar junto com o estado descentralizado, e exercer de fato sua cidadania para evitar o caos sócio-econômico-ambiental e garantir o desenvolvimento sustentável do país. “O apoio e a conscientização da população brasileira são determinantes para a construção de uma nova agenda de trabalho para a gestão ambiental integrada”.
As constatações são do relatório GEO Brasil-2002/Perspectivas do Meio Ambiente no Brasil, coordenado pelo Ibama, que o governo apresentou na Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio+10, em Johannesburgo/África do Sul, no final de agosto.
O relatório – que está sendo distribuído aos presidenciáveis e aos candidatos ao parlamento nestas eleições como subsídio à formulação de políticas públicas – adverte que “os recursos naturais brasileiros só continuarão disponíveis para as futuras gerações se explorados de forma sustentável. Eles não são inesgotáveis”.
O coordenador do GEO-Brasil, biólogo João Câmara, da diretoria de Qualidade Ambiental do Ibama, reconhece que “os avanços da legislação brasileira não foram suficientes para conter a degradação do meio ambiente”. O caminho indicado pelo relatório é a gestão ambiental integrada, estratégica e compartilhada dos recursos naturais e do solo, com a população atuando decisivamente.
Entre as propostas contidas no documento está a criação de um Centro Integrado de
Modelagem e Simulação para formulação e avaliação de cenários ambientais – os atuais e os ideais, cujas informações atualizadas permanentemente ficarão disponíveis em um sistema único de dados sócio-econômico-ambientais e servirão de base para a elaboração de agendas individuais e governamentais.
O documento alerta também para os riscos ambientais provocados pelo transporte inadequado de substâncias perigosas, pela falta de saneamento básico e destino do lixo, e prevê “um novo destino para a Amazônia” se conduzido por um amplo debate democrático que resulte no desdobramento dos programas aos níveis nacional, regional e sub-regional, com ênfase à exploração manejada de espécies alternativas.
Aponta a gestão compartilhada dos recursos hídricos como a saída para a escassez e a contaminação da água – um dos maiores problemas que os brasileiros deverão enfrentar neste século, recomenda um aumento de 10% de áreas protegidas, principalmente para a conservação dos biomas Cerrado e Caatinga (os mais desprotegidos) e, em 150% a ampliação da lista de espécies ameaçadas de extinção.
O GEO (Global Environment Outlook) é o mais importante diagnóstico do progresso alcançado na área do desenvolvimento sustentável nas esferas global, nacional e regional patrocinado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – Pnuma.
Na apresentação do relatório, o ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, ressalta que o imenso acervo de informações e de tendências ecológicas do trabalho servirá de subsídio às políticas e à tomada de decisões governamentais. E o presidente do Ibama, Rômulo Mello, reconhece que a publicação representa um dos maiores esforços nacionais na coleta de dados, na sistematização, na análise e na avaliação ambiental integrada, multissetorial e interdisciplinar, essenciais para o manejo adequado do meio ambiente.
Biodiversidade
O GEO Brasil informa que estão no país 20% de espécies conhecidas pela ciência e trinta por cento das florestas tropicais do mundo – que detêm mais da metade das espécies registradas da fauna e da flora, colocando-o entre os países mais ricos em biodiversidade do planeta. O Brasil possui o maior número de espécies conhecidas de mamíferos, de peixes de água doce e de plantas superiores; é o segundo, em anfíbios e em diversidade de espécies endêmicas; o terceiro, em aves; e, o quinto, em répteis.
A estatística não inclui a grande massa das espécies biológicas vivas – os invertebrados, de difícil avaliação. Mesmo com toda esta riqueza, o documento reconhece que cerca de dois milhões de formas diferentes de vida existentes na biodiversidade brasileira são desconhecidas. Os especialistas que elaboraram o GEO Brasil estimam entre seis a dez vezes maior as 200 mil espécies descritas no país: o grupo de plantas seria 10% maior e, o de vertebrados, cerca de 30%
superior. Os menos conhecidos são os insetos, que representariam cerca de 55% do total de espécies brasileiras.
“A proteção e o uso sustentável dos recursos naturais oferecidos por estes ecossistemas vai garantir a qualidade de vida futura”, adverte o documento ao
responsabilizar a população brasileira atual pela garantia da preservação da natureza. Ampliar em 150% o número de espécies ameaçadas de extinção é a primeira das 16 recomendações para conservar a biodiversidade, enquanto o manejo sustentado é enfatizado entre as dez propostas específicas para salvar as florestas.
Recursos naturais e economia
Um rio não tem preço mas tem valor e este é dado pelo usuário que se beneficia do uso dessas águas. A opinião é da especialista francesa Brigitte Desaigues em informe divulgado pelo ONG argentina Proteger – Amigos da Terra. Ela explica que o trabalho do economista ambiental consiste em reconstituir este valor a partir de observar o comportamento dos indivíduos e inferir o valor que cada um atribui ao ambiente. Por exemplo, tomar banho em um rio e ir pescar supõem para o consumidor tempo e dinheiro; esses gastos são um indicador do benefício que o bem do meio ambiente acrescenta.
Na Europa se gasta horas para chegar a um balneário ou rio onde seja possível pescar. Esse indicador não expressa todo o benefício mas é uma base para
mensurar, advertiu a especialista. As pessoas também gastam para proteger-se de ruídos, poluição, etc. Um indicador é o valor diferenciado das propriedades de acordo com sua localização: se está próxima de uma autopista ou um aeroporto é muito menor.
Desaigues ressaltou a diferença entre os Valores de Uso (como tomar banho ou pescar em um rio) e os Valores de Existência. Este último é “o valor que considera inclusive as gerações futuras”. Esse indicadores foram usados no Alasca para medir o valor do dano causado pelo derrame de petróleo da Exxon Valdez.
Fonte: www.proteger.org.ar
Faxineiras do ar
Árvores tropicais podem ser uma alternativa para limpar a atmosfera, caso dobre a concentração de gás carbônico, de acordo com estudos realizados no Instituto de Botânica de São Paulo. As pesquisas indicam que o jatobá (Hymenaea courbaril), uma árvore extremamente adaptada aos ecossistemas brasileiros e encontrada em praticamente todas as latitudes do território nacional, pode ser um bom candidato a desempenhar o papel de faxineiro do ar – ou, no mínimo, mostrar como essa tarefa poderá ser desempenhada por outras plantas. Quando cultivadas por três meses num local com 720 ppm (partes por milhão) de gás carbônico, o dobro da atual concentração atmosférica, as mudas de jatobá duplicam a sua absorção de gás carbônico e produção de açúcares (carboidratos) e aumentam em até 50% a sua biomassa.
Fonte: Revista da Fapesp

O perigo dos peixes ornamentais
A importação de peixes ornamentais pode estar colocando em risco as espécies brasileiras segundo um alerta do professor de Aquicultura da Universidade do Norte Fluminense, Manuel Vasques, responsável pela última palestra do I Encontro sobre Patologia de Organismos Aquáticos, promovido durante quatro dias pela Fiperj – Fundação Instituto de Pesca do Rio de Janeiro, da Secretaria estadual Agricultura.
Em sua palestra o professor afirmou que a maioria dos 1.800 produtores brasileiros de peixes ornamentais, rurais e urbanos, trabalha com peixes importados. “Muitas vezes esses peixes são nativos que foram geneticamente modificados no exterior e voltam ao Brasil contaminados com doenças que nossas espécies não possuem”, destacou, acrescentando que 99% da exportação brasileira do setor são de peixes capturados em pesca predatória, principalmente na região de Barcelos, no Alto Amazonas, e no Pantanal.
Entre as patologias, destaca-se a Lérnia, que entrou no Brasil na década de 80 com a importação de carpas da Hungria. Trata-se de um parasita externo, que se fixa na lateral do corpo do peixe, de onde retira nutrientes, e pode ser visto, o que anula seu valor comercial. Quando o parasita é retirado, deixa ferida no local. O tratamento requer aplicação de bactericida de grande impacto, o que causa danos ambientais. A solução, segundo Manuel Vasques, é o tratamento profilático, com a mudança constante de tanques.
Fonte: Agência Brasil

Novo método
Recursos naturais: valor de uso e valor de existência.
Foto: Maria do carmo Zinato
Uma tendência crescente em Paris, segundo a especialista, é a aplicação do “método contingente”, que analisa a disposição do consumidor a pagar para receber melhor qualidade de vida. Esse tipo de contrato leva a mudanças benéficas ao meio ambiente; por exemplo motiva os agricultores a modificar seu comportamento sem receber uma compensação econômica. Também foi mencionado o caso dos habitantes de Boulder, (Colorado) que podem optar por comprar até 20% de energia eólica, para salvaguardar a paisagem privilegiada com altas montanhas, ideal para esquiar mas onde o céu é cada vez menos azul pela contaminação.

Leave a Reply