Povo brasileiro – este herói!

Ao visitar uma praia do Nordeste em um sábado ensolarado não se pode deixar de pensar no grande paradoxo que é pintar o Nordeste com as cores do coitadismo, da baixa estima, da pobreza, do atraso, como com freqüência tem sido feito nesta campanha eleitoral por políticos de todas as matizes. Aliás, só o Nordeste não, todo o país retratado é uma mazela.

Mas o país real não tem nada a ver com essa caricatura, endossada por uma imprensa que tem orgasmo com a tragédia, que adora noticiar tudo de ruim e negativo e que se envergonha quando precisa dar uma notícia positiva.

Presenteado pela natureza com um litoral paradisíaco o Nordeste vem superando como uma garra inquebrantável os aspectos negativos e principalmente sua classe política que desejando manter a tutela sobre a população faz do coitadismo sua bandeira de luta e insiste em que política é sinônimo de caridade.

Mas a população está lá, ganhando honestamente seu pão de cada dia, com um permanente sorriso no rosto e a humildade e gentileza em cada gesto que encantam o turista. Foi ela que descobriu sozinha que o turismo pode dar emprego e sustento para todos mas que para isso é preciso manter a praia limpa, tratar bem o visitante, não explorar e nem enganar para que ele volte e recomende aos amigos, garantindo um fluxo permanente.

Enganam-se os que pensam que essa gente, como de resto toda a população brasileira, quer esmolas, isenções e favores. Ela quer, sim, dignidade. Quer ganhar o suficiente para pagar em dia suas contas e seus impostos. Quer continuar sonhando com sua casa própria, boas condições de salubridade, escola para que seus filhos possam ter um emprego melhor.

É esse Brasil, do vendedor de queijo assado, de caldinho de feijão e de bebida na praia – que são empregos, sim – que não aparece nas estatísticas mal humoradas de um mercado que só vê cifrões na frente, de políticos que têm fórmulas mágicas para todos os males (reais ou imaginários) e de manchetes que só ressaltam os feitos do tal “crime organizado”, que vai deixando para trás, pouco a pouco o subdesenvolvimento.

O que precisamos mais do que nunca é olhar com respeito e admiração para esse povo criativo e inteligente que vai faceiro para uma urna eletrônica votar em seis candidatos diferentes sem pestanejar e com desenvoltura, dando um baile nas eleições dos chamados países desenvolvidos.

É esse povo que conquistou sozinho uma posição invejável na exploração de petróleo em águas profundas, na fabricação de aviões, que descobriu rapidamente como transformar o álcool em combustível automotivo, que fez uma revolução nas telecomunicações, na informática, na qualidade empresarial, que continua a ser ignorada pelo mercado, pelo políticos e pela imprensa que o despreza insistindo em ressaltar somente as carências.

Pensando bem acho que a classe política brasileira não merece o povo que tem!

Recado

Se pudesse mandar um recado tenho certeza de que diria: senhores cumpram a sua obrigação cuidando da educação, da assistência à saúde, de proporcionar condições para que tenhamos boa infra-estrutura de saneamento, uma política de habitação permanente. E sobretudo sejam honestos. Deixem o resto conosco. Nós sabemos muito bem como fazer. Afinal temos sobrevivido a mandos em demandos, a planos mirabolantes, a trocas de moedas, ao sobe e desce do dólar”.

Autora

Cecy Oliveira é jornalista, editora da Águaonline.

Edições anteriores

Como forma de orientar nossos leitores estamos listando alguns dos artigos já publicados neste espaço identificando o número da edição, o título e o autor.

128 – Os hidromercenários – Heraldo Campos;

127 – Os avanços de Johannesburg – Vitor Gomes Pinto

126 – Agenda 21 versus Commodities Ambientais – Lucas Matheron;

125 – A importância dos CREAs no debate sócio-ambiental – Amyra El Khalili;

124 – O lado bom de Quioto – Sidney Grippi;

123 – A importância de oceanos sadios para o combate à pobreza – Anne Platt McGinn;

122 – Planejamento em Educação Ambiental: Pressupostos e Procedimentos Sergio Luis Boeira;

121 – Preservar é preciso, mas o que isto significa?! – Renata Vieira Conde;

120 – DIAA0-2002 – Maurício Pardon e Ricardo Sanchez Sosa;

119 – Quem nada em praias poluídas fica doente? – Cláudia Condé Lamparelli;

118 – Baia da Guanabara: Lições ambientais – Vilmar Berna;

117 – Vítimas da Sede – José Eduardo Rocha;

116 – Educação Ambiental é solução para problemas do Meio Ambiente? – Mauro Guimarães;

115 – Aprender com a cabeça e o coração – Sérgio Luis Boeira;

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