Condições ambientais afetam a saúde das crianças

foto: Acervo OMS: P. Virot

Nossa principal prioridade em matéria de saúde e desenvolvimento deve ser investir no futuro: nas crianças e nos jovens, um grupo particularmente vulnerável aos perigos ambientais. Precisamos de um movimento mundial pela saúde ambiental das crianças, cujo principal objetivo seja prevenir milhões de mortes incapacidades que afetam as crianças. Essa conclamação foi feita pela Dra. Gro Harlem Brundtland, pioneira do desenvolvimento sustentável e Diretora Geral da Organização Mundial da Saúde, durante a Cúpula da terra, em Johannesburg.

Segundo os dados mais recentes de que se dispõe, os ambientes pouco saudáveis são causa de morte de muitas crianças. Cerca de 1/3 das 13.000 mortes infantis que se registram cada dia se devem aos perigos que estão presentes nos locais onde as crianças vivem, brincam e aprendem. Ou seja: as enfermidades relacionadas com o meio ambiente matam a cada 45 minutos um número de crianças equivalente ao de passageiros de um avião jumbo.

As crianças que conseguem sobreviver a esses perigos podem ficar física ou mentalmente incapacitadas para o resto de suas vidas, de modo que serão tolhidas de desenvolver ao máximo seu potencial e de contribuir plenamente para o desenvolvimento de seus respectivos países.

Os perigos ambientais são cada vez mais numerosos. Entre os fatores que afetam o ambiente onde vivem as crianças destacam-se a crescente industrialização, o explosivo aumento da população urbana, a falta de medidas para lutar contra a contaminação, as deficiências em matéria de eliminação de despejos, o consumo em condições não sustentáveis dos recursos naturais e o uso indevido de substâncias químicas.

Conforme as estatísticas, cerca de 1/3 da carga mundial de morbidade (para todas as idades) é atribuível a fatores de risco ambientais. Mais de 40% dessa carga recai sobre as crianças menores de cinco anos, embora elas sejam só 10% da população mundial. No caso das crianças menores de cinco anos, cabe atribuir ao ambiente pouco saudáveis a maior parte dos 1,3 milhão de mortes por enfermidades diarreicas, dos 2 milhões de mortes por infecções respiratórias agudas, do 1 milhão de mortes por paludismo ou outras doenças infecciosas e das 400.000 mortes imputáveis aos acidentes, o que eleva esta estatística sinistra a 4,7 milhões de mortes evitáveis no ano 2000.

Ainda que a carga atribuível aos problemas de saúde associados a motivos ambientais afete a todas as crianças, independente de seu nível sócio-econômico, as crianças pobres são as que correm maiores riscos, já que a pobreza acentua os efeitos dos fatores de risco ambientais. Essas crianças expostas a altos riscos não só vivem nas regiões e nos países pobres, mas também em comunidades e famílias pobres dos países ricos.

Nos lugares mais pobres do mundo, uma em cada cinco crianças não ultrapassa os cinco anos de idade, devido em grande parte a doenças relacionadas com o meio ambiente.

Os mais vulneráveis

foto: Acervo OMS: P. Virot

As crianças são extremamente vulneráveis aos perigos ambientais porque respiram mais ar e consomem mais água e comida em relação a seu peso do que os adultos. Seu sistema imunológico, seu aparelho digestivo e reprodutor e seu sistema nervoso central são mais vulneráveis do que os dos adultos. Além disso, elas vivem mais perto do nível do solo, o que faz com que se tornam mais expostas a condições insalubres e a substâncias químicas perigosas.

Os dois problemas principais que os locais não saudáveis provocam nas crianças são as doenças infecciosas, devido à falta de água saudável e de condições adequadas de disposição dos esgotos e as infecciones respiratórias agudas quando aos altos níveis de contaminação do ar em espaços fechados se soma a precariedade das casas.

As crianças também podem sofrer de outros problemas atribuíveis a um entorno pouco saudável, por exemplo: asma, transtornos neurológicos ou câncer. A iniciativa promovida pela Dra. Brundtland, baseada em dados cientificamente comprovados, abarca seis esferas importantes de riscos ambientais que afetam as crianças do mundo inteiro:

qualidade da água utilizada para fins domésticos e higiene e saneamento;

contaminação da ar em espaço fechados ou no exterior;

vetores de doenças (por exemplo, mosquitos que transmitem o paludismo);

substâncias químicas (praguicidas e chumbo); e acidentes e traumatismos.

Medidas

foto: Acervo OMS: P. Virot

As medidas de intervenção-chave consistem, entre outras coisas no seguinte:

melhorar os serviços de abastecimento de água e as instalações sanitárias;

destacar a importância de lavar as mãos com água e sabão;

instalar fogões e cozinhas mais seguros e ventilar suficientemente as casas;

utilizar gasolina sem chumbo nos veículos;

dormir com mosquiteiros tratados com inseticidas para proteger-se contra os mosquitos que transmitem o paludismo;

amamentar os bebês.

Aliança mundial

Para a iniciativa de Ambientes Saudáveis para as Crianças, se tratará em primeiro lugar do seguinte:

mobilizar tanto os associados como as pessoas para que participem em um movimento de ampla base, popular e participativo;

dar aos governos e a seus interlocutores locais os meios para ampliar e intensificar suas atividades;

assegurar o acesso à informação científica relativa aos fatores de risco e as intervenções mais eficazes sob o ponto de vista de custos;

fomentar a cooperação entre as nações do mundo e dentro dos diferentes setores de cada país (por exemplo, os dedicados ao meio ambiente, o transporte, a energia, a habitação, etc.);

avançar em direção ao objetivo fixado utilizando como base o trabalho desenvolvido por instâncias decisórias, professores, professionais da saúde e ONGs e pelo setor privado e as famílias.

Violação

“Os ambientes perigosos e pouco saudáveis constituem uma violação do direito das crianças à saúde e impedem de satisfazer suas necessidades básicas de sobrevivência. Devemos acabar com isto antes que seja demasiado tarde. Não existe nenhuma desculpa para não fazê-lo: dispomos já de instrumentos e estratégias relativamente baratas e de eficácia comprovada que permitem reduzir e eliminar os perigos biológicos, químicos e físicos que estão presentes no ambiente em que vivem as crianças. É urgente assegurar em todas as partes do mundo o acesso a esses instrumentos”, declarou a Dra. Brundtland.

Uma vez que haja ambientes saudáveis, se terá dado um passo importante para a proteção do potencial intelectual, social e econômico das crianças, que são o futuro de nossas sociedades. O desenvolvimento sustentável só poderá se tornar realidade se nos preocuparmos que o ambiente onde vivem as crianças sejam saudáveis e seguros”, afirmou a Dra. Brundtland.

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