As propostas para o Meio Ambiente

Os debates que antecederam à Rio+10 serviram também para identificar os pontos de vista dos candidatos à Presidência da República sobre as questões do desenvolvimento sustentável. À exceção de Ciro Gomes, os demais candidatos fizeram chegar aos participantes do encontro preparatório suas idéias para o desenvolvimento sustentado.

José Serra

Fabio Feldmann, que falou pela coligação PSDB/PMDB, do candidato José Serra, defendeu que a sustentabilidade passa por aspectos como a eqüidade social, a conservação do meio ambiente, a responsabilidade empresarial – que implica também responsabilidade do consumidor -, uma maior participação no processo decisório e a implantação de políticas públicas de médio e longo prazos.

Em sua avaliação, o novo presidente da República, seja lá quem for, enfrentará enormes dificuldades, o que requer a construção de uma agenda mínima que lhe garanta sustentabilidade política.

Luis Inácio Lula da Silva

Para Cristovam Buarque, representante do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação PT/ PL/ PMN/ PCB/ PCdoB, há quatro tipos de sustentabilidade a serem consideradas: a política, a ambiental, a econômica e a social, sendo essa última a apontada por ele como “elemento mais importante”.

Em sua avaliação, mais importante do que o processo eleitoral que se avizinha é a criação de um movimento suprapartidário que viabilize uma segunda abolição para o Brasil: a abolição da pobreza, o que, para ele, não se resume a garantir uma renda diária superior a US$ 1, mas sim acesso a comida, educação, saúde, transporte público e moradia com água potável e esgoto.

Anthony Garotinho

Já na avaliação de Wanderley de Souza, que falou pelo candidato Anthony Garotinho, da coligação PSB/ PGT/PTC, é necessária a construção de cinco compromissos: com a soberania, com a solidariedade, com o desenvolvimento, com a democracia ampliada e com a sustentabilidade. A assunção de tais compromissos objetiva o combate ao desemprego, à fome, à miséria, além de melhorar a distribuição da riqueza e a redução das desigualdades regionais que, em sua opinião, chega a comprometer o pacto federativo.

Agência Câmara

Repercussão

A 5ª Conferência Latino-americana sobre Meio Ambiente (Ecolatina 2002) vai reunir na capital mineira os maiores especialistas de diferentes países da região, que também participaram da Rio+10. Durante a Ecolatina, de 24 a 27 de setembro, no Minascentro, estes especialistas vão analisar os impactos, para a América Latina, das resoluções da cúpula mundial.

Os debates se centralizarão no dia 25, durante o 4º Fórum Latino-americano Sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Entre outros, já confirmaram presença o diretor geral do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Caribe (Pnuma), o cubano Ricardo Sanches; o coordenador da Rede de Formação Ambiental do Pnuma, Enrique Leff, um dos maiores especialistas do mundo em educação ambiental; a diretora da Divisão de Meio Ambiente e Assentamentos Humanos da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal), a chilena Alícia Bárcena; e o ministro do Meio Ambiente do Brasil, José Carlos Carvalho, entre outros. Interessados na Conferëncia podem buscar informações em www.ecolatina.com.br

Mudança necessária

O único ponto em comum obtido na Rio+10, segundo os analistas, foi a conclusão de que esta foi, provavelmente a última grande reunião mundial deste tipo pois os gastos de mais de US$ 100 milhões para resultados tão acanhados não se justificariam mais. Mesmo o presidente Hugo Chavez, da Venezuela, um dos países da OPEP, chegou a comentar que a cúpula não produziu debates e nem diálogo. “Pareceu uma conversa de surdos”, disse .

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