A importância dos CREAs no debate econômico sócio-ambiental

Amyra El Khalili

No III Seminário de Água-Negócios, tendo como tema central a “Bacia Hidrográfica do Rio Doce” promovido pela Sociedade Mineira de Engenheiros Agrônomos – SMEA, juntamente com a Prefeitura Municipal de Governador Valadares, EMATER/MG, Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM, Agência Nacional de Águas – ANA e o Comitê da Bacia do rio Doce, no período de 14 a 16 de agosto de 2002, no Garfo Clube em Governador Valadares, tive a oportunidade de debater sobre o tema “Commodities Ambientais” juntamente com as lideranças do profissionais que congregam os CREAs – Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura. Discutimos sobre o importante papel destes profissionais para a formação do Mercado de Commodities Ambientais.

Quando lidamos com meio ambiente, estamos tratando de assuntos que exigem uma série de especializações em função das peculiaridades de cada projeto. Nos projetos em Commodities Ambientais, cujas matrizes são a água, energia, biodiversidade, madeira, minério, reciclagem e controle de emissão de poluentes (água, solo e ar), será fundamental a multidicisplinaridade para que os economistas possam desenvolver ferramentas e estruturar projetos econômico- financeiros de acordo com as necessidades de cada setor.

Existem várias oportunidades de trabalho que se abrem a partir da formação deste novo mercado, sendo necessário treinar profissionais para exercer atividades em: a) Projeto e Implementação; b) Monitoramento; c) Avaliação e Perícia; d) Auditoria e Certificação.

Cada uma destas funções deve ser atribuída a profissionais distintos, para evitar conflitos de interesses, ou seja, quem monitora não pode ser o implementador do Projeto, e aquele que audita ou certifica não pode ser o mesmo que faz avaliação ou realiza a perícia. O mesmo acontece quando lidamos com as especificidades da profissão de economistas, assim sendo, quando o economista está trabalhando no projeto econômico-financeiro não pode ser auditor financeiro e contábil dos projetos.

O objetivo do “Mercado de Commodities Ambientais”é abrir o mercado de trabalho para as comunidades através da produtividade agro-ambiental, agro-florestal, industrial, de comércio e serviços com planejamento urbano e sócio- econômico, estimulando a migração da população das grandes cidades para as cidades do interior, destacando a importância da agricultura sustentável e o ordenamento da construção civil em harmonia com o meio ambiente.

A engenharia de produção e planejamento proporcionarão os subsídios necessários para a operacionalização da engenharia financeira, cuja função primordial será captar recursos para o financiamento dos projetos e torná-los economicamente viáveis.

A participação dos CREAs no fomento e regulamentação deste novo mercado em conjunto com outros conselhos profissionais classistas é fundamental, uma vez que a conscientização ambiental não acompanha a degradação do meio ambiente, esta um reflexo da degradação social e da desumanização do capital.

Não há como preservar o meio ambiente sem preservarmos em primeiro lugar o mercado de trabalho para todos.

Edições anteriores

Como forma de orientar nossos leitores a partir dessa edição vamos listar alguns dos artigos já publicados neste espaço identificando o número da edição, o título e o autor.

124 – O lado bom de Quioto – Sidney Grippi

123 – A importância de oceanos sadios para o combate à pobreza – Anne Platt McGinn;

122 – Planejamento em Educação Ambiental: Pressupostos e Procedimentos Sergio Luis Boeira;

121 – Preservar é preciso, mas o que isto significa?! – Renata Vieira Conde;

120 – DIAA0-2002 – Maurício Pardon e Ricardo Sanchez Sosa;

119 – Quem nada em praias poluídas fica doente? – Cláudia Condé Lamparelli;

118 – Baia da Guanabara: Lições ambientais – Vilmar Berna;

117 – Vítimas da Sede – José Eduardo Rocha;

116 – Educação Ambiental é solução para problemas do Meio Ambiente? – Mauro Guimarães;

115 – Aprender com a cabeça e o coração – Sérgio Luis Boeira;

114 – Exaustão de lençol freático: ameaça oculta à segurança alimentar – IIMA;

113 – Conseqüências econômicas e sociais da crise dos recursos hídricos – TCU;

112 – Um novo padrão monetário – Marcus Azaziel;

111 – Educação, conscientização e mobilização para salvar a água – Marco Tulio Motta;

110 – Um novo modelo de desenvolvimento – Angelo José Rodrigues Lima.

Autora

Amyra El Khalili é Economista, Presidente da ONG CTA, Co-Editora da Rede Internancional de Comunicação CTA-JMA. Coordenadora do Projeto CTA-SINDECON-ESP e membro da Diretoria do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo. email: ongcta@terra.com.br

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