Água: não ao desperdício, não à escassez

Maurício Pardón – Diretor, Saúde e Ambiente, OPS/OMS

A água é um bem fundamental. Muitos consideram que é ilimitado pois faz parte dos ciclos da natureza. Entretanto sua abundância nem é tão certa nem sua presença tão permanente.

Apesar de cumprir um papel transcendental para a saúde, a agricultura, a indústria e a própria vida, muitas vezes a água é menosprezada, seja porque a usamos perdulariamente ou porque não valorizamos devidamente seus custos de tratamento.

Neste 2002, ao completarem-se dez anos da Iniciativa do Dia Interamericano da Água, nos sentimos duplamente comprometidos com os objetivos do DIAA e com o lema deste ano que diz com ênfase, Água: não ao desperdício, não à escassez! Confiamos em que o lema cumprirá sua intenção de promover a participação ativa dos diferentes atores da sociedade e em especial das autoridades locais, dos educadores, dos comunicadores e das comunidades a fim de concretizar melhores práticas de consumo de água cada dia.

Para nossa Organização, este ano é especial já que cumprimos 100 anos de serviço à saúde internacional. Nossos esforços são postos à disposição de homens e mulheres de língua francesa, espanhola, inglesa, portuguesa e de idiomas nativos, todos eles irmanados na Região por um mesmo sonho: melhorar nossa qualidade de vida, ampliar nossas oportunidades e diminuir as desigualdades.

Por isso amigos, conclamamos todos a refletirem sobre o que aconteceria se de repente deixássemos de ter água?

O que ocorreria em nossas casas, em nossos bairros, em nossas cidades e campos?

Como enfrentaríamos tais situações?

A melhor resposta é começar a fazer uso racional deste recurso vital, é entender que é finito e vulnerável e, sobretudo, que sua disponibilidade depende da forma como hoje o usemos.

Veja mais posicionamentos sobre esse tema em Semana da Água e Saiba+.

Pnuma

Nossos recursos hídricos se encontram submetidos a um uso intensivo devido ao crescimento da produção agrícola, além do desenvolvimento urbano e industrial. A Região das Américas tem importantes recursos hídricos, mas devemos entender que sua distribuição espacial é desigual, quer dizer, que há regiões com muita água, mas há outras que por sua natureza carecem dela. Isto deve ser levado em conta no planejamento do desenvolvimento das sociedades e de suas atividades econômicas. Além disso é importante contemplar a dinâmica das bacias hidrográficas para não afetar os que habitam a jusante, como é o caso das zonas costeiras onde vivem mais de 60% da população mundial. É reconhecido publicamente, também que 70% das danos aos sistemas marinhos e costeiros são produzidos pelas atividades que se realizam em terra firme e as principais são a descarga de águas residuais e a construção de reservatórios de água a montante.

O Escritório Regional para América Latina e Caribe do PNUMA se une com entusiasmo à iniciativa do Dia Interamericano da Água para promover o cuidado e a conservação dos recursos hídricos em beneficio da saúde humana e dos ecossistemas. Água: não ao desperdício, não à escassez!

Ricardo Sánchez Sosa – Diretor Regional para América Latina e Caribe, PNUMA/ORPALC

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