Um planeta chamado água

Quando em 1938, Orson Welles transmitiu “A Guerra dos Mundos”, muitos ouvintes estavam dispostos a acreditar nos marcianos. Depois de tudo, os astrônomos vinham debatendo, desde algum tempo, sobre se as marcas visíveis na superfície do Planeta Vermelho seriam aquedutos ou campos com vegetação. Por que os marcianos não poderiam ser agressivos?

Entre os leigos (e alguns cientistas) a idéia que Marte era similar à Terra — cálido, úmido e com vegetação – persistiu por décadas, até que a primeira nave espacial visitou Planeta. As missões Mariner, lançadas ao final da década de 60 mostraram o Marte real: densamente coberto de crateras, com vulcões apagados, mais frio do que a Antártica e mais seco do que o deserto do Saara. Não havia árvores, nem canais, nem marcianos — !e muito pouca atmosfera! “A Guerra dos Mundos ” tinha sido, depois de tudo, só fantasia.

As missões posteriores se encarregaram de confirmar um novo paradigma: Marte tinha sido, um dia, úmido, mas agora está seco. As fotos das naves espaciais que chegaram a Marte revelam as ondas deixadas por antigos rios, lagos e possivelmente até um oceano. Poderiam ter estado cheios de água há bilhões de anos, mas algo aconteceu – ninguém sabe o que pode ter sido – e o planeta se transformou em um deserto global.

Informação recente parece indicar que onde quer que esta umidade tenha ido, é possível que não tenha desaparecido para sempre. Sem dúvida, a água pode ter estado fluindo em Marte “ontem ou no ano passado, literalmente” declara James Garvin, Científico chefe Para a Exploração de Marte nos Escritórios Centrais da NASA. Aumenta a evidência de que a água se encontra abaixo da superfície do planeta, disse. E ainda: cada certa quantidade de séculos, as condições podem mudar e a água pode “deslocar-se” também para a superfície.

Onde está a água?

Os primeiros indícios sobre a presença de água próximo da superfície de Marte apareceram durante o ano 2000, com as imagens da Câmara Orbital de Marte (MOC) a bordo da nave Mars Global Surveyor, da NASA, onde foi possível detectar centenas de sistemas de leitos e barrancos delicadamente marcados sobre a superfície marciana. Cada leito tinha somente uns 10 metros de largura (as missões anteriores não eram capazes de fotografar detalhes tão pequemos desde a altura de suas órbitas) e um sistema completo poderia checar somente uma dúzia de quadras de uma cidade. Este terreno esculpido, com padrões de riveras e acumulações de despejos, em forma de leque, se assemelha muito aos leitos dos arroios marcados por inundações torrenciais repentinas, nos desertos da Terra.

Dezenas destes sistemas de leitos surgem nas encostas sombreadas dos morros que se voltam para as calotas de gelo polar. Sua geometria sugere que “volumes de água, capazes de encher uma piscina, poderiam estar sepultados sob o solo, até que de repente o ambiente se torne suficientemente cálido como para derreter o tampão de gelo, permitindo que a água se libere correndo ladeira abaixo”, disse Garvin.

Muitos dos sistemas de leitos parecem ser muito recentes – nitidamente esculpidos e cruzando topografias polidas pelo vento. Seu aspecto é tão fresco, que motivou o geólogo planetário e desenhista da MOC, Mike Malin, a pensar que Marte “pode ter experimentado mudanças globais maciças e de curta duração, durante as quais a água pode aparecer e retirar-se, em prazos que se pode medir em centos de anos”. Realmente, disse Garvin, os cientistas se perguntam se a água líquida poderia existir hoje em Marte, sepultada em algumas áreas uns 500 metros abaixo do solo, e que “poderia existir um ciclo dinâmico da atmosfera funcionando até hoje”.

As descobertas realizadas com a MOC têm sido corroboradas por informação obtida com outro instrumento da mesma nave, o Altímetro Laser Orbitador de Marte. Durante 27 meses – um período de tempo mais longo do que um ano marciano (687 dias terrestres) – o orbitador mediu diariamente as alturas das calotas polares do Planeta Vermelho, registrando meticulosamente a quantidade de material gelado acumulado no inverno e erodido (sublimado ou evaporado) durante o verão de cada hemisfério. O equipamento comprovou que cada calota de gelo tem um volume tão grande como o da capa de gelo de Groenlândia, n Terra.

Mudanças

As calotas polares sofrem mudanças durante o verão, em cada hemisfério. Eles encolhem de tal maneira, que de fato, se a tendência observada continuasse por só alguns séculos, cerca de 1/3 de cada calota polar poderia evaporar-se dentro da atmosfera de Marte. Isto aumentaria a pressão atmosférica de 6 mb a 30 ou 40 mb (a pressão atmosférica na Terra é de cerca de 1 000 mb) – uma pressão suficiente para que a água, sob certas condições de temperatura, permaneça estável sobre a superfície do planeta. Isto significa, que talvez há somente um ou dois séculos, Marte poderia ter sido “suficientemente aprazível para que charcos de água” salpicassem a superfície, como oásis no deserto, disse Garvin – e as tendências atuais sugerem que estas condições talvez voltem.

Todos estes argumentos nos levam à famosa pergunta: existiu – ou existe – vida em Marte? “Seguir a pista da água tem sentido se estás buscando biologia”, declarou Garvin. “Se pudéssemos encontrar evidência de água líquida preservada em Marte, seria como encontrar o Santo Gral”.

Buscar água é em realidade uma das missões principais da nave Mars Odyssey, cuja antena de alta potência foi ativadaa em 6 de fevereiro de 2002, e cujos instrumentos começaram a cartografar Marte em final de março. A câmara multiespectral da Odyssey obtém simultaneamente imagens de Marte em numerosas freqüências de infravermelho (entre os 8 e 20 micrômetros) com uma resolução, do tamanho de um campo de futebol, sem precedentes, buscando “ondas” termais e minerais de infiltrações, géiseres vulcões ou depósitos de água subterrâneos.

Gelo seco

Apesar de que a capa de gelo superior das calotas polares está claramente composta de dióxido de carbono, os cientistas estão convencidos de que grande parte do os pólos, deve ser água congelada – estruturalmente, “o gelo seco não pode manter-se além dos três quilômetros de altura”, destaca Garvin.

Créditos e contatos

Autores: Trudy E. Bell, Dr. Tony Phillips

Funcionário responsável da NASA: Ron Koczor

Editor de Produção: Dr. Tony Phillips

Curador: Bryan Walls

Relações com os Meios: Steve Roy

Tradução para e espanhol: Jorge Ianiszewski

Tradução de Gráficos: Boris G. Simmonds

Editor em espanhol: Hector Medina

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