Gert Roland Fischer
Tenho me questionado, perguntado aos outros estudiosos inclusive de outras nações, colocado questões para os responsáveis pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, levantado o tema nas minhas conferências apresentadas para os mais diferentes auditórios e público: o que fazemos nós brasileiros em relação ao compromisso nacional de minimização e remediação dos problemas climáticos em andamento?
Sabe-se também que nenhum ou até algum insignificante recurso foi liberado para projetos inovadores e inéditos de remediação dos efeitos climáticos ligados à produção de energia alternativa sustentada; dos mecanismos de reintrodução de oxigênio para recuperação da camada protetora de ozônio filtrante dos raios cósmicos – entre eles os ultravioleta – UV.
Sabe-se que muitos dos nossos pesquisadores, cientistas e estudiosos autodidatas sem aqueles pomposos títulos garimpados nos cursinhos de MBA, entre tantos outros caça-níqueis da modernidade, possuem centenas de estudos e projetos que aguardam há anos pequenos aportes de capital para poderem até, construírem maquetes, protótipos e projetos-piloto experimentais. A perversidade nacional da gestão do dinheiro público e privado, chega às raias do “fantástico e do inacreditável”.
Por outro lado não estamos autorizando o Executivo ou mesmo através de Lei do Legislativo, qualquer tipo de recurso para projetos inéditos e inovadores os quais tratarão de amenizar a fome, a sede, o desconforto do calor excessivo, dos incêndios florestais espontâneos, das enchentes-surpresa e fulminantes, entre outras catástrofes que estão sendo fabricadas pela mão do próprio homem, que não soube e não está sabendo tratar com respeito o único planeta que temos – a TERRA.
Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas
Como participante catarinense da lista nacional patrocinada pelo FBMC tenho me dedicado e levado questionamentos inúmeros aos participantes, principalmente aos responsáveis oficiais abordando temas como:
1 – Que estudos temos nós catarinenses e gaúchos em relação ao aumento dos períodos de secas que ocorrem nos últimos anos no oeste de SC e norte do Rio Grande do Sul, regiões que geram pela exportação mais de 10 % das divisas nacionais como resultado do trabalho, competência e dedicação propiciadas por um trabalhador que produz frutas, carnes, programas de computação, tecidos, móveis, cerâmica, entre outros?
2 – Em Blumenau e outras regiões de imigrantes italianos, alemães, poloneses, ucranianos, húngaros, suíços, dinamarqueses, estão ocorrendo de forma crescente, lesões de pele e câncer atribuídas aos raios UV. Se a destruição da camada de ozônio continuar se expandindo, como tem os estudiosos repassado para a mídia nas últimas décadas, o que será dos povos imigrantes que colonizaram diversas regiões no Sul do Brasil e que aqui vivem, diante do impacto dos raios UV?
3 – A poluição da atmosfera por combustíveis sólidos especiais, não estaria alterando a temperatura em determinadas camadas da alta atmosférica terrestre, causando irreversíveis desequilíbrios pelas impurezas dos metais pesados?
4 – Quanto ao aumento da velocidade dos ventos, do aumento do nível do mar, diminuição do O³, estudos de plantas resistentes aos raios UV, entre outros, que temos hoje de projetos de alternativas sustentáveis e ecologicamente viáveis, nas prateleiras das universidades brasileiras?
5 – Quais seriam os participantes dos grupos de trabalho do FBMC que estão viabilizando recursos para facilitar a implantação de projetos-piloto de geração de energias alternativas? Cito o caso da energia das ondas do mar para produção de energia elétrica localizada?
6 – Qual o grupo no FBMC que estuda modificações e adaptações nos currículos das escolas de Engenharia, Arquitetura, Mecânica, Ambiental, etc., todas envolvidas diretamente com as mudanças climáticas? Ventos de 200 km/h; um metro de aumento do nível do mar; temperaturas de até 50° C ou mais; grandes incêndios florestais; entre tantas outras alterações que iremos assistir, estariam sendo inseridos nas novas cátedras de mudanças climáticas das universidades brasileiras?
7 – Já foram criados cadastros e bolsas de projetos brasileiros com âncoras nas mudanças climáticas elaborados e em montagem por pesquisadores, pós-graduandos, trabalhos de doutorado e mestrado, pesquisadores autônomos e empreendedores da iniciativa privada?
8 – Estarão sendo catalogados recursos financeiros reais desvinculados do poder-pelo-poder e que possam sem cartórios e elitismo – serem disponibilizados para projetos inovadores que aplicam técnicas e conceitos de alternativas sustentáveis da energia, mesmo quando vindos de setores progressistas e não tradicionais do saber e da inteligência?
Certamente essas ações e esses compromissos do Fórum, não estão sendo ainda lidos na lista do FBMC. Mas já poderiam estar lá!
Tem-se a impressão que estamos assistindo a um filme de ficção, e que ao sairmos do cinema, notaremos que tudo não passou de um filme fantasioso.
Acredito que o FBMC tem um compromisso bem maior com o povo brasileiro sem perder de vista o cenário holístico de problemas que criamos nos últimos 100 anos.
Commodities Ambientais
Elaborado por Amyra El Khalili e Serrano Neves, o conceito é uma síntese feita a partir dos debates e documentos originados da sociedade civil organizada, e setores privados e governamentais, relativos às propostas para gestão dos recursos naturais e conflitos sociais. O modelo macro econômico brasileiro- Commodities Ambientais objetiva manter o Estado Democrático de Direito e aproveitar sua estrutura na construção de uma economia justa, socialmente digna, politicamente participativa e integrada.
Perguntas
Como iremos nós, que nos informamos do que está por acontecer e já está acontecendo com o clima, prestar contas ao povo brasileiro, principalmente aqueles que tem propriedades (milhões) juntinho ao nível do mar?
E aqueles milhões de brasileiros que tem pouca melanina na pele e que serão as primeiras vítimas do bombardeio dos raios cósmicos UV?
E de tantos outros brasileiros que serão vitimas de apagões resultantes da falta de água, entre dezenas e dezenas de outros problemas decorrentes dos desequilíbrios do clima?
“Commodities Ambientais muitos já tentam de alguma forma “negociar” nas bolsas de futuros sem saber exatamente o que acontecerá com a dança das mudanças climáticas.
Voltando ao pé-no-chão, desejo ver uma lista enriquecida neste formato: uns mostrando caminhos reais para aqueles que precisam de informações; outros disponibilizando recursos e apoios para projetos inovadores; outros ainda, comportando-se como estadistas e serão os facilitadores de todas as propostas e idéias, venham elas de mestres, pesquisadores autodidatas, estudantes, professores, mesmo que não venha a se concretizar.
O importante é que o povo brasileiro, diante desse desafio que atingirá mais cedo ou mais tarde a todos e indistintamente, espera ver um novíssimo comportamento das autoridades, diferentemente das que aportaram nos últimos 500 anos e aplicadas de forma cartorial, elitista e infame.
Gostaria de ver o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas apresentando em sua página virtual com janelas onde se pudesse ler o nome de todos os que compõem a lista de discussão; relação de projetos apresentados mesmo na fase embrionário das idéias, para avaliação; como se relacionar com pesquisadores, cientistas e técnicos autodidatas, que como nós, estamos mergulhados nos temas excitantes das mudanças climáticas; como gostaria também de acessar fotos de imagens, gráficos, estatísticas, estudos, e outras páginas virtuais ligadas ao tema.
Maus exemplos
br>Permitimos que se gastem mais de R$ 3 bilhões dos contribuintes na construção de prédios públicos do tipo Fórum da Justiça do Trabalho de São Paulo, ou agora mais recentemente o questionável prédio do Fórum de Justiça do Rio de Janeiro, ou então talvez gastemos para permitir a participação brasileira no Fórum Internacional de Mudanças Climáticas, dinheiro que daria para deslanchar inúmeros projetos que estão na vala da espera.
Outro exemplo: gastamos R$ 43 milhões em um projeto só das centenas deles em situação exatamente igual, e que está sob regime de suspeita, autorizado fulminantemente pela ex-SUDAM sem grandes trâmites burocráticos e estudos afinados de viabilidade econômica do mesmo.
Autor
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Gert Roland Fischer é engenheiro agrônomo. www.ekolink.com.br
Divulgado pela Rede Internacional de Comunicação CTA-JMA
Pelo Desenvolvimento Limpo de um Novo Mercado Financeiro!
ONG Consultant, Trader and Adviser – Projeto CTA
Sindicato dos Economistas, no Estado de São Paulo
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