O lado pouco claro da Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade 2004 tendo como tema a água já está se espalhando pelas paróquias do Brasil e pode significar um passo decisivo para que a população entenda um pouco melhor a importância desse insumo vital para a vida.

Mas pelo menos uma das teses defendidas pela CNBB se presta a falsas interpretações e distorções de abordagem que podem tornar a “emenda pior do que o soneto”, para usar uma expressão literária.

No item 6 das sugestões para uma nova legislação é defendido que:

”Os serviços essenciais não pagarão o valor da água por metro cúbico, com a finalidade de baratear o acesso á água para os mais pobres e a toda a população…”.

Salvo melhor juízo a tese de que deve haver gratuidade do fornecimento da água potável para os mais pobres pode soar como uma solução demasiado fácil. Ainda mais se for levado em conta o fato de que, por falta de acesso, os mais pobres, que compram água em bombonas, são os que pagam o preço mais elevado, por litro, comparativamente ao que é cobrado por metro cúbico pelas companhias e serviços municipais. Acrescente-se ainda que diversos estudos, inclusive em nível internacional, mostram que o pobre quer dignidade e não esmolas. Para muita gente a conta de água é um atestado de cidadania que lhes permite até mesmo abrir um crediário.

Outra falácia é querer oferecer presentes com o chapéu alheio. Isto é: não há gratuidade nesta questão. Se existem isentos outros vão pagar mais. Ou o que é pior: a qualidade dos serviços cai. A inadimplência é hoje o inimigo mais cruel: a cada ano deixa de gerar recursos de mais de mais de R$ 4 bilhões o que seria suficiente para fazer os investimentos necessários à melhoria e ampliação dos serviços rumo à universalização.

Por outro lado, a gratuidade gera desvalorização do produto. Ou seja: exatamente o oposto do que pretende a campanha. Experiência de gratuidade realizada no Rio Grande do Sul acabou sendo cancelada por distorções, como isenção de imóveis do litoral, e elevação drástica do consumo pelos isentos. Muita gente colocava mangueira jorrando água nos telhados de zinco, durante o verão, para amenizar o calor.

O que pode ser defendido é um subsídio direto – a semelhança do vale-gás – que permita aos mais pobres ter acesso à água de qualidade e ao mesmo tempo oferecer às companhias e serviços municipais os recursos necessários para caminhar em direção à universalização. Mesmo porque, segundo os últimos levantamentos divulgados aqui mesmo – Aguaonline 196 indicam que a maior parte dos investimentos feitos nos últimos anos na área de saneamento têm tido como fonte principal os recursos próprios desses serviços.

É hora de refletir bem sobre algumas das sugestões apresentadas!

Boa leitura!

Cecy Oliveira – editora

A Vez dos Leitores

Águaonline I

Parabéns pela sua revista digital. Ela tem sido de grande utilidade para o nosso Departamento. Conheci a publicação “Semana da Água no Rio Grande do Sul – uma experiência de mobilização/ 2003”, do qual você participou elaborando os textos e gostaria de saber se há possibilidade de nós obtermos um exemplar e como fazer para consegui-lo. Grata e sucesso!

Cilene Pares – Assessoria de Comunicação – DAERP – Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto

Aguaonline II

Coordeno um projeto no III semestre do Curso de Produção Editorial, da Faculdade Editora Nacional – Faenac – que tem como objetivo a editoração e publicação de uma revista impressa a partir de revistas on line. Trata-se de uma atividade unicamente didática que, além de colocar os alunos em uma situação bem próxima da realidade editorial, permite-lhes aprofundar um tema. Pesquisando revistas on line, localizei a Revista Águaonline e gostaria de saber se a editora permitiria que o conteúdo dessa revista pudesse ser utilizado em nosso projeto? Caso a resposta seja afirmativa, enviem-me e-mail.

Carlos Straccia – professor – Universidade Metodista de São Paulo (Umesp) Faculdade Editora Nacional (Faenac)

Empresa e meio ambiente

É muito bom ler notícias de que as empresas estão cada vez mais preocupadas com a questão ambiental pois isto pode ser decisivo para a mudança de nossa produção. As matérias da edição 197 são bem ilustrativas dessa nova vertente por isso gostaria de parabenizar a revista por estar sempre nos atualizando sobre as tendências do mercado. Essas notícias devem ser também um alerta para aquelas empresas que ainda pensam que o importante é produzir, não importa a que preço ambiental.

Luiz Augusto Nogueira – São Paulo

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