Em defesa da Cantareira

Cerca de 20 entidades ambientalistas reuniram centenas de pessoas na manhã do dia 22 de novembro na Cantareira em um ato em defesa dos mananciais de São Paulo. De dentro do reservatório, onde há um ano havia água, hoje só tem mato e terra. Exibindo faixas, elas protestaram contra a falta de água em São Paulo e a má gestão das Bacias Hidrográficas do Estado. No alto, os pilotos Jennifer Murray e Colin Bodil, que estão viajando de helicóptero pela primeira vez na História de um pólo ao outro, sobrevoaram o Sistema Cantareira e a manifestação, para ajudar a chamar a atenção para a grave situação dos mananciais da maior metrópole brasileira.

O descaso com este importante recurso natural e a falta de gestão adequada (priorizando evitar desperdício, reutilizando água em processos industriais e conservando os mananciais) têm gerado problemas em diversas regiões. São Paulo é o grande exemplo e sofre uma das piores crises de sua história. O Sistema Cantareira agoniza e metade dos 17 milhões de habitantes dessa região correm o risco de ficar sem água.

Essa situação vem sendo anunciada desde o início do período de seca, mas nenhuma ação efetiva para diminuir consumo foi tomada. O Governo do Estado está adiando o inevitável * racionamento no Sistema Cantareira * e colocando em risco o uso deste sistema para os próximos anos. O ato foi promovido pela organizações Acordamairipa, Amar, Fundação SOS Mata Atlântica – Núcleo Pro-Tietê, Grupo Geca, Instituto Olhos D´água, Ipeh, Instituto Pedra Grande de Preservação Ambiental, IPEG, ISA * Instituto Socioambiental, Soridema * Rio Claro, SOS Cantareira, Subcomitê Juquery/Cantareira, Universidade de Bragança e WWF- Brasil.

A maioria das instituições atua há muitos anos na região lutando pela conservação da água e dos recursos naturais.A ação faz parte também da Campanha “Água Para Vida, Água Para Todos”, que o WWF-Brasil está desenvolvendo em todo o país em defesa dos mananciais,pelo combate ao desperdício e pelo acesso universal a água de boa qualidade.”Não entender que áreas de mananciais são estratégicas para o desenvolvimento e a sobrevivência nas cidades gera mais exclusão social, prejuízo econômicodegradação ambiental, e nos coloca numa dinâmica suicida”, afirmou Samuel Barrêto. “Não adianta fechar os olhos para as causas da degradação dos mananciais, como o desmatamento, a ocupação desordenada, os lixões evazamentos, e buscar novas fontes de água, como o Capivari-Monos e Ribeira de Iguape. Isso não resolve o problema.”

O SOS Cantareira vem lutando para reverter este quadro caótico sobre os

mananciais. “A má gestão na política de recursos hídricos tem contribuído

para absurda perda de 40% desses recursos; queremos investimentos na sua recuperação e não no favorecimento de novas grandes obras. A boa gestão

terá que estar baseada na sustentabilidade”. Yuca Cunha Maekawa, coordenadora do Movimento que congrega 4 municípios da região.

As entidades pedem que as medidas abaixo sejam imediatamente adotadas:

Criação e aprovação das Leis Específicas dos Mananciais;

Programas efetivos de Recuperação e Conservação dos Mananciais já

existentes;

Gestão Integrada entre o Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê com

o Comitê de Bacia Hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, de onde são retirados 31m³/s para suprir o Sistema Cantareira;

Racionamento no Sistema Cantareira (que está praticamente seco);

Campanha para diminuição de consumo de água em residenciais e

estabelecimentos comerciais (durante o apagão, foi possível diminuir muito

o consumo – hábitos simples como banhos curtos, lavar roupa menos vezes por semana, entre outros, contribuem significativamente para economizar água);

Implementação de programa de reuso de água;

Redimensionamento da atuação do PURA (Sabesp).

Conhecendo as minhocas

Conhecer a diversidade e a distribuição das minhocas na América Latina, determinar as espécies de minhocas com potencial de uso na produção de grãos, na floricultura, na horti-fruticultura e também na pesca, além de identificar as espécies ameaçadas de extinção são alguns dos objetivos dos especialistas que participam do I Encontro Latino-Americano de Ecologia e Taxonomia de Oligoquetas que será realizado de 1 a 3 de dezembro, em Londrina, (PR) pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

“O papel das minhocas como isca para pescadores; sua importância para o solo e para a produtividade vegetal ainda é pouco conhecido na América Latina, por isso decidimos promover este que será o primeiro evento com o tema no Brasil”, argumenta o organizador do evento, George Brown, pesquisador da Embrapa Soja.

O evento reunirá pesquisadores da França, Alemanha, EUA, México, Cuba, Venezuela, Colômbia, Porto-Rico, Argentina, Uruguai, Peru e Brasil com o objetivo de trocar experiências sobre a ecologia das minhocas na América Latina, além de estabecer as prioridades de pesquisa nesta área. Brown conta que as minhocas estão entre os primeiros animais presentes na Terra há 600 milhões de anos. Estima-se a existência de 7.000 espécies de minhocas, mas apenas 3.600 são conhecidas. Na América Latina, o número de espécies identificadas é de cerca de 500. ”São poucos os trabalhos sobre a biologia das espécies nativas e ou exóticas e o conhecimento da sua diversidade, suas relações ecológicas e a importância nos ecossistemas da região. Por isso, estamos empenhados em aprofundar as pesquisas nesta área”, enfatiza.

Segundo ele, as minhocas desempenham importante papel como engenheiras do solo, porque ao caminhar abrem caminhos no solo, que facilitam a infiltração de água. “Elas também têm a capacidade de transformar o solo, porque consomem lixo orgânico e devolvem à terra na forma de húmus, material usado como complemento nutricional em vasos, no caso da floricultura e mudas de horti-fruticultura”, exemplifica.

O evento é dirigido a biólogos, agrônomos, ecologistas, produtores e estudantes. O valor das inscrição é de R$150,00 para profissionais e R$100,00 para estudantes. Mais informações no site: www.cnpso.embrapa.br/elaetao.

As cidades e a água

A questão da água é hoje um dos principais problemas das áreas urbanas, principalmente nos grandes aglomerados humanos, geradores das chamadas mega cidades. O crescimento populacional das áreas urbanas é responsável por uma série de impactos ambientais negativos, principalmente por aqueles que transformam os processos hidrológicos, tanto quantitativos como qualitativos. A urbanização no Brasil vem se processando de modo difuso, sem planejamento, sem controle, deteriorando em grande escala a água urbana.

O enquadramento e a solução dessas questões passam por um amplo programa de trabalho que inclui o desenvolvimento de estudos e pesquisas em políticas urbanas. Diversos órgãos têm investido no tema água urbana, em destaque o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, através do seu Fundo Setorial de Recursos Hídricos (CTHIDRO-FINEP) e do Programa de Ciências Ambientais (CIAMB). Para fomentar a discussão entre órgãos de pesquisa e os diversos segmentos da sociedade envolvidos neste tema a Escola Politécnica da USP (EPUSP), em parceria com o CNPq-CIAMB, o CTHIDROFINEP, a Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH), a Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH) e patrocinadores, está promovendo nos dias 9 e 10 de dezembro de 2003 o Workshop “A Questão da Água nas Grandes Cidades Brasileiras”.

O evento será realizado no Anfiteatro do Prédio da Diretoria da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Auditório Mário Covas, localizado na Cidade Universitária da USP, em São Paulo.

Obras de controle de cheias urbanas;

Restauração de bacias urbanas;

Águas Urbanas e os Planos Diretores Municipais de Grandes Cidades Brasileiras;

Gestão Metropolitana de Águas Urbanas;

Celulares

(Tierramérica) As autoridades da Nicarágua preparam normas

para regular a instalação de antenas para telefonia celular e pôr fim à desordem de que se queixam os ambientalistas. O parlamento estuda uma iniciativa elaborada pelo Ministério da Saúdee prefeitura, disse a Tierramérica o subdiretor Ambiental de Manágua, Danilo Pérez.

Segundo a proposta, a distância mínima entre uma antena e uma residência

deverá ser de 17 metros, segundo adiantou um funcionário. Mesmo que não esteja provado que viver perto de antenas de microondas provoque câncer, existe “contaminação visual” nos lugares onde proliferam, admitiu Pérez.

Em Manágua existem atualmente 47 antenas de telefonia celular.

Guaraná clonado

A Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus, AM) desenvolveu 12 clones de guaraná resistentes a doenças e até dez vezes mais produtivos que os guaranazeiros convencionais. A produção está concentrada na região do baixo Amazonas.

Os clones de guaraná desenvolvidos pela Embrapa chegam à fase adulta em 1,5 ano, metade do tempo normal, e produzem 16 a 24 quilos de cafeína por hectare. A produção tradicional dos agricultores amazonenses rende de 1,6 a 4 quilos por hectare.

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