A água desempenha um papel primordial nas numerosas religiões e crenças do mundo. Fonte de vida, a água representa o (re)nascimento. A água limpa o corpo e, por extensão, o purifica. Estas duas qualidades principais outorgam à água um status simbólico, inclusive sagrado. A água é por isso um elemento-chave nas cerimônias e cultos religiosos.
Budismo
O Budismo nasceu no século VI antes de nossa era, dos ensinamentos de Siddârtha Gautama, Buda. Os ritos estão praticamente ausentes nesta religião cujos adeptos buscam o despertar espiritual mediante a meditação e a sabedoria.
A água utilizada nos funerais budistas: ela é vertida, até derramar, em um recipiente colocado diante dos monges e do corpo do defunto.
Cristianismo
A água é indissociável do Batismo, que é o sacramento de admissão na igreja cristã. A pessoa batizada (geralmente ainda bebê) tem a cabeça molhada com uma porção de água junto à pia batismal. Este rito tem sua origem nos textos do Evangelho onde está escrito que Jesus foi batizado por João Batista em no rio Jordão. Durante o rito do batismo, a água representa a purificação, a limpeza do pecado original.
Cada vez que entram na Igreja os cristãos devem persignar-se (traçar uma cruz tocando a testa, o coração e os dois ombros) usando água benta. No Novo Testamento, a “água viva” ou a “água da vida” representa o Espírito de Deus e, portanto, a vida eterna.
Hinduismo
A água possui poderes de purificação espiritual para o hindu. Lavar-se com água pela manhã é uma obrigação diária. Perto de cada templo se encontra una fonte de água e os adeptos devem se banhar nela antes de entrar no templo. Freqüentemente os lugares de peregrinação se situam às margens dos rios; são especialmente venerados os lugares para onde convergem dois ou até três rios.
Sete rios são sagrados: o Ganges e os rios de Godavari, Kaveris, Narmadas, Sarasvatis, Sindhus e Yamuna. Segundo as crenças hindus, as pessoas que se banham no Ganges ou que depositam parte de seu corpo (pele, ossos do defunto) na margem esquerda do rio alcançarão o Svarga, o paraíso de Indra, deus da tormenta.
O mito do Dilúvio existe em alguns textos sagrados hindus e conta como Manu, o primeiro homem, fui salvo da catástrofe por um peixe (o deus Brahma), que o conduz no alto das montanhas do Himalaia até a retirada das águas.
Islam
Para o muçulmano, a água tem antes de tudo uma função purificadora. Existem três classes de ablução:
A mais importante é de corpo inteiro; obrigatória depois do ato de amor se recomenda antes da oração da sexta-feira e antes de tocar o coração.
Todos os dias, o muçulmano deve enxaguar a cabeça, lavar as mãos, os antebraços e os pés antes das cinco orações diárias. As mesquitas sempre têm pontos de água, quase sempre fontes, para estas abluções.
Quando falta água, as pessoas de confissão islâmica utilizam a areia; se trata do terceiro tipo de ablução.
Fonte: Página sobre o Ano Internacional da Água: www.wateryear2003.org
Gestão de recursos hídricos
A seção gaúcha da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES-RS promove, no dia 04 de dezembro próximo, às 16 horas, no auditório Espaço Verde, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Rua Carlos Chagas, 55 – 11º andar – Porto Alegre), palestra seguida de debate sobre o tema:
“Planejando o futuro das águas – as experiências da França e do Brasil”.
Os palestrantes serão: eng. Patrick Laigneau, engenheiro em gestão de recursos hídricos pela École Nationale Supérieure d’Hydraulique et de Mécanique, de Grenoble, França, o eng. Antonio E. Lanna, doutor e professor colaborador do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, consultor, participou do Grupo de Trabalho que redigiu o texto da Lei 10.350/94 e o eng. Paulo R. Paim, Secretário Executivo do Conselho de Recursos Hídricos do Estado, diretor da ABES.
Na oportunidade serão apresentados e discutidos metodologias, práticas e resultados do planejamento dos usos e da proteção dos recursos hídricos em bacias hidrográficas na França e no Brasil, com especial enfoque sobre a experiência gaúcha. O evento é aberto a todos os interessados.
Judaísmo
Para os judeus, a limpeza ritual da água permite restaurar ou conservar um estado de pureza. É obrigatório lavar as mãos antes e depois das refeições.
O banho ritual, o Mikvah, era sumamente importante para as comunidades judias em outros tempos; hoje é menos praticado mas continua sendo obrigatório para os convertidos. Os homens vão ao Mikvah nas sextas-feiras e antes das grandes festas; as mulheres, antes do casamento, depois dos partos e ao final de suas menstruações.
A historia do grande dilúvio aparece no Gênesis, o primeiro livro da Bíblia que narra a Criação. Para castigar a humanidade por sua desobediência, Deus envia uma chuva torrencial sobre o mundo inteiro – somente Noé, sua família e um casal de cada raça de animais escapam deste castigo, protegidos por uma arca.
O dilúvio destrói todos os pecados do mundo para que possa renascer livre de impurezas.
Shintoísmo
O Shintoísmo é a religião nativa do Japão baseada na veneração dos kamis, essas inúmeras deidades que contém a natureza. O culto dos kamis começa sempre por um ato de purificação com água. A purificação permite restabelecer a ordem e o equilíbrio entre a natureza, os humanos e as deidades. As cascatas são consideradas sagradas.
Zoroastrismo
Esta religião dualista, fundada por Zoroastro (Zaratustra), opõe os deuses do bem e do mal. No momento da criação do mundo, o espírito do mal atacou a terra e transformou uma parte da água pura em água salgada. A pureza e a poluição estão no centro das crenças dos zoroastristas, que consideram a poluição como el mal e a água pura como sagrada. Cuspir, urinar ou lavar as mãos em um rio é proibido para não manchar o caráter sagrado da água. Para conservar a pureza de água, do fogo e da terra, os defuntos não podem ser submergidos ou enterrados.
O mito do grande dilúvio também existe na religião zoroastrista.
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