Mexilhão dourado é ameaça na América Latina

Considerada uma ameaça nacional ao ecossistema aquático e às tubulações para captação de água, a invasão do mexilhão dourado nos rios brasileiros foi um dos assuntos discutidos durante o Fórum Internacional das Águas. Segundo a bióloga Maria Mercedes Bendati, diretora da Divisão de Pesquisa do DMAE/POA o problema é a disseminação do invasor que está se deslocando pelos rios do continente. “Os órgãos ambientais precisam agir de maneira articulada e é preciso intensificar a disseminação de informações entre os usuários das águas, principalmente da área de navegação” .

Denominado cientificamente de limnoperna fortunei, esse molusco que chegou, na região, há pouco mais de 10 anos fixado em cascos de navios originários da Ásia transformou-se numa grande “dor-de-cabeça” para biólogos, pesquisadores de toda a América do Sul. A região foi “invadida pelo molusco em 1991 através da bacia do Prata”, reconhece a responsável pelo laboratório ambiental da Itaipu Binacional, Leonilda Correia dos Santos. Os pesquisadores buscam formas de reduzir a veloz proliferação do mexilhão dourado.

Só na Usina de Itaipu Binacional, onde o molusco foi encontrado pela primeira vez em 2001, existem atualmente, entre 50 a 80 mil mexilhões por metro quadrado de concreto da barragem da empresa, devendo chegar 150 mil por metro quadrado no próximo ano. A situação que acarreta prejuízos ambientais e também financeiros, está exigindo um trabalho especial de pesquisa e investimentos por parte da empresa. “Por ser um animal exótico e de outro biotério, o mexilhão douroado não encontra predador aqui e sua eliminação é praticamente manual, o que nos obriga a interromper o funcionamento das tubulações invadidas para eliminá-los. Isso significa um custo muito alto, o molusco adere a tudo, concreto, canos, tubos, madeira. Já foi encontrado até mesmo em plantas aquáticas e em motores de barcos”, relata.

Segundo Leonilda que coordenou o painel sobre o mexilhão dourado durante o Fórum das Águas, “o molusco está presente em praticamente todos os rios do Brasil, inclusive no Pantanal (MT/MS), o que agrava o problema para o ecossistema visto que, como foi detectada a presença de salmonella nestes moluscos encontrados em águas brasileiras, a hipótese de utilizá-lo como alimento humano, como ocorre com outras espécies de mexilhão-está descartada. “identificamos apenas uma espécie de peixe que começa a se alimentar desse mexilhão, mas muito lentamente ainda”, conta.

Microscópico em sua fase inicial, o limnoperna fortunei- caracterizado por ter pequenas garras responsáveis por sua fixação nas superfícies- chega atingir cerca de 3 centímetros na fase adulta. Ele tem vida média de nove anos e, na prática, não se conhece uma forma rápida, sustentável ambiental e economicamente viável de acabar com ele.

Reuso – uma alternativa que cresce

O que têm em comum a indústria açucareira, o aeroporto de Cumbica (SP) e a usina de Camaçari, na Bahia? Embora voltadas a nichos diferentes de mercado, cada uma desenvolveu tecnologias para o reuso da água, cultura que aos poucos começa a fazer parte das corporações, mas ainda é um desafio, o que fez do assunto uma das atrações do Fórum Internacional das Águas, que se realiza de 8 a 11 deste mês no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre(RS).

“O ideal do sistema é que as indústrias tratem a água como o organismo trata o sangue, renovando-a, sem trocas”, avalia o engenheiro Marinho Graff, superintendente de tratamento da Corsan (Companhia Riograndense de Saneamento). Na avaliação do técnico, a abundância está diretamente relacionada ao desperdício. ”No Japão, por exemplo, onde a água é escassa, já existe essa cultura”, lembra assinalando que a atividade industrial é a segunda maior consumidora de água no mundo. A agricultura é a maior usuária dos recursos hídricos.

Conscientes da necessidade de evitar desperdícios, alguns setores industriais já vêm realizando pesquisas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias que evitem essa situação. É o caso da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), cuja experiência será relatada no Fórum Internacional das Águas.

Na empresa, a água captada é usada tantas vezes quantas seu tratamento for possível. A água chega na usina com a finalidade de gerar energia, mas o líquido resultante do resfriamento do vapor exalado no processo de geração de energia – que antes era jogado fora – é reaproveitado em processos como de limpeza. “O balanço hídrico de uma empresa deve ser positivo. Com base nesta filosofia é que utilizamos a água várias vezes antes de devolvê-la, em bom estado, à natureza”, garante Julio Quadros, presidente da empresa.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Encontro

Poluição industrial

Embora seja a indústria de papel e celulose a que mais lança resíduos na Bacia do Guaíba, no Rio Grande do Sul, é a alimentícia a que mais contribui para a poluição do lago. O dado foi identificado, através de um levantamento que está sendo desenvolvido pelo Departamento de Recursos Hídricos da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e apresentado durante o Fórum Internacional das Águas que se realiza de 8 a 11 de outubro no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre.

Segundo o consultor do Departamento de Recursos Hídricos da Sema, engenheiro Sidnei Agra, o Plano pretende fazer o balanço hídrico da Bacia do Guaíba (que abrange 14 municípios), mostrando a participação de cada setor industrial na poluição das águas. A partir desse diagnóstico, que deverá estar concluído até o final deste ano, a intenção é partir para a discussão setorial, buscando soluções para os problemas.

Embora o levantamento ainda esteja sendo realizado, Agra sabe que é a indústria alimentícia a maior poluidora da bacia. Outro dado revelado é que, embora seja uma das principais usuárias, a indústria de papel e celulose, já adota mecanismos de tratamento de efluentes, reduzindo a agressão.

Fora esses dois setores, o levantamento realizado pela Sema identificou outros três setores poluentes da bacia: bebidas; farmacêutico e metal-mecânico. “Embora seja um usuário de grande demanda (27% do uso de água doce do Brasil é pela indústria), a indústria, depois de muita pressão por parte de organismos ambientais, já está agindo de forma mais consciente e é ainda o usuário que mais trata suas águas. O que já não ocorre com a agricultura (65%) e com o uso humano da água (8%)’’, destaca, frisando que a falta de saneamento nas águas destinada ao uso humano é, sem dúvida, o maior poluente de mananciais.

Fonte: Assessoria de Imprensa do Encontro

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