
Enquanto no Centro de Eventos da FIERGS uma platéia atenta se revezava no aplauso às autoridades e palestrantes que abordavam as fragilidades e benefícios da água, bem como as formas de defendê-la das ameaças, em outro ponto de Porto Alegre, mais de 300 crianças se reuniam para analisar, a sua maneira, os problemas da água.
Os dois eventos fazem parte de uma tradição de dez anos do Estado do Rio Grande do Sul de comemorar a Semana Interamericana da Água. A partir do primeiro sábado de outubro, durante oito dias os gaúchos não se cansam de ouvir a palavra água. São entrevistas, eventos, manifestações, como o Abraço ao Lago Guaíba, que aconteceu no dia 04 de outubro.
No Fórum Mundial das Águas se misturam técnicos, políticos e a população em geral para, durante três dias, debater os diferentes aspectos desse insumo vital. De parte das autoridades, desde deputados, ao governador Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, ao ministro de Meio Ambiente do Paraguai, Menandro Grisete, foi unânime a defesa sobre a importância do evento, promovido pela Associação Riograndense de Imprensa (ARI), e a valoração da água como um insumo estratégico.
Em seu pronunciamento a ministra recomendou que o país trabalhe em cima de unanimidades, não importando a crença religiosa ou a facção política. E a universalização do atendimento com água é um consenso em sua opinião. Mas advertiu que não se pode banalizar essas unanimidades. “Não podemos ter cidadãos de primeira e segunda classe”.
Pregou também que cada um defenda os recursos naturais, como a água, não somente no ambiente dos outros, mas no seu próprio. “Todos são defensores da Amazônia mas quando se trata de defender recursos e interesses locais a postura é outra” .
Embora reconhecendo o tamanho do desafio que o Ministério do Meio Ambiente está enfrentando, inclusive no que se refere à derrota representada pela liberação dos transgênicos – ” muitas vezes por uma vitória efêmera pode vir um arrependimento de anos”, disse – Marina se comparou a águia que se recusa a envelhecer e arremete seu bico contra a pedra até fazer surgir um bico novo.
Ela usou também a passagem da Bíbila que diz que ” o espírito de Deus pairou sobre as águas” para mostrar a importância desse recurso natural. E destacou a importância da participação da população na construção das políticas. “Temos que construir políticas com a população e não para ela”.
Significado social da água
O governador Germano Rigotto ressaltou a urgência do debate sobre as formas de melhorar as relações dos homens com a água dizendo que “não estamos nos antecipando a um drama do futuro mas chegando atrasados na discussão de um problema de ontem”.
E lembrou que os dados internacionais mostram que em 1999 270 rios, em todo o mundo, deixaram de chegar aos mares o que mostra a gravidade do problema. Essa mistura de desperdício e desleixo, em sua opinião, tornaram mais agudas as crises na área ambiental. “O meio ambiente é um ciclo fechado e as interferências negativas se refletem em todo o ecossistema: não há portas de saída. A penalização afeta igualmente inocentes e culpados”, finalizou.
Cultivando água boa

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